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Há 35 anos, "A Grande Família" faz sucesso na TV!

por jeferson, em 27/10/2007

Há 35 anos, "A Grande Família" faz sucesso na TV!

Núcleos familiares costumam fazer sucesso em obras de ficção. Se for uma turma engraçada, então, pode sustentar um programa sozinha. Em outubro de 1972, a Globo enxergou esse filão e lançou o programa A Grande Família, inicialmente uma versão da série americana All in the Family.

Os personagens eram quase que os mesmos da versão que a emissora exibe atualmente. As histórias, no entanto, muito diferentes. Em plena época de ditadura militar, o texto desenvolvido por Roberto Freire, e mais tarde por Oduvaldo Vianna Filho, era repleto de críticas sociais. A intenção era fazer um humor engajado. Mas de acordo com o ator Milton Gonçalves, que implementou o projeto como diretor, nem sempre era fácil. "Eu brigava para manter a estrutura de texto que o Roberto idealizava. Mas havia resistências internas", conta.

Milton lamenta que, quando o formato começava a se firmar como a equipe desejava, ele teve de se afastar do seriado. "O Oduvaldo Vianna Filho e o diretor Paulo Afonso Grisolli levaram o que nós tínhamos planejado às últimas conseqüências. Só aí passaram a considerar o programa um grande achado", queixa-se o ator.

Questionar a situação política que o Brasil vivia era um idéia tão marcante em A Grande Família que além dos filhos alienados Bebel e Tuco, os personagens Lineu e Nenê tinham mais um filho: o jovem contestador Júnior, interpretado pelo ator Osmar Prado. As falas do rapaz eram muitas vezes censuradas. A figura do estudante era essencial para o contexto da história na época e o papel foi "importantíssimo" em sua carreira. "Foi com esse trabalho que fui notado como ator. Mostrei que poderia fazer coisas legais", argumenta Osmar.

Na pele de Nenê, a veterana Eloísa Mafalda recorda que se divertia com os colegas durante os ensaios e as gravações. Jorge Dória é quem fazia o Lineu na época. Ao se comparar com a personagem que Marieta defende no programa de hoje, ela destaca a diferença cultural. "A minha Nenê era mais ignorante. Eu fazia cada pergunta burra para o Lineu. A personagem da versão atual é mais antenada", diferencia Eloísa.

Já a Bebel da época tinha apenas uma história, mas acabou ganhando duas intérpretes. A primeira foi a atriz Djenane Machado, que integrou o elenco apenas no primeiro ano de exibição. Depois, devido a problemas pessoais, ela foi substituída por Maria Cristina Nunes, que ficou no programa até o fim. Não foram dadas explicações aos telespectadores em relação à mudança de fisionomia da personagem, mas a nova atriz foi praticamente apresentada pelo novo elenco em seu capítulo de estréia.

"Segui minha intuição e não fiquei preocupada em pegar a personagem no meio do caminho. Deu certo e morro de saudades daquela época", conta Maria Cristina. A atriz diz ainda que se diverte muito quando acompanha as peripécias da atual Bebel, de Guta Stresser. "Adoro ela, mas é bem diferente do que eu fazia", compara. O ainda era formado ainda por Brandão Filho, como Seu Flor, Luiz Armando Queiróz, na pele de Tuco, e Paulo Araújo, como Agostinho.

Para quem faz A Grande Família de hoje, a primeira versão do seriado, mesmo que indiretamente, influencia de alguma forma. "Não acompanhava na época mas vi um especial feito pela Globo News e deu para ver o estilo daquela turma. O sucesso de hoje também tem a ver com essa nostalgia", defende Marieta Severo. Para Max Nunes, um dos roteiristas da série na década de 70, é fácil entender o sucesso do programa em qualquer época. "O segredo é a história estar centrada em uma família", simplifica.

Fonte: TV Press



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