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Os Maias: Literatura e Qualidade na TV

Adaptação da obra mais aclamada de Eça de Queiroz para a TV não despertou atenção do público apesar de sua excelente produção.

Por: Emerson Ghaspar - Contato: [email protected]

Depois de escrever a bem sucedida A Muralha em 2000, Maria Adelaide Amaral voltava ao ar no inicio de 2001 para apresentar a minissérie Os Maias, baseada no romance homônimo de Eça de Queiroz.  A história, que havia sido publicada originalmente em 1888, contava a história da família Maia e sua vida no casarão conhecido como o Ramalhete.

A primeira fase da minissérie conta a história de Pedro (Leonardo Vieira), um rapaz melancólico e triste, que foi criado por sua mãe, sempre seguindo os preceitos da igreja. Inseguro e frágil, o rapaz é totalmente o oposto de seu pai,  o fidalgo Dom Afonso da Maia (Walmor Chagas), um homem íntegro, com grandes convicções políticas, moderno para o seu tempo e que acredita que a razão deve sempre ser superior as emoções.

Após a morte da mãe, Pedro vive recluso e sem grandes perspectivas. Sua vida muda quando acaba indo a uma tourada portuguesa, onde conhece a bela e envolvente Maria Monforte (Simone Spoladore), conhecida pela sociedade lisboeta como A Negreira. A jovem é filha de Manuel Monforte (Stênio Garcia), um homem que enriquecera devido ao trafico de escravos, o que gera repúdio pela elite portuguesa.

Apesar de rico, Manuel Monforte é estigmatizado por seu passado nebuloso e alvo de chacota da sociedade. Maria Monforte vê em Pedro uma chance de ser aceita entre a elite portuguesa e acaba aceitando as investidas do rapaz, por quem verdadeiramente se apaixona. Totalmente apaixonado, Pedro parte até Cintra em busca de sua amada. Em uma das cenas mais bonitas da minissérie, Dom Afonso vê seu filho passar de carruagem ao lado da Negreira, que usa uma sombrinha vermelho escarlate. Nesse instante o patriarca dos Maias prevê que o futuro de sua família estaria envolto em sangue e dor.

De volta a Lisboa, Pedro revela a seu pai a paixão que sente por Maria Monforte e seu desejo de casar, mas Dom Afonso é contra a união e exige o fim do romance. Inseguro, o rapaz pede que a filha de Manuel espere mais um pouco, mas a mimada então exige que o amado tome uma decisão. Totalmente apaixonado, Pedro rompe os laços que tem com o pai para se casar com A Negreira.

Dom Afonso tenta impedir de todas as formas o casamento entre Pedro e Maria Monforte, mas não consegue. O casal passa a viver um conto de fadas, mas a filha de Manuel Monforte quer ser bem recebida pela sociedade que no passado a destratou. A jovem ganha o apoio de Tomás de Alencar (Osmar Prado), poeta lírico totalmente apaixonado por ela e grande amigo de Pedro, e de Maria da Cunha (Eva Wilma), um antigo amor de Dom Afonso. Em pouco tempo, A Negreira começa a desfilar pelos grandes salões lisboetas sempre em boa companhia, chamando a atenção por onde passa.

Despertando interesse dos homens por sua beleza e andando com as mulheres da elite portuguesa, Maria Monforte acaba sendo bem vista pela sociedade local. Mesmo assim, Dom Afonso não se aproxima de filho e nora, o que causa grande revolta na Negreira. A jovem exige que o marido procure o pai em busca de uma reconciliação e de uma benção, mas isso não ocorre. Dom Afonso evita qualquer aproximação.

Maria Monforte acaba engravidando e dando a luz a sua primeira filha: Maria Eduarda (Ana Carolina Herquet), que logo se torna o xodó da mãe. Apesar de ser mãe, a filha de Manoel não deixa de comparecer a bailes, o que era sua grande diversão. É nesse instante que a jovem se descobre grávida de seu segundo filho e após um sangramento é obrigada a ficar em casa até o fim da gestação. A criança então nasce e ganha o nome de Carlos Eduardo (Samir Alves).

