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Superstar 2x14 - Top 4 (Final)

A final que a temporada merecia. Ou quase!

Por: Daniel Melo - Contato: [email protected]

Foto: Divulgação/Globo

Sim, pessoal. Mais uma vez eu acertei nas minhas previsões e Scalene perdeu a temporada para Lucas e Orelha depois da dupla ter feito 3 de suas piores performances. Claro, que eu entendo que para aqueles fãs fanáticos (e cegos), as performances pouco importariam para as votações (algo muito parecido com o que acontece semanalmente no reality irmão, o TVB). Nessa ponto da competição, as torcidas já estão muito bem definidas e nada do que acontecesse essa noite realmente mudaria o quadro geral que se desenhou ao longo das últimas semanas. Dito isso, vou destacar apenas dois pontos antes de partirmos para as apresentações: a virada dada por Versalle e a superioridade de Scalene nessa noite.

Nunca vou me cansar de dizer que é incrivelmente bom quando me provam errado aqui. E foi exatamente o que aconteceu com Versalle. Eu, que ainda não tinha simpatizado muito com o grupo, simplesmente me senti obrigado a não reservar um parágrafo aqui só para falar deles. Porque eles podem até não ter feito chover no palco (pelo menos não literalmente), mas eles provaram que possuíam cacife para essa final fazendo a melhor performance dessa final e uma das melhores da temporada. E repito, só porque não torço por alguém, não quer dizer que não sei reconhecer as qualidades desse grupo.

Bem, além do fenômeno Versalle, tivemos também o fenômeno Scalene, que juntos conseguiram fazer dessa final, uma EXCELENTE final, que conseguiu recuperar parte da glória perdida desde o Top 12. Mas focando especificamente em Scalene, achei incrível como o grupo conseguiu escolher muitíssimo bem suas 3 músicas para essa final e fazer 3 de suas melhores performances. E vamos a elas: 

Round 1

4) Lucas e Orelha - Dependente (57%)

Começaram mostrando justamente o ponto vocal mais fraco deles: os graves. Na medida que a música prosseguia foi nítido ver quão fracos os vocais deles estavam naquela música, que comparada com outras que eles trouxeram ao longo da temporada, foi bem ruim. Além disso, vimos, (ou melhor, não vimos) que boa parte da música foi cantada apenas por um dos dois, o que enfraquece bastante a ideia de dupla, talvez justamente pelas harmonias bem sem graça que eles possuem. Eles já fizeram melodias melhores, em questão de musicalidade, letra e tudo mais, e o mais importante: Não vi o carisma algum nessa performance, que até teve uma  presença de palco bacana e na medida, mas como um todo me decepcionei quando o Brasil votou neles e fez a tela subir.

3) Dois Africanos- Todos Humanos (54%)

Grande parte dos problemas deles é que eles expõem letras com temáticas muito interessantes e até mesmo fortes, em alguns momentos, mas a abordagem musical que eles trazem para a música por vezes os faz perder a força. Dessa vez, “Todos Humanos” tinha potencial para ser a nova “We Are The World” contra o racismo, mas achei a melodia e a letra (e por letra aqui, não me refiro à mensagem passada) comum demais. No aspecto técnico, eles melhoraram a dicção (não demais, mas o suficiente). E além da desafinada nada discreta do Iggy, foram vocalmente perfeitos. O mais importante é que se despediram da temporada decentemente e deixaram muitos fãs por todo o país.

2) Scalene - Nunca Apague a Luz (60%)

Quando vi que fariam uma performance suave, me preocupei, porque cuidado com a afinação em músicas suaves, nunca foi dos maiores atributos do grupo, mas foi tudo bem controlado, tudo muito sentido, muito emocional. Simplesmente fui forçado a parar de analisar a performance deles e fui apenas sugado por toda a história por trás da música. Pude fechar os olhos e apenas me perder em meus pensamentos enquanto eles cantavam.  Já tínhamos tido um vislumbre desse lado deles com “Amanhecer”, mas hoje a execução foi bem melhor, e até mais do que isso, sinto que foi uma das melhores apresentações deles, e se tratando de um grupo como Scalene, isso significa muito.

1) Versalle - Marte (56%)

Quando semana passada eu disse que Versalle era a única banda que ainda não tinha tido um grande momento na competição, muitos estavam contra mim, e disseram que “Vinte Graus” foi o grande momento deles na competição. E eis aqui o motivo o porque de eu acha porque eles apenas acordaram para o programa nessa final. Não apenas Marte foi a melhor performance dessa final, como estou tendo demais a elegê-la uma das melhores da temporada. Incrível como tudo nessa performance deu certo. Desde as quebras na melodia antes do refrão, que combinavam com a parte mais suave da voz do vocalista, como também os desafios vocais em que o próprio grupo se colocou aqui. Ao longo da temporada, muitos elogios foram tecidos ao grave do vocalista, mas foi a primeira vez que pudemos ver o uso do registro alto pelo grupo. E em minha humilde opinião, foi um risco que valeu muito a pena e não poderia ter vindo em melhor hora.

