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Especial Janete Clair: SÉTIMO SENTIDO!

Em sua última novela das 8, Janete Clair apresentou uma história de amor em meio a paranormalidade e recuperação de bens.

Por: Emerson Ghaspar - Contato: [email protected]

Depois de escrever sucessos como “Véu de Noiva”, “Pecado Capital” e “O Astro”, todas para as 20 horas, Janete Clair viria a escrever “Sétimo Sentido”, sua última obra para o horário que a consagrou. A autora ainda escreveria “Eu Prometo”, sua última novela, mas para o horário das 22h, que não chegou a concluir.  

Na última novela para as 20h, concluída do inicio ao fim, Janete Clair contou a história de Luana Camará (Regina Duarte), uma marroquina que volta ao Brasil disposta a se vingar de uma família que roubou seu patrimônio. Tudo tem início na era Vargas, quando os pais de Luana são obrigados a deixar o Brasil por motivos políticos e deixam seu patrimônio sob os cuidados de Antônio Rivoredo (Carlos Kroeber). No Marrocos, Luana cresce e se torna uma tímida professora e ao perder os pais decide voltar ao Brasil para reaver seus bens.

Ao voltar para o Brasil, a jovem enfrenta a hostilidade dos Rivoredo, que não devolve seus bens. Ainda nos primeiros capítulos, Antônio morre e seu braço direito Tião Bento (Francisco Cuoco) está disposto a ficar com os bens de Luana, se tornando seu pior antagonista.

Mau caráter e charmoso, Tião Bento guarda um pé de sapato de todas as mulheres com quem se envolve. Curiosamente, o vilão tem o sonho de ser ator e tem como inspiração o ator americano Errol Flynn e vive interpretando cenas de filmes clássicos.

Interesseiro, Tião Bento quer se tornar presidente da Indústria de Gêneros Alimentícios Catarina, mas encontra a oposição de Sandra Rivoredo (Natália do Valle) que foi criada para se tornar presidente e que acaba deixando a vida pessoal de lado.

Disposta a reaver seus bens, Luana Camará acaba se envolvendo com o esportista Rudy (Carlos Alberto Ricceli), irmão de Sandra e filho de Antônio e Santinha (Eva Todor) que roubaram sua fortuna. Além disso, para ficar com Rudy, Luana terá que enfrentar Helenice (Beth Goulart), a esposa possessiva do rapaz.

Com o desenrolar da trama, Luana acaba desenvolvendo sinais de paranormalidade, como prever o futuro e captar energias sobrenaturais, além disso, desmotivada por não conseguir reaver seus bens, resolve voltar ao Marrocos.  A grande virada na trama se dá quando Luana aceita sua paranormalidade e acaba assumindo a identidade da atriz italiana Priscila Capricce, totalmente o oposto de Luana, sendo sofisticada e exuberante.

Priscila acaba se casando com Tião Bento, maior rival de Luana, em uma cena épica aonde os dois chegam a um acampamento cigano montados em cavalos brancos ao som de violinos e dançam. Em determinados momentos da trama, Priscila abandona o corpo de Luana e a protagonista resolve procurar ajuda de Célia (Jacqueline Laurence) uma parapsicóloga sensitiva que através de terapia e regressão descobre que Luana e Priscila foram irmãs gêmeas em vidas passadas: Luciana (Luana) e Maria Pia (Priscila), isso no capítulo 148. Maria havia salvado a irmã criando uma divida de gratidão a ser paga no presente. A segunda revelação a respeito de Priscila era que a mesma estava atrás da filha e que somente assim, a alma da atriz italiana iria abandonar o corpo de Luana.

Paralelo a isso, Tião Bento descobre que a verdadeira Priscila Capricce estava morta a um ano e que sua verdadeira esposa é Luana Camará. A partir disso, se torna seu maior protetor, mas Luana afirma que ama Rudy, mesmo assim Tião Bento não desiste de seu amor e acaba revelando seus sentimentos para Célia.