Felizes com os dois filhos, a vida do casal muda quando em uma caçada, Pedro atira acidentalmente em Tancredo (Fabio Fulco), um príncipe italiano. Sentindo-se culpado, o filho de Dom Afonso leva sua vítima para se recuperar em sua casa. Os dias se passam e uma enorme paixão toma conta do príncipe e da Negreira, os levando a fugir.

Apaixonada pela filha, Maria Monforte a leva quando foge com Tancredo, deixando Carlos Eduardo para ser criado pelo pai. Desolado com a atitude da esposa, Pedro procura por Dom Afonso e ajoelhado sob os pés do pai, pede perdão.

De volta ao Ramalhete, Pedro se mostra deprimido e acaba se suicidando com um tiro no peito. Dom Afonso leva o filho para se enterrado na Quinta de Santa Olávia, já que a igreja não aceita sepultá-lo no cemitério. No local, o fidalgo decide criar o neto segundo suas convicções, seguindo conceitos ingleses com rigorosa disciplina, com apreço pelo conhecimento e sem ligação com a religião.

Conforme cresce na Quinta de Santa Olávia, Carlos Eduardo começa uma amizade com Teresinha (Maria Isabel de Quinhões) e com Eusebiozinho (Adriano Leonel), que faz de tudo para ridicularizar o amigo. Os dois são filhos de Eugênia (Jandira Martini), uma beata que tenta afastar a filha do neto de Dom Afonso, mas conforme crescem a união entre eles só aumenta.

Na segunda fase da minissérie, depois de anos recebendo a educação inglesa que Dom Afonso tanto quis, Carlos Eduardo (Fábio Assunção) agora com 25 anos é um rapaz bonito e corajoso, que decidi partir para a cidade de Coimbra, onde pretende concluir o curso de medicina. Quem o acompanha na viagem é Eusebiozinho (Felipe Martins), agora adulto, temente a Deus devido a educação religiosa que teve, mas capaz de fazer o mal ao amigo de infância.

Enquanto estuda, Carlos Eduardo faz algumas amizades, entre elas o inconformado João da Ega (Selton Mello), Cruges (Ilya São Paulo), Craft (Dan Stulbach) e Teodorico Raposo (Matheus Natchergale), que representam os ideais dos jovens da época. O último é o responsável pelo tom de humor da minissérie. Teodorico, ou como é mais conhecido: Rapozão das Espanholas, é sobrinho de Patrocínio das Neves (Mirian Muniz), a Titi, uma carola severa que louva a Deus antes de mais nada, tendo total repulsa ao sexo. A beata criou o sobrinho como um filho e espera que ele siga a vida religiosa depois de formado, mas ele só tem olhos para a prostituta espanhola Encarnacion (Maria Clara Fernandes), que no passado chegou a prever um romance inesquecível para Carlos Eduardo.

Depois de formado, o filho de Maria Monforte parte para uma viagem, regressando 14 meses depois e disposto a se estabelecer em Lisboa. Para que o neto não se sinta só na cidade, Dom Afonso retorna e volta a morar mo Ramalhete.

Paralelo a isso, chega a cidade a família de Castro Gomes (Paulo Betti), um comerciante brasileiro casado com a belíssima Maria Eduarda (Ana Paula Arósio). Eles têm uma filha, a pequena Rosa (Isabelle Drummond), que vive a adoecer assim que chega a Lisboa. Na viagem que os trazem a Portugal, o casal conhece o pedante e inescrupuloso Dâmaso Salcede (Otávio Muller), primo de Raquel Cohen, que logo se interessa pela esposa do novo amigo, mas ela o repudia.