Round 2

3) Lucas e Orelha - Por que? (59%)

Não sei o que aconteceu com Lucas e Orelha nessa final. Até que nesse round, eles vieram com o aspecto comercial bem mais aflorado, mas ao mesmo tempo foi tudo confortável demais, parecia tudo simples demais e mais uma vez, sem força. Quase sem graça até, coisa que não acontecia há um bom tempo por parte deles.  A mudança de tom meio brusca demais e o que seria uma maneira de marcar dois momentos na música, acabou apenas marcando (mais uma vez) as fragilidades vocais (e artísticas) deles. 

2) Versalle - Tão Simples (53%)

“Tão Simples” não conseguiu ser tão boa quanto “Marte”, mas conseguiu ser a segunda melhor apresentação do grupo na temporada. O que vimos aqui foi um meio termo entre aquela Versalle de outrora e a de hoje. Vimos um pouco mais desse registro mais alto deles que tanto me impressionou no primeiro round, e além disso, pudemos perceber que até certo ponto e através de algumas metáforas, a música era uma boa metáfora de toda a trajetória do grupo na temporada. Aquele grito no final foi bem over, mas interessante, se encarado como uma metáfora também. Muito bom!

1) Scalene - Legado (59%)

Senti uma vibe meio One Republic aqui. Tudo simplesmente se encaixou aqui, desde o começo quase acapella, que foi incrível, até a mudança de ritmo (É ASSIM QUE SE FAZ, LUCAS E ORELHA), que fez a apresentação ficar ainda melhor. Vocalmente perfeita, envolvente e o mais importante, bom gosto no que diz respeito aos gritos que um dia já foram tão exagerados. “Legado” fez o que eu julgava ser impossível e superou (e muito) “Não Apague a Luz”, justamente por ser suave e agressiva ao mesmo tempo e conseguir nos fazer prestar atenção na letra lindíssima que possui. 

Round 3

Foto: Divulgação/Globo

2) Lucas e Orelha - Menina Nerd (64%)

Justamente na noite da final, Lucas e Orelha fizeram 3 performances nas quais apenas mostraram o quão despreparados eles estão. Antes mesmo de eles terem batido a marca final, já podíamos ter visto os mesmos vocais fracos, a mesma melodia sem graça e nada daquilo que temos visto na última semana. Eles já fizeram muito melhor, mas o Brasil claramente pensa muito diferente de mim. Paciência...

1) Scalene - A Luz e a Sombra (55%)

O grupo resolveu escolher suas melhores músicas para apresentar nessa final. E mais uma vez, pela terceira vez seguida na mesma noite, fizeram uma performance absolutamente arrebatadoramente envolvente. Como última apresentação deles na temporada, pudemos ver que ela cumpre o papel justamente de resumir toda a musicalidade e expor a bagagem performática que o grupo possui. Talvez ao longo da temporada tenha sido a performance mais bem executada e redondinha deles, sem nenhum erro (sim, aquilo não foi erro no começo, pelo menos não deles). Tudo que essa performance fez foi reiterar aquilo que todos já sabiam: o quão profissionais eles são.

Bem, acabou! Lucas e Orelha ganharam sim, e vou dizer a mesma coisa que tenho dito desde o momento em que eles ganharam: Um vencedor ruim não significa que uma temporada tenha sido ruim (e o contrário também é correto). Continuo não achando que a dupla tem cacife para vencer essa temporada na base do mérito, mas não desmereço os dois, que talvez venham a ter uma carreira boa. Mas ainda assim, temos Scalene como o campeão moral da temporada e Versalle como a grande surpresa da noite. Agora vamos àquele balanço geral da temporada:

Desce

- Votação

O modelo de votação do Superstar é interessantíssimo e até certo ponto, coerente. No entanto, existe um motivo para a votação só ser tradicionalmente aberta ao público por volta de um Top 12. É necessário que os candidatos passem por filtros técnicos. Embora muitos pensem que “é o público que deve decidir quem avança e quem é eliminado do programa”, o fator comercial anda lá em cima no programa e por vezes acaba por vezes sendo sobreposto ao talento. Por isso, sou a favor dos modelos tradicionais. Não bastando o público participar das votações do começo ao fim do programa, ainda temos mais um diferencial no Superstar. Não apenas se vota no candidato que você quer, mas você também pode votar “não” para um candidato que você não goste ou esteja impedindo seu favorito de ganhar, o que facilita bastante um boicote (que pode ou não ter acontecido nessa final). Há ajustes a serem feitos (em minha opinião) no sistema de votação do programa, e sim, eu entendo que faz parte da identidade do programa, mas eu prefiro justiça musical do que singularidade no sistema de votação do programa.

