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Caco Ciocler recorda sua estreia na TV em "O Rei do Gado"

A novela de Benedito Ruy Barbosa será reprisada pela terceira vez no Vale a Pena Ver de Novo à partir do dia 07 de novembro.

por Micael Constantino, em 31/10/2022

Caco Ciocler recorda sua estreia na TV em "O Rei do Gado"

O ano era 1996. Caco Ciocler era um rapaz de 24 anos, que conciliava as aulas de teatro com os estudos na faculdade de engenharia química e tinha acabado de saber que seria pai.

Mas essa não era a única novidade na vida do paulistano. Ele acabara de ganhar um papel para estrear na TV, numa novela das 9 cercada de expectativa pelo público e pela crítica - O Rei do Gado - e, diante desse presente do universo, entendeu que aquela era a grande oportunidade de deslanchar na carreira de ator e fez por onde tudo dar certo. E deu!

"Eu estava em uma encruzilhada de vida. Ia ter de sair da casa dos meus pais, constituir família, ainda na faculdade, sem perspectiva de conseguir me sustentar, sustentar uma família. Então, esse convite para O Rei do Gado foi uma revolução, foi o universo dizendo 'vai lá, vai lá que eu te seguro'".

"Foi muito importante para mim essa novela, tinha que dar certo, eu tinha que arrasar porque era a chance de conseguir ter uma carreira, de conseguir viver disso. E eu fui premiado como ator revelação pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), tive já o primeiro trabalho super reconhecido, foi um trabalho muito marcante, uma entrada pela porta da frente", revela ele, que interpretou Geremias, o terceiro filho de Giuseppe Berdinazi (Tarcísio Meira) e Marieta (Eva Wilma), na primeira fase da trama.

Geremias é irmão de Bruno (Marcello Antony), Giácomo (Manoel Boucinhas) e Giovanna (Letícia Spiller). Após a morte do irmão Bruno na guerra e, mais tarde, do pai, a ambição o leva a tomar atitudes cruéis.

Na segunda fase da obra, o personagem é vivido por Raul Cortez. O ator relembra o intenso processo de preparação para a novela e a generosidade do veterano com quem dividiu o papel:

"Fizemos um laboratório na fazenda onde gravamos, andando a cavalo, plantando, colhendo café, trabalhando a terra, usando o figurino, comendo nas marmitas que a gente comeria em cena. Estudamos o sotaque com uma professora italiana. O Raul foi visitar a gente nessa preparação e eu lembro que falei: 'Raul, eu preciso fazer você' e ele, muito generoso, disse: 'Não, eu tenho que me adaptar ao que você está fazendo, porque você vem antes de mim'."

"Eu sentia uma obrigação muito grande de arrasar porque a minha vida dependia daquilo, daquele momento de muita transformação, e a sensação que eu tenho é de que eu usei todos os meus truques para dar certo", conta.

De volta ao 'Vale a Pena Ver de Novo' a partir de 7/11, O Rei do Gado mexe com as lembranças de Caco. Não só o trabalho na trama de Benedito Ruy Barbosa como os bastidores.

O ator cita a união do elenco, principalmente do clã Berdinazi.

"Eu era colega de turma de teatro do Manoel Boucinhas, que fez meu irmão Giácomo na trama, e a gente ficou amigo rapidamente do Marcello Antony e da Letícia Spiller, que faziam nossos irmãos. O Leonardo Brício eu conhecia também. E os atores mais velhos, claro, todos incríveis."

"A lembrança que eu tenho é de um receio, respeito com aqueles mestres, que eu via há tanto tempo na televisão. E a Vera Fischer saía com a gente quando não estávamos gravando, a gente se divertiu muito com a Vera, foi incrível. Ah, que saudade dessa época..."

Caco garante que, mesmo muito autocrítico, não vai perder um capítulo da novela.

"Eu odeio me ver nos trabalhos antigos, nos trabalhos atuais, nos trabalhos futuros porque sou muito autocritico. Mas O Rei do Gado vou ver, não dá para não ver, é muito especial, então, mesmo que eu sofra, eu vou assistir", comenta Caco, aos risos.


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