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A louca e encantadora "Presença de Anita"

Manoel Carlos apresentou uma trama envolvente de sensualidade, obsessão e morte.

Por: Emerson Ghaspar - Contato: [email protected]

Há 12 anos, no dia 31 de agosto de 2001, o público se despedia da trágica e emocionante história de “Presença de Anita”, uma trama repleta de sensualidade e obsessão, envolvendo a protagonista, um homem mais velho e um rapaz virgem.

A obra é uma livre adaptação do romance de Mario Donato, escrito em 1948 e que havia causado um escândalo quando lançado pois a igreja o considerava imoral, mas que havia rendido outras duas produções: um filme  de Ruggero Jaccobi e a novela “A outra face de Anita”, escrita em 1964 por Ivani Ribeiro para a TV Excelsior.

Nessa nova adaptação, o autor Manoel Carlos apresentou um texto charmoso para contar a saga da Anita (Mel Lisboa) e seu trágico final. A trama se inicia em São Paulo, com Nando (José Mayer) e sua esposa Lúcia Helena (Helena Ranaldi) vivendo uma crise conjugal. Enquanto ela é totalmente insegura e vê seu casamento fracassar, Nando aspira em escrever o romance que sempre desejou.

O casal aproveita as festas de final de ano para viajar para a cidade fictícia de Florença, onde a família dela mora e tentar reorganizar a vida. Enquanto Lúcia Helena tenta conviver com a filha do primeiro casamento de Nando, a jovem Luíza (Julia Almeida), Nando acaba se envolvendo com Anita, uma jovem tentadora. Anita consegue ser singela, parece ingênua, porem é provocante, bonita e sensual.

A relação de Anita com Nando cresce, se tornando obsessiva, onde cada um tenta ser mais dominador que o outro. Já Lúcia Helena se depara com uma família totalmente hipócrita e amoral. O pai Venâncio (Linneu Dias) é um falso moralista, preconceituoso que não vê com bons olhos a relação de Lúcia Helena e Nando. Marta (Vera Holtz), irmã mais velha de Lúcia Helena, é uma viúva amarga e tão preconceituosa quanto o pai que tem tesão  por negros mas finge menosprezá-los.

Disposta reconquistar o marido, Lúcia Helena aceita todas as idéias do marido e o apóia a escrever seu livro, mas Nando está cada vez mais envolvido por Anita, que para ele é um grande mistério, mas que é sua musa inspiradora. Pouco se sabe a respeito de  Anita, a não ser que teve um caso com um pintor, Armando (Paulo César Pereio) quando tinha 12 anos e que foi morar com ele ao ser expulsa de casa pela mãe, Cecília (Clarisse Abujamra), inconformada com sua atitude liberal.

O mistério a respeito de Anita fascina a cada dia mais Nando. A jovem o leva a ter dúvidas sobre o que Anita diz, já que ela garante que eles irão morrer juntos como o antigo casal que morava na casa dela. O casal em questão é Cíntia, que foi morta pelo amante Luciano, que em seguida se suicidou. Anita acredita que os atos deles foi uma prova de amor e que a alma da antiga moradora está presa dentro de uma peça de porcelana, uma espanhola chamada Conchita.

Anita também acaba despertando o interesse de Zezinho (Leonardo Miggiorin), que trabalha em uma mercearia em frente a sua casa. Quando percebe o interesse de Zezinho, Anita o seduz e acaba tirando a virgindade do rapaz.

A relação entre Zezinho e Anita não é bem vista por Nando que percebe o interesse do rapaz e Anita resolve infernizar a vida de Nando, para que ele se separe da esposa, mas Nando se recusa. Maliciosa, Anita se torna amiga de Luíza e de Lúcia Helena, para desespero de Nando.

Paralelo a isso, Lúcia Helena ouve uma conversa entre o marido e sua amante e Marta resolve ir atrás para descobrir a verdade e contar a irmã. Lúcia Helena ao descobrir a verdade fica arrasada e pede o divórcio.

Como Nando reluta em se divorciar, Anita revela que está grávida e durante uma discussão, Nando acaba esfaqueando Anita que morre. Zezinho que assiste a cena, acaba brigando com Nando e todos acreditam que ele é o assassino. No meio da  confusão, Zezinho foge, é atropelado e morre.

A partir de então Nando acredita que está enlouquecendo ao ver Anita em todo canto e encontra a mãe de Anita que confirma a gravidez de Anita e que a jovem vivia intensamente. Na noite de natal, Anita aparece para Nando prometendo o amar pela última vez, enquanto uma vela provoca um incêndio, mas Nando não consegue fugir. Enquanto a casa queima podemos ouvir a voz de Anita pedindo: “Não me deixe, não me deixe, não me deixe...”

Além da trama de Anita, a minissérie apresentou a história de Marta, uma viúva amarga  que esconde um desejo por André (Taiguara Nazareth), um negro de sua fazenda. Quando Marta descobre que André tem um caso com outra emprega, Neusa (Joana Tristão) começa a perseguir o casal, fazendo de tudo para separá-los.  Cansados, eles decidem ir embora, na última noite na fazenda, Marta acaba se rendendo e transa com o rapaz.

Manoel Carlos apresentou a trama a Globo nos anos 90, mas somente em 2001 foi liberada para se tornar minissérie. Ao escrever a trama, Maneco  decidiu com o diretor Ricardo Waddington que a protagonista deveria ser alguém desconhecida do grande público. Em testes, Mel Lisboa acabou desbancando mais de 100 candidatas.

