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Superstar 2x01: Audições, Parte 1

Uma estreia bem acima da média.

Por: Daniel Melo - Contato: [email protected]

Trio de jurados faz musical inédito com medley (Foto: Isabella Pinheiro/GShow)

E aí, queridos planetários! Aqui é o seu querido (ou não) Daniel Melo e estamos de volta com a programação para essa cobertura do Superstar!

Quando o formato do programa chegou ao Brasil, ano passado, lembro que pensei que era apenas um The Voice para bandas, mas ainda assim, decidi dar uma chance ao até então inovador formato, até porque desde o nosso saudoso LS Jack (pausa para cantar Carla, Uma Carta, Sem Radar, Amanhã Não se Sabe e outras), o Brasil tem estado muitíssimo carente de bandas de qualidade (de qualquer estilo, aliás!). Lembro que a futura campeã da temporada, Malta se apresentou naquela estreia e já chamou minha atenção, sendo o grande destaque do dia, com o seu estilo rock romântico, que além de bem feito era comercial até dizer chega.

Bem, passado 1 ano, vemos que o Superstar realmente revelou uma banda de sucesso. Ainda não sendo um sucesso imenso, acredito que não exista um brasileiro que não tenha ouvido “Diz Pra Mim” ou “Memórias”, o que prova que, haters a parte, Superstar conseguiu emplacar um grupo nas paradas musicais brasileiras (coisa que o seu colega de emissora, The Voice Brasil ainda não conseguiu), e querem saber o porquê? Porque no The Voice, assim como na versão americana, o foco são os técnicos e não os candidatos e aqui, percebemos uma maior impessoalidade do jurado, que de fato, atua mais como jurado do que como técnico.

Vemos que todos aqueles problemas que ocorreram na estreia do ano passado (e é maravilhoso ver o cuidado da produção para corrigir esses problemas, vale dizer), sejam eles, o uso do aplicativo, a eliminação de grupos bons, falta de critérios dos jurados (beijos Ivete, Dinho e Fábio), entre outros, podemos ver que esse ano o programa conseguiu reverter todos. E até mesmo criou uma repescagem, ideia que eu achei simplesmente FANTÁSTICA, por já ir corrigindo as cagadas do público desde o começo da temporada. Isso é um reality musical de qualidade que respeita os seus candidatos e preza a qualidade musical acima de tudo!

E é esse respeito com o que realmente importa (a música) que culminou nessa estreia maravilhosa da segunda temporada do programa. Temos aqui, jurados que estão cientes da sua função e sabem exatamente o que dizer e como dizer sem parecer rude, mas ao mesmo tempo sem deixar de expressar suas críticas (que nós merecemos ouvir, como público) quando necessário. Temos apresentadores extremamente carismáticos e a vontade tanto com o público como com os técnicos e os próprios candidatos (Fernanda Lima e André Marques estão perfeitamente em sintonia ali). E, por último, mas não menos importante, tivemos excelentes grupos se apresentando aqui.

E vou abrir um parêntese e também chamar atenção para o fato do excesso de bandas de rock. Será que essa galera não entende que grupos musicais em geral são aceitos no programa? Cadê o novo Rouge? Ou uma versão decente de Fresno? O pop brasileiro é tão cheio de possibilidades que chega a ser surpreendente a falta de investimento por parte dos artistas. Claro, que o pop internacional domina esse cenário aqui e as Anittas da vida fazem mais sucesso do que deveriam, mas ainda assim, é um fato a se questionar. E fazendo referência ao comentário mais intrigante da noite, vindo do Paulo Ricardo, digo: Acredito que seja um bom momento para o mercado do pop.