Enquanto Maria Eduarda se vê diante da nova cidade e das cobranças do marido que a sente ausente, Carlos Eduardo inicia um romance secreto com a Condessa de Gouvarinho (Eliane Giardini), uma nobre cansada da rotina de seu casamento com o Conde (Otávio Augusto). Em pouco tempo a frívola nobre se rende aos encantos do jovem médico. Outro que mantêm um caso secreto é João da Ega, que se apaixona pela judia Raquel Cohen (Maria Luisa Mendonça), uma mulher fogosa que adora deixar o estudante aos seus pés. Ela é casada com Jacob (Cécil Thiré), um banqueiro que só pensa em dinheiro. Quando o caso é descoberto, a judia decide ficar com o marido. Desolado, Ega viaja para a casa da mãe, retornando algum tempo depois.

Nesse ínterim, Rosa passa mal e Dâmaso pela ajuda de Carlos Eduardo, tudo para chamar a atenção de Maria Eduarda. A garota logo melhora com o tratamento do doutor Maia.  Não demora muito, para que a inteligente Maria Eduarda se encante pelo médico.  Paralelo a isso, Castro Gomes volta ao Brasil para tratar de negócios e deixa a esposa instalada em um apartamento.

Disposto a lutar pela mulher que ama Carlos Eduarda visita Maria Eduarda e declara seu amor, mas ela o pretere por esconder o seu passado. Apesar de relutar, a jovem cede aos encantos do médico e inicia um romance, que logo é descoberto por Dâmaso, que trata de espalhar a fofoca.

Para afastar a amada das intrigas, Carlos Eduardo compra a propriedade de um amigo e pede que Maria Eduarda se mude para lá, afim de que possam viver o romance longe dos comentários ferozes da sociedade lisboeta. Mesmo longe, Dâmaso revela a Condessa de Gouvarinho sobre o caso dos irmãos Maia e se une para destruí-los. O pedante usa a nobre alegando que o interesse de Maria Eduardo pelo médico é somente por dinheiro e por isso o preteriu.

Dâmaso aumenta as ofensas contra Carlos Eduardo e Maria Eduarda e o casal resolve fugir. Desconfiado das pretensões do neto e temendo que ele tenha o mesmo fim de Pedro, Dom Afonso pede que ele não o desaponte, fazendo com que o médico adie a fuga.

Os dias se passam e Castro Gomes volta a Lisboa, indo direto conversar com Carlos Eduardo. O comerciante revela ao médico que recebeu uma carta anônima contando do caso entre o médico e a jovem. Sem pudores, o brasileiro revela que Maria Eduarda não é sua esposa legitima e que não é pai de Rosa.

Castro Gomes revela que é amigo da mãe de Maria Eduarda e que acolheu quando a viu passando necessidades em Paris. O comerciante propôs a ajudá-la desde que ela fosse viver com ele. Receosa do futuro da filha a bela senhora aceitou se passar por sua esposa. Com a revelação, Carlos Eduardo fica desolado e escreve uma carta terminando todo o relacionamento.

João da Ega desconfia que Dâmaso seja o autor da carta recebida por Castro Gomes. Apesar dos problemas e da revelação do passado de Maria Eduarda, Carlos Eduardo a perdoa e acabam fazendo as pazes. Paralelo a isso, Maria Monforte (Marília Pêra) manda uma carta a filha a julgando por ter abandonado a Castro Gomes. Para destruir Carlos Eduardo e Maria Eduarda, Dâmaso Salcede e Eusebiozinho planejam espalhar o caso amoroso através do jornal de Palma Cavalão (Antonio Calloni), um jornalista mesquinho que em parceria com Artur Corvello (Rodrigo Penna) planeja dar um golpe em Jacob Cohen.

Ao ler a noticia no jornal, Carlos Eduardo fica irritado e descobre que o texto foi escrito por Dâmaso Salcede. Sem pestanejar, o médico consegue o documento original para provar a culpa do pedante e o desafia para um duelo. Nervoso, o primo de Raquel escreve uma carta assumindo sua culpa e dizendo ser um bêbado.