- Vencedores

Ok, sem brincadeiras, sem trocadilhos e sem desrespeitos. Lucas e Orelha não eram meus favoritos para o título. Nunca foram e nem nunca vão ser. Assumo que tenho uma grande fixação pelo aspecto vocal de uma apresentação e esse é sempre o primeiro aspecto pelo qual busco fazer uma avaliação, mas a verdade é que tanto vocalmente quanto artisticamente, existiam pelo menos meia dúzia de grupos mais bem preparados para se lançarem em uma carreira musical que os meninos, que se ganharem da Globo o mesmo destaque que Malta ganhou certamente terão sucesso (pelo menos por esse ano). E assim, esclareço que Lucas e Orelha não eram MEUS favoritos e pelos MEUS critérios de avaliação, eles não mereciam ganhar. Mas ainda assim, como já disse, vencedores ruins não invalidam uma temporada inteira, como podem ver abaixo.

- Falta de utilidade do padrinho

Se alguma coisa me deixava encucado, e ainda deixa, é a imensa falta de utilidade que o termo “padrinho” leva no Superstar. Ficou muito claro, logo na primeira semana que os jurados não tinham encontros com seus padrinhos, que não participavam dos ensaios do grupo, de maneira semelhante à dos realities estrangeiros. Por isso, eu acredito que deveríamos acabar com essa história de padrinho para o ano que vem, já que tudo o que esse título fez foi dividir as 24 bandas em 3 grupos de 8.

Sobe

- Qualidade

Desde o comecinho da temporada, estivemos certos de que estávamos diante de um GRUPO muito mais sólido que o do ano passado. Um grupo que misturava diferentes estilos, vozes e até mesmo identidades culturais. Tudo isso convergiu para a construção de uma excelente temporada, que embora tenha tido umas semanas fracas (seguidas), ainda conseguiu ser superior à temporada passada. 

- Jurados

Ao mesmo tempo em que percebemos a qualidade musical dos artistas da temporada, percebemos que estávamos diante de uma bancada competentíssima e que de fato estava ciente do seu papel não apenas de julgar, mas buscar ao mesmo tempo guiar os grupos e oferecer críticas construtivas para o seu maior desenvolvimento musical. Apesar de Paulo Ricardo ter estado nem aí para a temporada depois das audições, seu desempenho como jurado nas audições foi incrível e ainda melhor que o de Sandy, que foi sem dúvidas, o grande destaque dessa bancada. Claro, ainda tivemos Thiaguinho, que pode não ter feito muito ao longo da temporada, mas que de vez em quando tinha seus momentos.

- Organização

Não é segredo para ninguém que o Superstar dá uma surra no seu irmão de emissora, o The Voice Brasil. A padronização de apenas 5 bandas passando por episódio nas audições; a criação e toda o processo de seleção composto pelo Superpasse e o Superfiltro, apenas reafirma o cuidado da produção para com o programa e de certa forma, nos faz sentir respeitados pelo programa. E por isso, essa equipe tem o meu total respeito essa temporada

- Justiça

Posso até ser considerado por muitos como bipolar por estar dizendo nesse momento que foi uma temporada justa, mas na verdade foi. Claro, que tivemos injustiças aqui como Kita e (essa vai ser só pra vocês) Supercombo eliminadas no Top 12, ou ainda Facção Caipira que nem das audições passou, ou ainda Devir com as maiores votações da temporada com as piores performances da temporada, Os Gonzagas indo bem longe (antes de merecerem avançar), Dois Africanos chegando na final com performances que beiravam o ruim, Kita fora da final, Scalene em segundo lugar, enfim, muitas. Mas no geral, nenhuma dessas injustiças nos deixou com um grupo de artistas que não fosse ótimo ou ao menos muito bom. O resultado pode não ter sido o meu ideal (como não foi ano passado) mas ainda assim, dentro de um aspecto puramente comercial, e eu já tinha dito isso antes, é impossível criticar a vitória de Lucas e Orelha e por isso, meus parabéns aos meninos. Que eles sigam meu conselho e busquem amadurecer seu trabalho por um tempo.

Parabéns Lucas e Orelha e Thiaguinho (o padrinho que algum crédito deve ter tido nessa vitória da dupla) pela vitória. Parabéns Superstar por ter feito uma temporada tão cheia de qualidades. E parabéns a vocês leitores do Planeta Reality que chegaram ao final desse post gigante. Vocês são demais. Vida longa ao Superstar e vejo vocês aqui em outubro com a 4ª temporada do The Voice Brasil.



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Comentários (2) Postar Comentário

Alex comentou:

Voce vai fazer alguma lista das melhores apresentações da temporada?


Daniel Melo respondeu:

Sim, Alex! Até sexta-feira já está aqui.


alex comentou:

Adiou a lista?

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