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Um cinema com cara de televisão

Por: Nelson Gonçalves Junior E-mail para contato: [email protected]

Um cinema com cara de televisão

Maior abertura na estreia, maior bilheteria e maior público do cinema tupiniquim desde a sua Retomada, no ano de 1995. Este é o respeitável currículo da comédia "Se Eu Fosse Você 2", que ficou no topo do ranking das telonas por quase três meses.

E ai você se pergunta: por que um filme está como destaque em uma coluna que só fala sobre televisão? E a resposta é simples: porque nunca o cinema nacional esteve tão atrelado ao que se produz na televisão brasileira.

Primeiramente pense em algum grande sucesso recente do nosso cinema, que não teve nenhuma relação com a Globo Filmes, seja na distribuição, coprodução ou realização.

Não consigo recordar-me de nenhum.

Simplificando: os projetos só são bem sucedidos quando amparados por uma rede de comunicação gigantesca, capaz de divulgar um produto em todos os meios possíveis e imagináveis. Portanto, fica a ressalva que muito deste sucesso é relacionado diretamente com a excelente campanha publicitária feita pelas Organizações Globo, que sabem como ninguém usar a sua influência para promover seus projetos.

Esta reflexão é para que não sejamos enganados pelo mercado, e acreditarmos que o cinema brasileiro vive uma fase fantástica, de grande investimento e qualidade.

Pura ilusão.

Os filmes globais é que passam por este bom momento, porque o restante morre na praia, com a falta de distribuição, divulgação e até mesmo com uma precariedade de realização inimaginável.

Agora além deste dilema, há de se destacar a ida, cada vez mais frequente, de conteúdos televisivos para a telona. Nada contra cinema com cara de televisão, mas isto acaba funcionando como bloqueio criativo para nossos produtores, e limitando o crescimento da produção cinematográfica.

Repare na grande quantidade de minisséries e seriados globais que viraram filme nos últimos anos. A Grande Família, Os Normais, O Auto da Compadecida, Cidade dos Homens e Maysa (que será lançada em breve), são alguns exemplos de produtos feitos para a televisão, que foram parar nos cinemas de todo o país.

A Globo vem aproveitando a linguagem televisiva como estética básica para os filmes, o que pode fazer com que ambos os produtos se transformem em uma coisa só e percam sua identidade. Cada vez mais, edição, linguagem e roteiro da telinha estão próximos da telona.

Os números de “Se eu Fosse Você 2” comprovam que este artifício vem trazendo ótimos resultados diante do público, mas nos deixam com a percepção de que filmes independentes, que passem longe da estética televisiva e que não tenham apoio da Globo, estão fadados ao fracasso.

E mais, nos reforça o tamanho da influência que um meio de comunicação de massa como a televisão pode ter diante dos espectadores.

Preocupante sim. Porém não menos fascinante.





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