Livres de Dâmaso, o casal sai para tomar um café em compainha de João da Ega. No local, Maria Eduarda volta a encontrar com Mounsier Guimarães (Luis de Lima), tio de Dâmaso, que conhece todo o seu passado.O misterioso senhor revela ao melhor amigo de Carlos Eduardo, que os dois são irmãos.

De posse de um cofre dado a Mounsier Guimarães para ser entregue a Carlos Eduardo e ciente de toda verdade, João da Ega pensa em revelar toda a verdade ao amigo,mas desiste ao perceber que pode desgraçar a vida do neto de Dom Afonso. O jovem acaba por esconder o cofre.

Paralelo a isso, Maria Monforte manda uma carta a Dom Afonso revelando seu desejo de conhecer o filho, já que está prestes a morrer devido a uma doença. No mesmo dia, a mãe de Maria Eduarda chega a Lisboa e vai ao encontro da filha. Na ocasião conhece Carlos Eduardo, mas não aprova a união entre os dois.

Em seguida, Maria Monforte parte para a casa de Dom Afonso, onde pede para conhecer o filho. Nesse instante, Carlos Eduardo aparece e a mãe de Maria Eduarda percebe que seus filhos tem uma relação incestuosa.Desnorteada, a eterna Negreira sai ao gritos, indo se lamentar com Tomás Alencar, em uma cena antológica.

Diante de toda a cena, Carlos Eduardo questiona a presença da mãe de Maria Eduarda e Dom Afonso revela que ela é sua mãe. O médico fica chocado e João da Ega resolve entregar o cofre entregue a ele por Mounsier Guimarães. Paralelo a isso, Tomás Alencar procura pelo médico e pede que ele visite Maria Monforte.

Em uma das cenas mais fortes da minissérie, Maria Monforte pede perdão ao filho e que ele revele a verdade a Maria Eduarda.Dom Afonso acaba encontrando o cofre dado a Carlos Eduardo e descobre toda a verdade, inclusive que a mãe de Rosa não sabe de sua origem.

Sabendo da verdade, Dom Afonso ordena que Carlos Eduardo revele toda a história a Maria Eduarda. O médico não tem coragem e os dois acabam transando. Dom Afonso vai até a casa da neta e os flagra em uma das cenas mais fortes da minissérie. O fidalgo acaba falecendo, para desespero do neto, que sente responsável pela morte do avô.

Carlos então resolve contar a Maria Eduarda que são irmãos. Além disso, o médico dá a irmã o que seria seu por direito. Desesperada,a filha de Maria Monforte decide voltar para Paris com Rosa, mas antes tem um último encontro com o irmão na estação de trem de Santo Apolônio.

Nas cenas finais, Carlos Eduardo revela a João da Ega que ainda ama a irmã e em seguida caminham pelas ruas de Lisboa a falar do rumo dado a vida dos demais personagens.

A minissérie Os Maias, além de contar com a obra homônima, incluiu as tramas de outros duas obras: A Relíquia e A Capital, ambas escritas por Eça de Queiroz, escritas em 1887 e 1925.  O autor original se fez presente na minissérie em duas ocasiões: A primeira ao ser narrada  pelo ator Raul Cortez, como se fosse ele e através do personagem João da Ega, que na vista de historiadores é considerado alter ego do escritor.

Para a realização da minissérie foi feita uma enorme pesquisa, para que toda a produção pudesse reproduzir a sociedade portuguesa do século XVIII com a máxima fidelidade. Em busca de algo que pudesse dar maior realismo a Portugal, a equipe de produção composta por 95 pessoas viajou para o país com mais 26 atores do elenco central, onde gravaram por seis semanas em diversas localidades do país. Além disso, cerca de 50 atores portugueses participaram da obra, sem falar na participação de três atores de outras nacionalidades: o italiano Fabio Fulco  e os ingleses Ruth Brennan e  Philip Croskin.