Bem, vamos aos nossos que estão ranqueados da pior para a melhor apresentação (na minha humilde opinião, as always)

8) Stellabella – O que quiser ser (autoral) – 36% (Paulo Ricardo votou ‘sim’)

Quando bati o olho no grupo, eu tinha a impressão de que iria render coisa boa, principalmente por em termos de estilo não ser o que todos nós estamos acostumados a ouvir. Mas a verdade é que dentro do que o grupo se propôs a fazer, foi uma apresentação fraca. Os vocais foram limpos, mas sem personalidade, fazendo com que a voz do cara ficasse naquela região de conforto onde a única coisa que nos é transmitida é preguiça. E isso sem falar, que com todo respeito ao trabalho deles, a música é tão meio qualquer coisa que nem dava pra torcer de verdade para eles. Fiquei simplesmente surpreso com Tiaguinho votando ‘não’ assim, logo de cara, na primeira apresentação (o primeiro sinal de personalidade dessa nova bancada, vale dizer) e fiquei duplamente surpreso ao perceber que ele disse exatamente o que me passou pela cabeça durante a apresentação deles: Não empolgou. No mais, Paulo Ricardo também me surpreendeu ao votar ‘sim’ e mesmo achando que ele estava equivocado, como não respeitar justificativa de que foi algo diferente? Também concordo com o roqueiro quando ele diz que eles têm potencial, mas EU acredito que falta consciência musical do que seria esse diferencial deles no mercado. Ou foi só eu que fiquei com a impressão de que eles estão perdidinhos nesse aspecto?

7) Wannabe Jalva – Down The Sea (autoral) – 71% (Paulo Ricardo e Sandy votaram ‘sim’)

Parte do que foi ditto a Stellabella se aplica aqui a Wannabe Jalva. Especialmente no que diz respeito à preguiça tanto vocal quanto performática, nesse caso. Me agrada muito esse estilo rock alternativo, mas acredito que as escolhas melódicas e PRINCIPALMENTE vocais foram na direção errada do que se esperava aqui. Mas ainda assim, devo reconhecer o potencial absurdo que eles têm para o pop rock. Me chamou muito a atenção um comentário de Paulo Ricardo: “Se a música fosse em português, a tela subiria mais rápido”. Um comentário que me despertou muito a curiosidade e é digno de virar objeto de análise. Afinal, qual o motivo de o pop internacional (mesmo o ruim) fazer sucesso aqui no Brasil? Acredito eu que seja a ausência de um concorrente direto musical, e acho que o que Paulo Ricardo quis dizer é que o fato de haver representantes brasileiros desse estilo, faz com que a primeira vista, um público se afaste. Louco, não? Não sei nem se faz sentido o que falei, mas foi isso que pensei. E mais, Wannabe Jalva foi a única banda aprovada dessa estreia para a qual eu votei não!

6) Samba Livre – Mande um Sinal (Pixote) – 64% - (TODOS OS TRÊS VOTARAM ‘SIM’)

Por na hora estar com The Voice Brasil na cabeça, confesso que essa apresentação gritou Romero Ribeiro pra mim, mas ao mesmo tempo, teve tudo que o finalista do Team Brown não conseguiu ter em toda a temporada: um mísero momento em que a palavra ORIGINALIDADE passasse pelas nossas cabeças. Claro que tivemos vocais bastante imprecisos na primeira metade da apresentação e também faltou força no grave, mas fora isso, esse grupo exalava musicalidade e potencial comercial (como todo grupo de pagode no Brasil), uma vez que todos os ingredientes necessários para um pagode de qualidade estavam lá. Destaco, a interpretação na medida feita pelo vocalista aqui. Ainda assim, o Brasil contrariou a mim e aos 3 jurados, que todos votamos ‘sim’, e o grupo foi eliminado. Mas o lado bom é que foi aqui que pudemos conhecer um pouco melhor os nossos jurados. Sandy provou ser a jurada fofa aqui (estereótipo que mais tarde ela mesma fez questão de aniquilar); e Paulo Ricardo pensou a mesma coisa que eu quando disse que eles foram crescendo a medida que a apresentação foi prosseguindo. Já Tiaguinho, foi o destaque quando disse que apesar de haver uma nítida influência de outros tipos de grupos de sucesso, ainda era possível ver (ou no caso, ouvir) uma originalidade, que estava presente mais obviamente nas nuances vocais dadas pelo vocalista, mas também nas leves mudanças no arranjo. Gostaria que eles tivessem avançado, mas em uma noite excepcional, eles realmente mereceram ir pra casa. (Não me entendam mal, não achei eles a coisa mais original do mundo, mas ninguém  pode dizer que eles fizeram um karaokê)

