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Lauro César Muniz comenta Babilônia e Os Dez Mandamentos

"Meu ponto de vista é que os temas bíblicos anestesiem a capacidade crítica dos telespectadores", diz o autor,que não pretende mais escrever novelas

por Sergio Gustavo, em 15/05/2015
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O autor Lauro Cézar Muniz (Foto: Michel Ângelo/TV Record)

Depois de oito anos de serviços prestados, Lauro César Muniz deixou a Record em 2013. "Não manter contrato com uma emissora, atualmente, foi opção minha. Passei a vida adiando projetos pessoais importantes no teatro e no cinema para cumprir meus contratos com as redes de TV. Tenho um pouco mais de tempo e liberdade para trabalhar", explicou o veterano, em entrevista jornalista Daniel Castro, do portal UOL.

Autor de clássicos, como O Salvador da Pátria (1989), Lauro palpitou sobre a razão dos problemas enfrentados por Babilônia: "O processo industrial, em que muitos coautores e colaboradores participam, abafou o ímpeto criativo do Gilberto (Braga). Este talvez seja o mais cruel desse processo industrial que tomou conta das novelas desde meados da década de 1990. Muitas cabeças diluem o estilo do autor principal."

Lauro, que enfrentou rejeição do público à Máscaras, comentou os bastidores daquela fase. "Durante minha última novela, a emissora teve uma completa reestruturação de comando, não apenas no setor de dramaturgia como no comando geral. Isso pesou muito, não apenas para Máscaras mas para todos os fracassos que seguiram minha novela", comentou ele, que também falou da atual fase da dramaturgia da Record.

"Os Dez Mandamentos é um sucesso. Lamentavelmente sobre um tema bíblico em uma emissora ligada a uma igreja evangélica. Meu temor é que, daqui para a frente, a Record só faça novelas religiosas. Um desvio de nossas preocupações mais cotidianas. Meu ponto de vista é que os temas bíblicos anestesiem a capacidade crítica dos telespectadores".

Lauro não pretende mais escrever novelas, mas não vai abandonar a teledramaturgia.  "A televisão é um veículo muito importante para que eu fique de fora, olhando", disse ele, que quer voltar com uma minissérie. O projeto envolve o diretor Del Rangel e o maestro Júlio Medaglia. No momento, conforme já informou OPTV, o autor trabalha na adaptação para o cinema da história de Chiquinha Gonzaga. A previsão de lançamento é para 2017.


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Comentários (5) Postar Comentário

Edmilson comentou:

Não entendi, novela religiosa vai """" Um desvio de nossas preocupações mais cotidianas"""", pelo que conheço, desvio é uma novela onde velhas se beijam, homens se beijam bem no horário onde crianças ainda não vão dormir.. Ou so vale falar que crianças de hoje são mais expertas que antigamente quando não leva em consideração os absurdos e irresponsabilidade de uma novela ofensiva aos conceitos morais..Desvio de preocupação cotidiana, é esta imoralidade que na cara dura deita e rola em horário da familia. Parabéns Record, seja evangelica, seja catolica, seja qual for a religião.. continue assim.


Diego respondeu:

Edmilson, sua resposta foi um exemplo perfeito do que o grande Lauro César Muniz quis dizer com "os temas bíblicos anestesiem a capacidade crítica dos telespectadores".



Thiago respondeu:

Engraçado pessoas como vc, Edmilson, que sabem apenas criticar e jogar pedras nos outros, dizendo que a homossexualidade é algo que deveria estar escondidos nas novelas, sendo que existe na vida real. Imoral é ser preconceituoso com raça, sexualidade, religião e seja lá o que for. Imoral é se achar superior aos demais julgando-os, realmente não precisamos de mais pessoas com este pensamento retrógrado do século passado


josué comentou:

Na verdade assistir novela não trás benefício intelectual e cultural a ninguém, pois, as mesmas não passam de lixo das emissoras de televisão que manipulam a opinião pública, o Brasil a décadas assisti o principal produto das emissoras, as novelas, que no geral não são novelas bíblicas, no entanto falta essa capacidade crítica para elegermos políticos no país, fica anestesiada a capacidade crítica é quando deixamos nossas crianças assistirem cenas de sexo nas novelas, isso sim é não ter espírito crítico é ser levado por opinião de terceiros.

Fernando Oliveira comentou:

Mas cria hipócritas como você, que criticam novelas, mas vivem futricando os sites especializados atrás das notícias para comentá-las.

Caio comentou:

Então é natural a Globo Fazer Novelas espiritas é a Recor não pode fazer Biblica qui Lamentavelmente.

Luciano comentou:

Edmilson você tem toda razão. Qual o problema de se fazer novelas bíblicas hein Lauro? A Globo não te quis mais, a Record também mandou você embora... por que será?

Cada emissora busca um perfil: O SBT com novelas infantis, a Record com temas da Biblia e a Globo com novelas bestas cheias de prostitutas e homossexuais.

Quem não gosta que assista as novelas "de temas atuais" da Globo. Mas o que de fato anestesia a capacidade crítica é ver novela ruim que não acrescenta nada na vida da gente.


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