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Comédia e bons personagens garantiram o sucesso de "Rainha da Sucata"

Por: Jonathan Pereira E-mail para contato: [email protected]

Comédia e bons personagens garantiram o sucesso de "Rainha da Sucata"

Há 21 anos, Silvio de Abreu levava ao ar uma história que ficou na memória do público de alguma forma, seja pelos personagens ou pela abertura. Ambientada em São Paulo, como é costume nas tramas do autor, Rainha da Sucata foi exibida em 1990 tendo como mocinha Maria do Carmo (Regina Duarte), e Laurinha Figueroa (Glória Menezes) de vilã. Vamos refrescar a memória?

Maria do Carmo enriqueceu investindo em ferro-velho, negócio do pai (Lima Duarte). Era comum ouvir seus gritos “Sucateeeeera”, pelas ruas, enquanto levava uma carroça com todo tipo de material metálico que seria jogado fora. Ela era apaixonada por Edu (Tony Ramos) desde que era jovem, quando foi humilhada pelos colegas e por ele em uma festa. Ao saber que a família do milionário estava falida e não queria perder o status, a personagem propõe um casamento e vai morar na mansão dos Figueroa. Achando que viveria um conto de fadas, sua vida vira um pesadelo, com a rejeição de Edu e o tormento causado por Laurinha, que nutre uma paixão pelo enteado.

Como desgraça pouca é bobagem, Maria do Carmo perde seu dinheiro graças a Renato Maia (último papel de destaque de Daniel Filho, que passou a se dedicar mais à direção), levando um golpe. Ele também faz da vida de Mariana (Renata Sorrah), um inferno.

Paralelamente, vários personagens cômicos chamavam a atenção. Dona Armênia (Aracy Balabanian), queria ver o prédio em que Maria do Carmo tinha negócios, “na chón”, porque foi construído em seu terreno. Os arranca-rabos entre as duas eram hilários. Mãe superprotetora, ela controlava a vida “das três filhinhas”: Geraldo (Marcello Novaes), Gerson (Gerson Brenner) e Gino (Jandir Ferrari). Tanto sucesso fez com que o quarteto voltasse em Deus nos Acuda, novela seguinte do autor. No fim eles se casam com Ingrid (Andréa Beltrão), a qual tentaram conquistar o coração a trama inteira.

Claudia Raia era a bailarina Adriana Ross e Marisa Orth, Nicinha. As duas disputavam o amor do professor gago Caio Szemanski (Antonio Fagundes, fazendo seu primeiro e até agora único papel cômico em novelas). Entrevistei-o em 2005, quando interpretava o Pedro da série Carga Pesada, e perguntei por que ele fazia tão pouca comédia na TV, se era tão engraçado. "Eu adoro comédia, mas só me chamam para papéis sérios!", disse.

Claudia precisou engordar 10 Kg para a personagem ser “a bailarina da coxa grossa”. Durante a trama ela pediu a Silvio de Abreu para emagrecer, e ele aproveitou para criar cenas nas quais Adriana tenta perder peso. A atriz só voltou a ter um papel tão bom em comédia em 2010, como Jaqueline no remake de Ti-ti-ti.

Voltando aos protagonistas, Laurinha chega a, em frente ao espelho, enfiar o cabo da escova de cabelo no busto, braços e pescoço, para simular marcas de chupão e fazer Maria do Carmo acreditar que transou com Edu. A vilã assassina o marido, o doce Betinho (Paulo Gracindo), oferecendo bombons e chocolates ao portador de diabetes. Em seguida, ela troca os medicamentos dele, que tem uma crise de hiperglicemia e morre.

O final de Laurinha também é antológico. À noite, ela se joga do último andar do edifício da Avenida Paulista, onde Maria do Carmo tinha seus negócios. As duas conversam e a vilã, toda de branco, arranca o brinco da orelha da mocinha antes de se atirar, para incriminá-la. A cara de feliz em ferrar com a mocinha e a cena do corpo caindo enquanto Adriana canta em uma boate são ótimas. “Coisas de Laurinha”, como diria o bordão de Betinho, repetido pelo público na época.

O tema de Maria e Edu, Foi Assim, trazia Wanderléa de volta às paradas de sucesso. Já a abertura era embalada por Me Chama que Eu Vou, cantada por Sidney Magal, e a boneca feita de ventilador, baldes, molas, ferro e uma tábua de passar roupas dançando é a cena que imediatamente vem à cabeça quando se fala nela.

Assim como na época da Viúva Porcina de Roque Santeiro (1985), Regina Duarte voltava a lançar moda. As mulheres queriam os laços de cabelo, chapéus e bolsas com alças de corrente usadas por Maria do Carmo. A partir de Rainha da Sucata, a Globo extinguiu o “A seguir, cenas do próximo capítulo”, comum nos anos 80. Cleyde Yáconis estreava em novelas globais como Isabelle, irmã de Betinho.

Reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo entre fevereiro e setembro de 1994, a história fez sucesso em vários países do continente americano, além de Angola e Portugal. Há rumores de que possa voltar ao ar no Canal Viva, que reprisa programas antigos da Globo - provavelmente substituindo “Vale Tudo”, que faz grande sucesso na madrugada. Mas nada confirmado por enquanto. Se for exibida novamente, será delicioso assistir.

Créditos das imagens: Sérgio Teixeira (Design Gráfico do site MUNDO NOVELAS).





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