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Sexo Frágil: O retrato bem humorado do homem

Baseado na obra de Luís Fernando Veríssimo, o seriado apresentou os conflitos e incertezas do mundo masculino com uma dose de humor e talento.

Por: Emerson Ghaspar - Contato: [email protected]

Há 10 anos, em 17 de outubro de 2003 ia ar o primeiro capítulo do seriado “Sexo Frágil”, que era uma livre adaptação da peça “O Homem Objeto”, escrita a partir de textos de Luís Fernando Veríssimo e já encenada sob a direção de João Falcão.. A série retratava a vida de Alex (Bruno Garcia), Edu (Wagner Moura), Beto (Lúcio Mauro Filho) e Fred (Lazaro Ramos), amigos de muito tempo, que aparentemente são seguros, mas que volta e meia se vêem em conflitos femininos.

A vida dos quatro rapazes é o ponto de partida para falar da real função do homem em uma sociedade igualitária. O primeiro episódio da série falava da reação de Fred ao ter seu casamento cancelado na véspera, quando sua então noiva Patrícia (Wagner Moura) foge com um argentino.

O mundo feminino é visto em várias situações como uma espécie de ameaça para os protagonistas da série: Beto tenta conciliar a vida de casado com Vilminha (Bruno Garcia) e a mãe opressora Gertrudes (Lúcio Mauro Filho), que se mete em tudo; Alex, que vive com medo de ser subordinado a uma mulher; Fred que tenta engatar um namoro com mulheres que não intenção de ter um relacionamento sério e Edu que não sabe o que fazer da vida e sempre se apaixona a primeira vista.

A proposta do programa era apresentar a fragilidade dos homens em uma sociedade que sempre os taxou de fortes. Alex, Fred, Edu e Beto eram personagens que se descobriam tão impotentes e sensíveis diante de uma sociedade que exigia o contrário, com o homem sendo o ser dominante.

Antes de se tornar um seriado semanal, “Sexo Frágil” foi um quadro exibido pelo “Fantástico” no mês de abril. Com a boa recepção do público o quadro acabou se tornando uma série de 25 minutos aproximadamente que ia ao ar após o Globo Repórter. “Sexo Frágil” tinha a tarefa de manter os mesmos índices de audiência de “Os Normais”, sucesso de público e critica.

Além de interpretar seus respectivos personagens, os atores também deram vida aos demais personagens femininos da série, sendo Vilminha o único personagem fixo da série durante a primeira temporada. A série que possuiu duas temporadas ganhou em sua segunda fase novos personagens fixos: Priscila (Lazaro Ramos) que era irmã de Fred, Magali (Wagner Moura) uma baiana que se oferece para ser empregada de Edu e Dona Gertrudes (Lúcio Mauro Filho) que já havia fazido pequenas participações em episódios esporádicos.

Enquanto a primeira temporada era focada em assuntos distintos que se resolviam no mesmo episódio, a segunda temporada ganhou novas situações: Fred perde o emprego e vai morar com Alex e Edu, enquanto Beto se vê envolvido com a gravidez de Vilminha.

No último episódio intitulado “O último capítulo”, Edu se casa com Priscila, mesmo toda família desaprovando. Alex se rende aos encantos de Magali;Fred se casa com Heloisa (Zéu Brito) mesmo sabendo que ela é garota de programa; Gertrudes pede ao porteiro Carniça  para ser avô de seu neto e ele aceita. Mas a grande cena foi Beto fazendo o parto do filho, o que surpreende Vilminha.

Outros atores também deram vida a mulheres na trama, foram eles: Thiago Fragoso, Dado Dolabella, Vladimir Brichta, Aramis Trindade, Edmilson Barros, Caio Junqueira e Zéu Britto, que aparecia em todos os episódios seja cantando para ilustrar a história ou como os personagens Carniça e Heloísa.

A equipe de figurino e caracterização, lideradas por Lu Moraes pesquisou o comportamento de transformistas e teve como referencia o filme Tootsie, estrelado por Dustin Hoffman.  Foram confeccionadas perucas exclusivas para os atores e foi utilizada a técnica lifting para esticar e modelar o rosto e sobrancelhas dos atores. Já o figurino foi pensando em tons mais naturais para mulheres enquanto as roupas masculinas destacavam a personalidade de cada personagem.

Já a equipe de cenografia visitou a casa de homens solteiros em busca de referencias para criação de cenários e objetos de decoração. A trilha sonora foi composta por duas musicas, a primeira era a “Gosto que me enrosco”, um samba de 1929 e “Soraya Queimada”, ambas cantadas por Zéu Brito.

No ano de 2004, a série foi exibida em Portugal pelo canal GNT e foi lançado um DVD duplo com 10 episódios da primeira temporada. A equipe do programa lançou nesse ano, como especial de fim de ano o “Programa Novo”, que consistia nos atores em busca de um formato para a TV que fugisse de baixarias e sensacionalismos. No final, os personagens femininos de “Sexo Frágil” reapareciam. A série voltou a ser reapresentada pelo canal Viva, pertencente as organizações Globo em 2010.

“Sexo Frágil” teve duas temporadas com 10 episódios cada, sendo primeira exibida entre outubro e dezembro de 2003 e a segunda entre junho e agosto de 2004. Foi uma série escrita por Claudio Paiva, Guel Arraes (também diretor de núcleo), João Falcão, Marcelo Rubens Paiva, Adriana Falcão, André Laurentino e Flávia Lacerda (diretora do programa|) e apresenta as sextas – feiras a partir das 23h.

Com um humor afiado diante das perspectivas masculinas sobre uma nova sociedade, “Sexo Frágil” é um seriado que merece ser revisto sempre que possível por mostrar que antes de distinção de sexos somos todos humanos. As vezes rir dos próprios defeitos, medos é uma excelente opção.

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Comentários (2) Postar Comentário

Liz Ferreira comentou:

Sempre leio sobre seus artigos Emerson Gaspar, muito bom!!!

Aline Lira comentou:

Na época do programa Sexo Frágil, eu tinha apenas 11anos de idade e cofesso que não entendia o teor do programa, mas em minha memória ficou um personagem, "Priscila", personagem de Lázaro Ramos,.. ficou tão forte que eu lembrava inclusive do nome. Esse último mês eu comecei a assistir os episódios e me deliciei com tanto talento desses garotos, me diverti demais com as histórias tão atuais. Vale muito a pena assistir.

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