Algumas cenas foram gravadas na cidade de Sintra, em Óbidos (cena de procissão), em Alfama (com sua ruelas estreitas onde Maria Monforte se encontra com Tancredo), no Palácio Queluz (onde Maria Monforte dança sua primeira valsa em uma recepção para um príncipe), em Coimbra (onde mostrou diversas partes da cidade entre elas o Jardim Botânico, a Biblioteca da universidade e o Largo da Sé Velha), no Museu do Traje (espaço aberto), na Vila de Monção (no enterro de Pedro da Maia), na Estaçao de Trem de Vargelas (quando Carlos Eduardo parte para a faculdade) e no Vale do Douro (em cenas de plantação e colheita). Uma casa abandonada de Lisboa serviu como fachada para o famoso Ramalhete, a tradicional casa da família Maia. Já no Rio de Janeiro, o Theatro Municipal, o Museu do Açude, A Antiga Casa da Moeda, Fortaleza de Santa Cruz, Museu da Cidade e o Palácio do Catete ganharam caracterização da época e serviram de locações. Algumas cenas foram gravadas em São João Del Rey. As cenas internas foram gravadas no Estúdio Renato Aragão em Vargem Grande.

Sob os cuidados da figurinista Beth Filipeck, as roupas dos atores seguiram as descrições do livro. As atrizes usavam vestido, véu,  blusa de baixo, botina, calçola, espartilho, luvas, bolsinha, leques, crinolina (armação) e adereços de cabelo. O figurino masculino era composto por : calças, camisa, gravata, colete, sobrecasaca, capote, cartola, luvas, bengala e botas. A maioria das peças foi confeccionada pela oficina de costura da Rede Globo. Alguns adereços foram comprados em Portugal, Espanha e Londres, entre eles os lenços e robes usados por João da Ega.

Para ajudar na caracterização dos personagens, os atores receberam o auxilio da Nelly Laporte, que ensinava o gestual e a postura da época. Já a fonoaudióloga   Glórinha Beuttenmuller assessorou mostrando a dicção dos portugueses do século XVIII. Meses antes do início das filmagens, elenco e equipe participaram de palestras ministradas por: Beatriz Berrini, Campos Matos, Nicolau Sevcenko,Isabel Pires de Lima e Carlos Reis. Ambos possuíam profissões distintas, mas apaixonados e especialistas na obra de Eça de Queiroz.

Sob a responsabilidade de Hilton Castro, Sonia Machado, Vavá Castro e Magnum Barbosa, a equipe de maquiagem caprichou nos cabelos volumosos, barbas, bigodes e cavanhaques que marcavam a caracterização masculina. Para compor algumas mulheres da época, algumas atrizes mudaram a cor dos cabelos e usaram lentes de contato. A equipe contou com o trabalho da inglesa Joan Hills, que  já havia trabalhado nos filmes: Carruagem de Fogo, Os Pequeninos, O Último Adeus, entre outros.

A autora Maria Adelaide Amaral revoltou os aficionados pela obra de Eça de Queiroz ao mudar a trama. No livro quem revela que Carlos Eduardo é irmão de Maria Eduarda é Manuel Vilaça (Ewerton de Castro), mas na adaptação quem conta a verdade é Maria Monforte (Marília Pêra), que retorna disposta a rever o filho. As cenas em que ela visita o herdeiro e constata que ele é amante de sua filha, é considerada uma obra prima da TV brasileira pela junção de elenco, direção e texto espetacular.

Os Maias marcava o retorno de Luis Fernando Carvalho a TV Globo depois de 3 anos afastado da telinha. O diretor durante esse período se dedicou a realização de seu filme, Lavoura Arcaica. A minissérie foi uma parceria entre a emissora portuguesa SIC (Sociedade Independente de Comunicação) e estreou simultaneamente em Portugal e no Brasil. Cada capítulo era orçado em 200 mil reais, uma grande quantia para a época. Apesar da belíssima produção e caprichoso texto, excelente direção e elenco afiado a obra amargou em uma média de 15 pontos de audiência. Em certas ocasiões chegou a dar 9, enquanto a meta esperada era a 35 pontos.

