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Que morra o próximo!

Por: Nelson Gonçalves Junior E-mail para contato: [email protected]

Que morra o próximo!

“Pai e madrasta matam criança inocente”.

“Terremoto abala o país. Cuidado com o Tsunami”.

“Roberto Cabrini é traficante de drogas”.


Com certeza você assistiu estas notícias nos principais programas da televisão dos últimos dias. E a conclusão que fica é simples: o telejornalismo brasileiro se perdeu em meio à necessidade constante de pontos no Ibope.

Não importa a importância. Não interessa o real interesse, muito menos as redundâncias deste texto. Dá audiência? Então bota no ar!

Está sendo vergonhosa a cobertura da imprensa (especialmente da TV) no caso da menina Isabella. Julgamentos precipitados, parcialidade ao transmitir as informações, transformação do caso em um verdadeiro show (de horrores).

Fica a pergunta: Qual a real necessidade da TV Globo passar a manhã inteira acompanhando o trajeto do casal para um depoimento? O que acrescenta a população ter um Geraldo Luis brincando de “CSI” com uma maquete de prédio, uma rede de janela e uma boneca? Do que resolve a Sonia Abraão passar suas tardes na RedeTV! mostrando a comoção nacional que o caso trouxe nas pessoas?

Tudo isto apenas incita a população a atos de violência, chegando ao cúmulo de milhares de cidadãos passarem seus dias na porta da delegacia e na casa dos Nardoni.

Concordo que este é um caso cruel, que merece toda atenção e repúdio. Mas virou um verdadeiro circo. Com direito a pipoqueiro e vendedor de cerveja. E o telespectador é o grande culpado deste sensacionalismo puro e barato, afinal foi ele quem fez os índices das emissoras aumentarem nas últimas semanas.

O que mais preocupa é perceber que a morte desta menina pode fazer com que o jornalismo brasileiro se perca. O tremor de terra no Sudeste do país já virou terremoto alarmante, de grandes proporções e com atenção para não virar um Tsunami. O Roberto Cabrini foi de traficante de drogas a menino perseguido por forças do mal em 24 horas.

A imprensa tem todo o direito e obrigação de se manter atenta e presente nestes casos e em todos os demais que venham a surgir. Mas com limite ético, e preocupada apenas em transmitir informação, sem este sensacionalismo nojento.

Deu saudade das coberturas “jornalísticas” do Cidade Alerta. A impressão é a de que todos aguardam a próxima tragédia, para a produção de um novo mega show.

Que morra o próximo, mas que seja logo, senão complica a audiência...

Um acerto entre mil erros


O ex “Ídolos”, atual “reality show musical do SBT” (sic) está muito bem produzido. Edição interessante, divertidíssimo. Bem menos engessado sem a necessidade de se seguir o original americano. É inteligente ao dar espaço para os dois pontos de maior sucesso do programa: os jurados e os candidatos bizarros. Que o formato resista as mudanças de horário e de humor da família Abravanel...





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