5) Leash – Cantando as Horas (autoral) – 72% (Sandy e Tiaguinho votaram ‘sim’)

Não importa de que maneira definam o grupo, seja sertanejo ou reggae-pop. NADA, absolutamente NADA vai tirar da minha cabeça a vibe Falamansa que o grupo carrega. Seja esse arranjo puxado para o forró, ou a gaita que eu amo tanto, sinto que de eles me conquistaram, mesmo não sendo grande fã de forró. Achei os vocais apenas ok, nada além disso e ainda acho que eles precisam ser lapidados tanto no estilo quanto na música em si, mas por hora, foi mais do que suficiente para me fazer querer ouvi-los cantar de novo.

Obs: Ainda lutando aqui para entender o nome da banda

4) Tianastácia – Cabrobró (autoral) – 77% (TODOS OS 3 VOTARAM ‘SIM’)

Tianastácia – Cabrobró. Foto: TV Globo/Gshow

Humildemente assumo aqui que eu não conhecia o trabalho de Tianastácia. Por isso, levei um susto quando Paulo Ricardo disse que Tianastácia era uma banda conhecida no Brasil inteiro. Talvez por isso, ou talvez pela agitação na plateia, ou por qualquer outro motivo, ainda que eu não esteja totalmente conquistado pelo som deles, não posso negar, que toda a aura envolta deles grita “já ganhou” e quando isso acontece, no final da temporada, provo estar certo. Mas se essa impressão de ‘já ganhou’ ficou tão nítida como posiciono a banda em quarto lugar nesse ranking? Simples. Achei que o volume da banda estava muito alto e fez o brilho dos membros da banda desaparecer, assim, como a letra das músicas em alguns versos e além disso, o grande número de palavras por segundo sendo ditas pelo vocalista me fez ter a impressão de que faltou controle sobre a respiração e ainda, nas partes que os vocais falharam, acredito ser fruto de uma maneira errada de segurar o microfone.  No mais, Tianastácia provou que é bastante competente no que faz e soube animar uma plateia como poucos. Como esses problemas são facilmente resolvíveis (sei nem se existe essa palavra, mas se não, adoro neologismos), acredito que logo, vamos estar completamente imersos na música desse grupo

Obs: Logo após a final, fui vasculhar Tianastácia na internet e qual a minha surpresa ao ver que eles não são nem um pouco amadores e já tiveram um relativo sucesso? Mas nesse momento de flopagem, cada um faz o que pode!

3) Vibrações – Ela Partiu (Tim Maia) – 78% (TODOS OS 3 VOTARAM ‘SIM’)

Em nenhuma das outras apresentações (exceto o Trio Sinhá Flor), a brasilidade esteve tão exposta e bem representada quanto aqui. Se em cada etapa do programa daqui para frente, tivermos pelo menos uma performance em que esse grau de originalidade e emoção seja atingido dessa forma, eu já sairei dessa temporada uma pessoa mais feliz. Com uma melodia maravilhosa e nuances muitíssimo interessantes, ficou impossível não ser arrastado para dentro do universo criado pelo grupo, que fez a escolha mais ousada da noite, ao transformar Tim Maia em reggae. Faltou força e firmeza em algumas partes? Sim. Houve buracos vazios na melodia da música? Com certeza. Mas ainda assim, nenhuma das outras apresentações conseguiu me deixar tão impressionado e curioso pelo que vem por aí como Vibrações conseguiu.

Obs: Dá pra mudar o nome da banda, produção?

2)Trio Sinhá Flor – Na Puxada de Rede (Trio Forrozão) – 84% (TODOS OS 3 VOTARAM ‘SIM’)

E aqui temos as grandes campeãs da noite, se o critério utilizado for as porcentagens. Mas no meu ranking, elas são vice, o que não muito pior não! Desde antes de a música começar, eu já achava impossível não simpatizar com as 3 e após ver essas harmonias absolutamente a prova de falhas e essa voz com um quê de Ju Moraes (sdds Ju Moraes), fica absolutamente impossível de não se animar com essa musicalidade absolutamente gostosa do trio. Mais uma vez, por não me achar um grande fã de forró, o fato de elas terem ganhado minha torcida, simplesmente reforça o quão competentes essas 3 foram. E mais, Sandy disse que as 3 foram corajosas por serem 3 mulheres em grupo cantando e tocando, mas eu digo que a coragem delas reside no fato de elas não terem medo de expor o que claramente é uma paixão para elas. A coragem reside em não ter medo de se abrir para o público. Anyway, acho que temos aqui um grande nome para o Top 12 dessa temporada!

