
Há 15 anos, a novela “Sonho Meu” estreava na Globo. Talvez pelo nome você não se lembre, mas foi sucesso às 18 horas. Quer uma dica? A música de abertura (“Sonho meu, sonho meu, tudo pode acontecer, é só acreditar na vida, acreditar na sorte e tudo pode ser”) era cantada por Xuxa e José Augusto.
A história fugiu do cenário tradicional (Rio e São Paulo) e foi ambientada em Curitiba (PR), rendendo boas imagens. Xuxa e José Augusto participaram do último capítulo, cantando o tema de abertura, Querer É Poder, em um show na Ópera de Arame.
A idéia para a trama, escrita por Marcílio Moraes (de Vidas Opostas, da Record) com supervisão de Lauro Cesar Muniz, veio de duas histórias do autor Teixeira Filho: A Pequena Órfã (exibida pela Excelsior, em 1968), e Ídolo de Pano (na Tupi, em 1974).

Apesar de ter participado da primeira fase de Renascer (1993), o casal protagonista de Sonho Meu, Patrícia França e Leonardo Vieira, estava “cru” na época, comparado ao talento que exibe atualmente. Mas isso não comprometeu seus personagens.
Na história, Cláudia (Patrícia França) fica sem a filha Maria Carolina (Carolina Pavanelli) ao fugir do marido, Geraldo (José de Abreu). A tia coloca a menina em um orfanato, mas ela foge e se esconde na casa do Tio Zé (Elias Gleiser), que passa a chamá-la de Laleska.
Cláudia se casa com Lucas (Leonardo Vieira), mas é acusada de bigamia, e enfrenta as maldades do irmão dele, Jorge (Fábio Assunção), que depois é assassinado. A personagem passou boa parte da trama grávida, e quase tudo o que acontecia colocava essa gravidez em risco - fazendo às vezes o telespectador se perguntar se não havia outro recurso para movimentar o núcleo.
A média geral dos 197 capítulos foi de 44 pontos, com picos de 60 – as últimas novelas das 18 horas mal chegam a 25 pontos. Sonho Meu teve um elenco de peso: Beatriz Segall, Yoná Magalhães, Nívea Maria, Isabela Garcia, Mauro Mendonça... Mas a grande estrela foi Carolina Pavanelli, além de Elias Gleiser, como o carismático Tio Zé – um dos personagens marcantes do ator junto ao público infantil, que mais tarde interpretou o Canequinha, de Anjo de Mim (1997) e o Pepe de Era uma Vez (1998).

A menina participava até da abertura - coisa rara na Globo na época - fazendo desenhos que saíam do papel. A pureza do tema de abertura e a participação de outras crianças na história, como Eduardo Caldas (revelado dois anos antes, em Felicidade) e Luiza Curvo (em sua primeira novela) atraiam ainda mais os baixinhos para o horário, que por tabela tinham a chance de ouvir sua Rainha – então sem programa após o fim do Xou da Xuxa, no último dia de 1992.
Carolina foi a sensação da época conquistando, além das crianças, as avós e donas de casa que formavam o público das 18 horas. Participou de Os Trapalhões, Criança Esperança, especiais de fim de ano de Xuxa e vários episódios de Você Decide. Fez parte do elenco das novelas Quem É Você (1996) e Meu Bem Querer (1998), além da temporada 1997 de Malhação. Sumiu da TV e atualmente, aos 21 anos, estuda cinema no Rio de Janeiro.
A chance de a novela voltar ao ar no Vale a Pena Ver de Novo é mínima. Além dos 15 anos que já se passaram, o autor e o casal protagonista estão na Record. Mas é uma trama leve que teria tudo a ver passar à tarde. E uma chance de ver as belas locações de Curitiba novamente, já que nenhuma outra novela foi ambientada lá desde então.
Comentários (1) Postar Comentário
Em agosto de 1993 participei como figurante dos primeiros capítulos da novela SONHO MEU (que foram gravados no teatro Ópera de Arame).Compareceram um total de 3 mil figurantes, sob orientação do diretor Reinaldo Bouri.Simplesmente inesquecível.