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Shippados: Entre o digital e o vintage

Rita (Tatá Werneck) e Enzo (Eduardo Sterblicth) estão o tempo todo conectados.

por Redação, em 14/03/2019

Foto: Globo/Paulo Belote

Rita (Tatá Werneck) e Enzo (Eduardo Sterblicth) estão o tempo todo conectados. O celular é quase uma extensão do próprio corpo, mas o aplicativo de encontros não deu match no casal. Foi num barzinho, à moda antiga, que os olhares se cruzaram. Essa aparente contradição entre o contemporâneo e o vintage permeia também o contraste entre a narrativa de ‘Shippados’ e a identidade visual do projeto – original da Globo, produzido exclusivamente para o Globoplay. Com um total de 30 locações e quase 50% de diárias em externas, elenco e produção, que encerraram as gravações em fevereiro, tiveram como principais sets os espaços urbanos do Rio de Janeiro, especialmente o centro da cidade e o metrô carioca. Maricá, município litorâneo da região metropolitana do Rio, também foi um dos destinos para os quais a equipe embarcou a fim de contar essa história.

Comédia romântica às avessas, ‘Shippados’ traz uma análise sarcástica do cenário social criado pelos algoritmos da internet. Apesar do tema atual, definiu-se por uma estética “retrô” na composição de cada personagem. “Optamos por uma identidade visual mais vintage e por um tom sempre muito natural, com uma linguagem quase documental do dia a dia dos personagens. Esse estilo deixa a série mais atemporal e é bonito de se ver ”, adianta a diretora artística Patricia Pedrosa. 

De modo geral, toda a produção da série preferiu um visual que provocasse estranhamento. A intenção principal é de fato mostrar as imperfeições e excentricidades de Rita (Tatá Werneck), Enzo (Eduardo Sterblitch), Brita (Clarice Falcão), Valdir (Luis Lobianco), Suzete (Júlia Rabello), Hélio (Rafael Queiroga) e Dolores (Yara de Novaes) e também aspectos que os conectam com pessoas reais que circulam pela cidade. O Rio de Janeiro também será visto de um jeito diferente do que costuma aparecer na TV: os cenários mais urbanos serviram de locação e funcionaram como um autêntico laboratório de pesquisa comportamental para as equipes da série.

Diante de tanta informação compartilhada precocemente na internet, expectativas criadas e dúvidas constantes, os autores Alexandre Machado e Fernanda Young põem em questão a sobrevivência da paixão nos dias de hoje através de um humor de identificação, apresentando os pequenos e grandes dilemas das relações atuais. “Pode ser que os relacionamentos pós-redes-sociais sejam mais sinceros, pois não há mais como se ter segredos, acabou a privacidade”, observa Fernanda. Na era digital, ao mesmo tempo em que as possibilidades se ampliam, a continuidade dos relacionamentos se torna ainda mais rara. Mesmo com todas as mudanças trazidas pela tecnologia, os roteiristas acreditam que o amor – um assunto universal e atemporal – prevalece. “Por mais ‘likes’ que receba, você vai acabar precisando de alguém para amar”, acrescenta a autora. 

Seguindo a linha vintage, a produção de arte e a cenografia se inspiraram em objetos de colecionadores para compor o universo dos protagonistas. O quarto de Enzo, um cara neurótico, metódico e introspectivo, por exemplo, é repleto de carrinhos, CDs, games, jogos de tabuleiro, pôsteres de super-heróis e histórias em quadrinhos. A personalidade do programador, aficionado pelo mundo nerd, se traduz no arranjo dos elementos de seu ambiente. “A gente imaginou o Enzo mais geek, então trouxemos um pouco dessas referências. A disposição dos objetos também retrata bastante a personalidade dele - bem certinho. É tudo muito organizado. Tem até as araras com roupas separadas por cor”, explica a produtora de arte Eugenia Maakaroun.

Foto: Globo/Estevam Avellar

Rita, por sua vez, é uma mulher multitraumatizada, cuja família é a principal causa de seus dramas. Os fracassos nas investidas amorosas também afetam consideravelmente sua autoestima. Em seu canal na web, ela encontra uma maneira de externar essa condição. Os vídeos são gravados em seu quarto, ambiente lotado de elementos das várias fases de sua vida, mas que expressam, principalmente em quadros e paredes, sua busca atual por liberdade e por sua identidade. “Como os jovens da sua geração têm a internet como local de relacionamento com o mundo exterior, encontramos juntos com direção, fotografia, figurino, caracterização, produção de arte e cenografia um caminho que nos remete aos jovens da geração dos anos 70, com uma roupagem atual”, detalha a cenógrafa Fumi Hashimoto. 

A história traz diálogos supersinceros nos quais a dupla Rita e Enzo mostram como um casal “bugado”, com dificuldades de se enquadrar, encara um mundo de realidades distorcidas, adequadas ao padrão virtual. A seu lado, os outros dois jovens casais – cada qual com seus medos e desejos típicos do mundo atual – vão embarcar numa aventura para encontrar o pai de Rita e, assim, ajudá-la a superar os traumas de um passado mal resolvido e de um presente conturbado. Juntos, Enzo, Rita, Valdir, Brita, Suzete e Hélio vão questionar os limites da interação nos dias de hoje e atentar para as ciladas da vida em rede. Quem não vai facilitar a missão dos seis é Dolores, a controladora mãe de Rita, que se enfia na Kombi anos 70 e parte rumo a Maricá com o grupo. 

‘Shippados’ é uma série original da Globo produzida exclusivamente para o Globoplay. A obra de Alexandre Machado e Fernanda Young tem direção artística e geral de Patricia Pedrosa e direção de Renata Porto d’Ave e Ricardo Spencer.



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