Luana através de um sonho descobre que a filha de Priscila está em um orfanato e parte junto com a avó materna e Tião Bento até encontrar a garota. Ao ficar cara a cara com a menina, Priscila assume o corpo de Luana e avisa que Tião é seu novo pai, enquanto Célia tenta fazer com que a atriz entenda que seu tempo na terra acabou e que deve abandonar o corpo de Luana.

Disposto a provar que Luana é a verdadeira dona dos bens do Rivoredo, Danilo (Cláudio Cavalcanti) consegue provas de que a família Camará e a verdadeira dona dos bens. No penúltimo capítulo da trama foi realizado um julgamento que mobilizou o Brasil, onde foi debatido o fenômeno da dupla personalidade. Diante do júri, Priscila assume o corpo de Luana, enquanto Célia tenta libertar a protagonista da alma da atriz italiana.

Em um gesto memorável, Tião Bento apresenta diante do júri um documento que prova o roubo dos Rivoredo, devolvendo os bens a Luana Camará, que ganha à causa na justiça.

No último capítulo o Brasil ficou na expectativa para ver com quem Luana iria ficar e a professora resolve ficar com Tião Bento. Nas última seqüências  se passam dois anos na história e Luana e Tião brincam com seu filho em um jardim.

Como de costume, Janete Clair inseriu em sua trama uma “mulher do povo” que dizia verdades e aquilo que a própria autora gostaria de dizer. Nessa novela, quem deu voz a personagem foi Gisa (Tamara Taxman), a filha caminhoneira do jardineiro dos Rivoredo.

A duplicidade como em outras novelas da autora foi o ponto chave de “Sétimo Sentido” e ação ficou centrada em Luana, Priscila, Rudi e Tião Bento, impossibilitando que outros núcleos fossem desenvolvidos.  Para desenvolver a trama de Luana/ Priscila, Janete Clair contou com a assessoria da parapsicóloga nicaragüense Telma Tablada, que gerou uma grande discussão entre profissionais da área.

Segundo espíritas e estudiosos no assunto, era impossível um espírito possuir um corpo, mas indiferente a isso, Janete Clair afirmou que havia estudado temas relacionados a parapsicologia, paranormalidade e espiritismo por anos e que antes de mais nada estava escrevendo uma obra de ficção.

A equipe de produção de “Sétimo Sentido” foi realizar algumas gravações em Casablanca, no Marrocos, mas encontrou alguns obstáculos devido a uma lei local que proibia gravações em locais públicos. A solução encontrada foi gravar em vilarejos próximos a cidade.

Além de gravarem no Marrocos, foram rodadas algumas cenas no Consulado Geral de Portugal, que nunca havia sido usado em uma gravação. Na trama, Luana  revivia um baile de máscaras no início do século.

Para o público diferenciar Luana e Priscila a equipe de figurino e caracterização utilizou objetos simples e extravagantes. Para a protagonista que era professora foram utilizadas peças simples e poucos acessórios, já a atriz italiana usava roupas como alguém que está indo para uma festa. Quando Luana se transformava em Priscila eram usados cílios grandes, batons de cores fortes e muito blush.

A novela foi uma vítima da censura, que proíbia até cenas de beijo entre os personagens principais. A autora chegou a ir aos jornais reclamar da atitude censora que deixava a trama “sem pé, sem cabeça”. Eram proíbidos beijos entre Luana e Rudy porque ele era casado na trama.

A autora resolveu homenagear o marido Dias Gomes ao fazer com que Priscila Capricce montasse a peça teatral “O Santo Inquérito”. Regina Duarte já havia participado dessa mesma peça anos antes, em 1978.

A novela começou morna com índices satisfatórios e só chamou atenção do público quando Luana retorna com o nome de Priscila Capricce, a partir disso a novela se tornou um sucesso. A trilha sonora de “Sétimo Sentido” foram composta por dois álbuns, um com musicas nacionais e outro com temas internacionais.

