O Planeta TV

Por favor, nos surpreenda!

Como o politicamente correto atrapalhou o jeito de fazer e ver TV.

Por: Emerson Ghaspar - Contato: [email protected]

Publicidade

O que sobra para a nova geração?

Essa foi à pergunta que me levou a resposta de que passamos por uma transição, seja na sociedade, ou até mesmo na televisão. Depois de milhares saírem às ruas em busca de um Brasil melhor nos últimos meses, decidi que é hora de ir a luta também no quesito TV.

Apesar de muitos dizerem que TV é uma forma “menor” de arte, reluto e posso afirmar que a televisão não só é entretenimento, mas também uma forma de levar cultura a milhões de brasileiros. Até a TV americana sacou que produzir para o veiculo das massas é uma idéia excelente, rentável, além de garantir audiência e o melhor, rende comentários, que é a melhor forma de divulgação atualmente. Breaking Bad, Dexter, Games of Thrones, True Blood e compainha é a prova viva de que já não queremos o mesmo arroz e feijão, com tempero mexicano de sempre.

O nosso maior produto nacional, as novelas, vive uma fase do “mais do mesmo”, que entediaria até a noveleira mais romântica. Acompanho em redes sociais, entre eles o twitter os comentários aguçados de telespectadores que não se enganam por qualquer situação vivida na tela. Erros de continuidade, antes despercebidos, são flagrados por olhos atentos e famintos por novidades. Não é a toa que séries (a maioria americanas) têm a cada dia mais fãs, loucos para baixar e comentar. Se na TV americana, as séries se reformularam para agradar, porque não fazemos o mesmo por aqui?

Tá certo que amamos novelas e não vamos trocá-las por séries, mas queremos novidades. As tramas exibidas pelo canal a cabo Viva, que reapresenta os maiores sucessos da TV Globo, é um prato cheio para os saudosistas e jovens cansados da falta de originalidade. Tramas criativas, que viviam sobre constante censura e eram obrigadas a ser reinventar para conquistar o público, estão na memória afetiva do Brasil. Cenas de “Rainha da Sucata”, como as iniciais, onde Adriana (Claudia Raia) foge pela Avenida Paulista, quase nua, jamais passariam nos dias atuais.

Por quê? Será que nos tornamos puritanos?

Creio que não, só estamos acostumados a esperar que a TV nos apresente algo, nada mais. As vezes, o mesmo tema acontece em duas produções do mesmo canal. “Sangue Bom” e “Amor à Vida” nos apresentaram tramas de troca de exame de DNA, noivo que morre no altar, entre outras “coincidências”. Mesmo assim nos tornamos apáticos diante de uma programação morna.

Muitos dizem que nos tornamos politicamente corretos, o que impede até de um personagem fume na novela. Por acaso as pessoas não fumam na realidade? Isso de alguma forma afeta o caráter de uma pessoa?

Agora me responda sinceramente: Nos últimos 5 anos, por quantos/ quantas mocinhos (as) você torceu?

Tic, Tac, Tic, Tac...

Se você se lembrou de alguma, parabéns. Com certeza essa obra ficará marcada em suas lembranças. Mas dificilmente aparece nas TVS, heroínas como Nina (Débora Falabella) de “Avenida Brasil” e sua dubiedade. Não queremos heróis, queremos humanos, com erros, acertos e que nos faça torcer por eles, assim como o famoso Herculano Quintanilha de “O Astro” de 1978, ou mesmo “Tieta”, da novela homônima. Ambos tinham defeitos e atitudes que hoje seriam consideradas amorais, mas mexia com o publico, surpreso com as reviravoltas da trama. Talvez seja essa razão de torcermos pelos vilões, eles se parecem mais conosco, tem atitudes, não esperam da vida as oportunidades.

A TV que nos apresenta o que “queremos” só constata que vivemos em uma época de acomodação assustadora. Não é raro sair na imprensa que novela das 6 ou 7 vão mal no ibope, e isso se deve ao telespectador que já não tem saco pra ver sempre a mesma besteira. (Se você se lembra do ultimo sucesso das 7, que foi “Cheias de Charme”, também se recordará que ela tinha uma linguagem diferente). Já a novela das 8,9 e que as quintas começa quase as 10, ouço comentários de que a obra é ruim. Mas porque as pessoas a vêem? Acredito que a resposta seja acomodação. “Amor à Vida” sucedeu o fracasso “Salve Jorge”, portanto o público estava carente de qualquer história, se “Lado a Lado” (recorde negativo das 18h) fosse exibido no horário era capaz de ter o mesmo efeito. Será que estou certo?

Queremos histórias novas, com heróis realmente vencedores, mesmo com seus erros, vilões que nos mostre realmente que fazer o mal não é uma boa idéia. Ansiamos por vilões carismáticos a lá Odete Roitman, mas queremos torcer pelos mocinhos.

Então por favor, nos surpreenda.


Deixe o seu comentário


Publicidade


Comentários (2) Postar Comentário

Rafael Venâncio comentou:

exatamente, querermos historias cativantes e não "o requentado enredo de outrem", apostar no novo. O telespectador vive uma nova fase em seus conceitos sobre a teledramaturgia, e isso se deve a influencia das series que não tem medo de ousar; a interação nas redes sociais, ao ativismo do dia dia dia, já é hora dos autores e suas emissoras perceberem que o que fará com que faça o telespectador parar e acompanhar uma trama está no fato de ele ter certeza de que, realmente, valerá a pena fazê-lo. Avenida Brasil demostrou isso perfeitamente: do que adianta chegar em casa, ligar a tv, e se deparar com uma trama com um dejavú cada vez mais repetitivo? Lembro da mobilização que a trama de João Emanuel Carneiro causava no telespectador e da ansiedade do mesmo pelas reviravoltas, hoje em dia, nem faz diferença as reviravoltas de Amor à Vida, porque, tudo aquilo já foi visto e revisto, sabe não há nas atuais tramas nada que prenda a atenção do telespectador, e digo como um deles, não está valendo a pena. Como escritor de romances, procuro sempre pelo novo, e, na minha opinião, era isso que os autores deviam fazer.

Thiago Gama comentou:

Amei esse texto! é exatamente isso, porque Avenida Brasil fez sucesso? porque realmente os personagens eram humanos, cometiam erros e isso fez com que o telespectador se identificasse, eu espero que não tenha muitos mocinhos que são quase santos em Babilônia, nós não queremos arroz com feijão ou tramas no estilo pastelão, queremos uma trama com personagens HUMANOS e histórias realmente possíveis na realidade.


Publicidade

Veja também

Publicidade