
O Brasil se despede de um talento marcante da televisão e do teatro. A atriz Lúcia Alves faleceu nesta quinta-feira (24), aos 76 anos, vítima de um câncer no pâncreas. Ela estava internada desde 14 de abril no Centro de Terapia Intensiva (CTI) da Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, e lutava contra a doença desde 2022. A instituição confirmou o falecimento e expressou solidariedade a familiares, amigos e fãs.
Com uma carreira de aproximadamente seis décadas, Lúcia Alves construiu uma trajetória sólida e popular, marcada por personagens inesquecíveis que ficaram na memória afetiva do público. Embora conhecida principalmente pela TV, sua estreia artística ocorreu no cinema, em 1965, com "Um Ramo para Luísa", seguida pelos palcos do Copacabana Palace, onde contracenou com grandes nomes como Henriette Morineau.
Sua chegada à televisão se deu em 1969, na extinta TV Tupi, mas foi na Globo, a partir de "Verão Vermelho" no mesmo ano, que sua carreira deslanchou. Em 1970, interpretou um de seus papéis mais emblemáticos: a índia Potira, na primeira versão de "Irmãos Coragem". A década de 1970 consolidou seu nome com atuações em "O Homem que Deve Morrer", "Bicho do Mato", "Carinhoso", "Helena" e "Senhora".
Antes de se dedicar à arte, a "carioca da gema", filha de um bancário e uma psicóloga, sonhava em seguir os passos da mãe e trabalhar com crianças com síndrome de Down, chegando a se formar em Fonoaudiologia pela UERJ. O destino, porém, a guiou para a atuação, onde se destacou pela versatilidade.
Nos anos 1980, brilhou como a Veroca de "Plumas e Paetês" e a Clarita Catita de "Jogo da Vida", além de participar da primeira versão de "Ti-Ti-Ti" e da minissérie "Anos Dourados". Após uma passagem pela Rede Manchete em "Kananga do Japão" (1989), retornou à Globo em 1990 para viver a hilária Moema em "Barriga de Aluguel". Lúcia revelou que se inspirava em sua própria vida, enviando histórias de brigas com o ex-marido para a autora Gloria Perez, que as adaptava para a trama.
Nas décadas seguintes, continuou atuando em novelas como "Tropicaliente" (1994) e fez sua última aparição em folhetins da Globo em "Joia Rara" (2013). Sua presença também foi constante em seriados como "Mulher", "Sob Nova Direção" e "Toma Lá Dá Cá", além de participações em programas especiais.
Lúcia Alves se via como uma "atriz extremamente popular" e valorizava essa conexão com o público. "Você fica na memória do público", disse em entrevista. De fato, sua alegria contagiante e seus personagens marcantes garantem que ela permanecerá viva na história da teledramaturgia brasileira, lembrada por sua "vastíssima história" e talento multifacetado.
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