Entre as musicas que embalaram a novela estão as músicas: “Esotérico”/ Gilberto Gil, “As Vitrines”/ Chico Buarque, que era tema de abertura, “Atlântida”/ Rita Lee e “Atiraste uma pedra”/ Maria Bethânia. Já a trilha internacional tinha os sucessos: “Anyone out there”/ Duran Duran, “Empty Garden”/ Elton John,  “How Long”/ Rod Stweart, “Chariots of fire”/ Spits e “Walk away” de Udo Jurgens.

Com 40 capítulos para o término da trama, Janete Clair descobriu-se doente e teve que se submeter a uma cirurgia. Para não criar alarde na imprensa, a Rede Globo escalou o autor Silvio de Abreu para ajudá-la. Ela o orientava e revisava os textos escritos por ele, isso até o fim da trama.

Exibida entre 29 de março e 09 de outubro de 1982, em 166 capítulos dirigidos por Roberto Talma, Jorge Fernando e Guel Arraes, a novela terminou com o seguinte texto: “Eu gostaria que o ser humano acreditasse que existe uma força capaz de mudar sua vida. É bom confiar em si mesmo e esperar um novo amanhecer”

Façam suas apostas: Qual será o próximo trabalho a ser lembrado no Báu da TV: “Irmãos Coragem” ou “Pai Herói”?

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Comentários (10) Postar Comentário

diego comentou:

NO-VE-LÃO,uma novela q vale a pena ver de novo mas só a globo acha q nao,pq isso era antes da tecnologia,uma historia sem celular,sem computador e bla bla bla,por favor néh,agora espero q o VIVA passe ela,quero muito ver essa obra!!!

Jullio di Avlis comentou:

Tanto faz, qualquer trabalho de Janete é digno de ser lembrado. A Mestra é eterna...
Só desejo não esperar uma eternidade pela atualização como aconteceu com essa...

Prof. Bruno Matos comentou:

Sem dúvida, é uma boa sugestão de reprise para a faixa das antigas do canal Viva, que ainda está devendo uma reprise de uma obra original de Janete Clair. E vale lembrar que é mais recente que Água Viva, que é de 1980.

Raphael TRavassos comentou:

Janete também não escreveu "Coração Alado" que substituiu "Água Viva" em 80?

Raimundo Nonato comentou:

Janete merece ser homenageada. Em suas novelas o bem sempre venceu o mal. Tomara que o VIVA reprise.

Braulio Fernando comentou:

Maravilhosa novela amei

Ciel Ciel comentou:

Eu gostei muito da novela Sétimo Sentido, essa novela poderia ser reprisada no canal Viva, pois, Pai herói foi muito ruim.

Regina Débora comentou:

Ótima novela, aborda um tema super interessante, espero poder vê-la algum dia no Viva!

André Araújo comentou:

Comecei a ver novelas em 1979, e a primeira foi "PAI HERÓI". Daí então me tornei fã, e ainda vi "DUAS VIDAS", "O ASTRO" e "PECADO CAPITAL", que a mesma Rede Globo reprisou às 22h, entre 1980 e 1982. E "Sétimo Sentido" foi especial para mim, embora eu tenha perdido o cap 1, já que estava chovendo muito naquela noite. Como havia muito raio, meu pai não deixou a gente ligar a tv. "Sétimo Sentido" fez um grande sucesso no Brasil e também na minha cidade, Teresina- PI.
Gostaria de ler aqui sobre "O SEMIDEUS", que adoraria um remake no horário das 23h, que começou com "O ASTRO" em 2011 e esse horário seria TOTALMENTE dedicado à releituras de obras famosas. Pena que de 2015 para cá isso não tem acontecido. "ONDE NASCEM OS FORTES" não diz nada. Se perdermos uma semana e voltarmos a acompanhar, está tudo na mesma! Sem contar o excesso de maldades!!!! Ainda bem que o público tem virado as costas.

ANTONIETA JUSTINO COELHO comentou:

pai heroi, seria uma boa opção. Irmãos coragem tinha a Lara que apresentava uma identidade dupla.

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