O motivo de baixos índices de audiência talvez se dê ao fato do lento moroso e soturno usado pelo diretor, que associado ao linguajar fiel ao livro adotado pela autora Maria Adelaide Amaral e em parceria ao horário instável e tardio não tenha cativado o público.

A minissérie foi o primeiro trabalho na TV da atriz Simone Spoladore, que brilhou na composição de Maria Monforte.  Entre os destaques da obra estão a interpretação segura de Fábio Assunção, a dubiedade de Matheus Natchergale com seu Teodorico Raposo e Ana Paula Arósio por sua sofredora Maria Eduarda. Apesar de não ser um dos protagonistas, Walmor Chagas roubou a cena ao defender seu personagem, Dom Afonso da Maia.

Em 2004, a minissérie foi lançada em DVD, com a trama toda editada pelo diretor,que fez alterações no formato da série, cortando as partes referentes aos romances A Relíquia e A Capital.  Nos extras há depoimentos de atores e comentários de Maria Adelaide Amaral, além de informações sobre a obra literária, sob a ótica da especialista Beatriz Berrini. A versão teve a primeira tiragem esgotada no Dia das Mães. Os Maias por sua excelente obra acabou ganhando o II Festival Latino-Americano de Cine Vídeo de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, seguintes categorias: melhor cenografia, fotografia e direção de arte .

A trilha sonora da minissérie ficou sob a responsabilidade de André Sperling e a capa foi estampada pelo ator Fábio Assunção, interprete do protagonista. Entre as faixas estão as músicas: Fado/ Dulce Pontes; Ramalhete, Poemas D’Amor, Por TI, Tristes Dias/ André Sperling; O Pastor, As Ilhas dos Açores, Haja o que Houver , Matinal/ Madredeus;.  Prelúdio, Fado, Tema de Infância, Tema de Amor/ executadas pelo maestro John Neschling  com participação especial da Orquestra Sinfônica.

Escrita por  Maria Adelaide Amaral, com colaboração de Vincent Villari e João Emanuel Carneiro, Os Maias foi dirigida por Emílio Di Biasi, Del Rangel e Luiz Fernando Carvalho, sendo exibida entre 09/01/2001 a  24/03/2001 em um total de 42 capítulos. A minissérie ganhou uma nova representação entre março e maio de 2012 pelo Canal Viva.

Os Maias é o exemplo de que o povo brasileiro é carente de boas tramas, mas que as rejeita se não são apresentadas de maneira fácil ou popular. Uma trama bem amarrada, bem produzida não é garantia de um enorme sucesso. Os Maias ficará em nossa memória como uma obra de péssimo ibope, mas que cativou aqueles que a assistiram. Da literatura para a TV, Os Maias é a prova viva que a televisão brasileira é capaz de produzir qualquer conteúdo com qualidade  e eficiência, pena que seja tão pouco executado pelas emissoras.



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Comentários (3) Postar Comentário

Igor Martim Conceição comentou:

Uma das melhores minisséries que assistir.... perfeita!

MAURICIO comentou:

Lendária! Um show de arte competência! Pena que o povão não se interesse. Em compensação, os "bbb's" e suas vulgaridades são atrativos. Não à toa, somos um país intelectualmente de 5º mundo.

Divina Viturino de Souza comentou:

Para mim, essa foi a melhor minissérie que já teve na Globo. Muito bem produzida, os melhores atores e sem falar as belas músicas de Portugal. Na época eu não perdia nenhum capítulo, e até hoje vejo pelo YouTube... Sou apaixonada nessa minissérie na época comprei o DVD original da trilha sonora; Madredeus. E se a Globo repetir, eu assistirei.????

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