O Planeta TV

E o público agradece...

Nada de pesquisas e gráficos, a melhor forma de falar com o telespectador é cara a cara.

Por: Emerson Ghaspar - Contato: [email protected]

Assumo, já cogitei fazer um “rolezinho” em alguma emissora de TV com o intuito de descobrir o que está acontecendo com nossa grade televisiva. Piadinhas infames a parte, todo começo de ano é o mesmo. Duvida? Confira aqui!

Resoluções a parte, fomos surpreendidos esse ano pelo sucesso arrebatador de “Amores Roubados”, minissérie em 10 capítulos escrita por George Moura e dirigida por José Luis Villamarin, que, diga-se de passagem, já nos havia surpreendido no ano passado com o “Canto da Sereia”. As opiniões sobre a obra foram as mais diversas, desde uma minissérie pornográfica até uma obra espetacular, deixando a Record enlouquecida a ponto de colocar “A Quimica do Mal”, como subtítulo para Breaking Bad.

Tirando o que todo mundo já sabe e falou por ai em outros sites, a obra inspirada no livro “A Emparedada da Rua Nova” nos leva a pensar no comportamento do telespectador brasileiro e que serve como uma forma de termômetro para medir o interesse do telespectador.

Pra começar a obra poderia ter sido ambientada em qualquer lugar do Brasil, pois a trama é atemporal, fala de amor, ambição e poder. Para reduzir custos, a Globo poderia ter ambientado a história no eixo Rio – São Paulo, mas não, preferiu mostrar um interior do Nordeste em ascensão. O público que mora em grandes cidades, especialmente nas regiões Sul/ Sudeste adoraram conhecer um “Sertão” diferente do habitual, sempre mostrado nos telejornais como sendo miserável e extremamente desagradável.

Aqueles que de início rotularam a minissérie como pornográfica devido às cenas sensuais entre Cauã Raymond e Dira Paes, se surpreenderam a partir da metade da trama, que se tornou em um thriller psicológico, sem nudez, muito bem montado, que fugiu do original de Carneiro Vilela. Quem não se questionou se Leandro realmente estava morto? Se Jaime iria emparedar a filha viva como no livro?

George Moura deu um final diferente do esperado e surpreendeu novamente o público, que já estava fascinado por aquela história, consolidando o seu jeito de escrever.

Outro atributo importante para o sucesso da obra foi à escalação do elenco, tão em sintonia e o mais importante, todos brilhando em determinados momentos. Citar um destaque seria um pecado.

Elogios a parte, a minissérie nos leva a pensar sobre o jeito de ver TV. Desde o início do ano a Rede Globo vem nos brindando com histórias em horário nobre, seguidas da tão famosa novela das 8 (que tá começando quase 21h30). Foi assim com “O Tempo e o Vento”, adaptação de filme em minissérie, seguida de “Amores Roubados”, que teve 6 capítulos exibidos após “Amor à Vida” e obteve um índice mais que satisfatório no horário. Quando a obra começou a ser exibida depois do BBB 14 a audiência caiu e só se manteve por que os telespectadores já amavam a trama.

“Amores Roubados” nos leva a dedução de que queremos ver tramas mais adultas em nosso horário nobre, com cenas de sexo ou sem, mas o melhor, não queremos ser chamados de idiotas com tramas tão batidas que curam qualquer insônia.  Sim, há publico para histórias densas, fortes, porem bem produzidas e que nos instigam a cada fim de capítulo.

Além disso, o telespectador se irritou e com razão com a mudança de horário da minissérie que foi ao ar mais tarde. Desrespeito? Estratégica de marketing para segurar audiência do BBB? Não, uma forma de testar públicos, mas que a tornaria um fracasso se tivesse mais capítulos.

Comentários, críticas e elogios são opções para o telespectador que mostrou com “Amores Roubados”, que está mais exigente, quer boas histórias, um horário adequado e o melhor, está afoito por novidades, principalmente se elas tiverem uma boa dose de criatividade, empenho e o melhor, com uma boa dose de respeito por nosso inteligência. Quando o público pede e consegue uma obra como “Amores Roubados” simplesmente agradece, sempre da melhor forma: com audiência e aplausos.


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