Para melhor caracterizar a trama, que se passa em uma cidade do interior, a produção da novela, gravou cenas na cidade de Vassouras e Valença, ambas na cidade de Rio de Janeiro. Foram inseridos pipoqueiros, sorveteiros, todos reais, para dar o ar de interior à trama.

Um dos objetos de cena, Conchita, uma boneca espanhola de aproximadamente 20 cm, era feita em gesso e foi criação da área de artesanato da Rede Globo. A boneca, segundo Anita, abrigava uma alma.

Com a produção caracterizando da melhor forma o local, Manoel Carlos resolveu inserir cenas onde os protagonistas fumavam, com isso o autor queria mostrar a obsessão entre o casal e o quanto eles se destruíam, mas a ação não foi bem vista e o  Instituto Nacional do Câncer criticou as cenas, alegando ser desnecessárias.

O figurino da minissérie ficou a cargo de Helena Gastal, que criou peças românticas para Lúcia Helena e roupas que mesclavam entre o sensual e o ingênuo para Anita. Na época,, ela disse ter encontrado o “kit Anita” no Saara, centro popular de compras no Rio de Janeiro.  O kit era composto por uma calcinha, uma camiseta e uma gargantilha com pingente de cristal, iguais ao da personagem.

Já a trilha sonora da minissérie era composta de músicas francesas, escolhidas pelo autor. Uma das preocupações era a transformações da música, deveria ser acústicas e quando Anita entrasse em cena se tornasse batidas eletrônicas. As músicas “Pigalle” de Georges Ulmer e “Ne me quitte pás” na voz da cantora Maysa, se tornaram marca da minissérie. A última inclusive era tema de abertura, onde Anita brincava com os bonequinhos que representavam os personagens.

O sucesso da minissérie foi tão grande que a Rede Globo até pensou em esticar a obra, mas não houve tempo. No mesmo ano, foi lançado um livro com o roteiro da minissérie, igual os atores recebiam, mas sem dados técnicos. Em 2012, “Presença de Anita foi reapresentada e em uma cena do capítulo 4, uma nova cena de nu frontal de Anita foi apresentada, talvez em virtude de ser um horário mais tarde, onde foi possível a liberação.

A minissérie já foi exibida pelo canal pago Multishow em 2005 e pelo canal Viva em 2012. Em 2012, “Presença de Anita foi lançada em DVD, com 3 discos.

E para você, qual lembrança tem da minissérie?

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Comentários (11) Postar Comentário

Rafael Rocha comentou:

Clássica, a mais envolvente de todas minisséries que eu já vi. Lógico que a trama é ótima, mas o que eu gostava mais era a verdade dos personagens. Acho que seria impossível reproduzir a Anita do mesmo jeito com outra atriz, ou mesmo que fosse com a Mel Lisboa em outra época. Ela era a atriz certa no momento certo. As características dela eram únicas. Claro, uma ninfeta como muitas outras, mas aquele rosto que não era exatamente o mais bonito, mas mais atraente do que qualquer coisa, com o tal kit Anita, somados ao jeito provocante, louco, psicopata e encantador dela era todo um conjunto de coisas que fez ela ser única.
Os outros personagens também conquistavam muito. O próprio Fernando, por ser um grande de um fracassado e covarde, acabava atraindo a atenção, já que esperávamos ver alguma coisa boa no personagem. Mas não tinha não, era um protagonista que só tinha defeitos. Ao contrário da Lúcia Helena, que começava sendo uma personagem detestável, com aquele jeito fraco, mas que depois mostrava ser melhor do que todos aquele bando de mau caráter.
A trilha sonora também era muito marcante. Gosto muito das duas que foram citadas no texto, mas acho que a principal pra mim é o prelúdio de La Traviata, do Verdi. A música é triste, tem suas passagens mais "dançantes", mas o tempo todo soa meio "louca". Não consigo ouvir sem pensar naquele olhar de maluca que a Anita fazia.
Rafael Rocha

Lhinicky lima comentou:

Um verdadeiro diamante das telinhas, a minissérie envolvente e sedutora deixa todos de cabelos em pé, adorei, Manoel Carlos ta mais que de parabéns,,, espero ver #Presença_de_Anita em DVD....

Mata Hari comentou:

Foi uma obra fantástica

Helenilce Alves comentou:

Poxa depois de tantos anos ainda tenho saudades,por isso agora assisti novamente e mais uma fez fiquei emocionada com todos os detalhes da trama...Espetacular!!!!!!

caio comentou:

a minissérie envolvia um clima tenso envolvente dramático e espiritual

JTBrasil comentou:

Assisti e gostei.
Anita era misteriosa e ao mesmo tempo encantadora. O tipo "mulher tentação".

JTBrasil comentou:

Além também de possuir uma trilha sonora marcante, como " Ne me quite pas"' de Maisa.

Rachel comentou:

Eu vejo muito de LOLITA em PRESENÇA DE ANITA.

???? comentou:

Quando passou na tv eu tinha 16 anos, agora estou tendo a oportunidade de assistir em pleno 2020. Hoje vejo o quanto a tv está mudada, esse tipo de conteúdo mais explícito não teria mais lugar no "politicamente correto" dos dias atuais... Excelente minissérie.

Lívia comentou:

Anita era minha crush

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