1) Eletronaipe – Na Rua, Na Chiva, Na Fazenda (Kid Abelha) – 77% (TODOS OS 3 VOTARAM ‘SIM’)

Primeramente, sdds Marquinho Osócio! Segundamente, sdds  1ª temporada do The Voice Brasil. Terceiramente, gente do céu, quanto amor em uma só performance! Amo rock e amo jazz, e me senti completamente em casa na performance deles! Jesus do céu! Simplesmente adorei essa proposta musical e já a abracei. Mas falando um pouco mais especificamente de Marquinho, ficou muito claro que ele continua com os vocais suaves de sempre, mas agora com mais força e muito mais dinâmico no palco. Não vou mentir, o que mais me fez gostar deles foi a originalidade da proposta musical deles, o que também foi bastante exaltado por Sandy. E por falar, em Sandy, simplesmente amei essa mulher cobrando material autoral deles, até porque é sempre mais interessante ouvirmos algo novo do que um remake, ainda que esse remake seja extremamente bem pensado e executado (Qual é, gente... Pegar alto tão voz-instrumento e transformar em rock sem perder a suavidade e nem faltar em força não é pra qualquer um!). Por hora, é o grupo que mais me empolgou nessa estreia com uma folga respeitável e assim, entrego a medalha de ouro dessa estreia a Eletronaipe.

Bem, já deu pra perceber que eu praticamente gostei de todos os grupos aprovados! Mas se teve uma mudança muito bem–vinda no programa foi essa história de repescagem, que funcionará assim: A cada dia, serão aprovados apenas 5 grupos musicais, que são aqueles com as maiores pontuações. Os demais grupos que foram aprovados, mas não conseguiram atingir o TOP 5 do dia, irão cantar de novo para o voto do público na quinta semana. E a partir dessa repescagem, as 4 vagas restantes serão preenchidas.

Claramente essa história de repescagem nasceu do fato de muitas bandas boas terem ficado de fora da competição cedo no ano passado, e qualquer maneira de corrigir cagadas feitas tanto pelo público como pelos jurados, é bem vinda para mim!

Bem, aquela história de padrinho/madrinha do grupo (que não serve para muita coisa), continua valendo e até gosto do fato de isso não ser um fator muito grande aqui como é no The Voice Brasil, por exemplo. Mas vamos lá:

Afilhados de Paulo Ricardo: Tianastácia, Wannabe Jalva

Afilhados de Sandy: Trio Sinhá Flor, Eletronaipe

Afilhados de Tiaguinho: Vibrações, Leash

Antes que eu me esqueça, vamos a melhor frase da semana:

“É muito importante subir na hora H” (Brites, Rafa).

Ah, Rafa parece estar perdidinha na sua função no programa, mas ela é tão espontânea que chega a ser hilário acompanha-la nessa jornada de auto-descoberta. Sem falar que ela já fez valer a temporada com essa frase aí em cima.

Bem galera, em minha opinião, a segunda temporada do Superstar estreou em grande estilo e veio com a promessa de (mais) uma temporada excelente. E vocês o que acharam da estreia? Quais os seus favoritos? O que acharam dos nossos jurados? Até semana que vem!



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Comentários (2) Postar Comentário

Matheus Brito comentou:

Se o restante da temporada for no nível desse primeiro episódio, vai ser impossível desgrudar da TV!
Ah, e desde já apaixonado pelo Trio Sinhá Flor

Thiago comentou:

Confesso não lembrar da forma original, cantada pelo Tim Maia, mas não consegui esquecer a versão que a banda Rasta cantou. É só ler o título da música que já me vem o ritmo e o estilo que a Rasta imprimiu na música.

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