Semanas após o final de Império, Aguinaldo Silva foi a São Paulo conceder uma entrevista ao programa Diálogos (GloboNews), em que Mário Sergio Conti recebe grandes personalidades de todas as áreas. "Estou meio morto, né? Quando acabei a novela já não sabia muito bem onde estava e quem era, porque escrever novela é um trabalho muito pesado", disse o autor, referindo-se a Império.
Perguntado sobre como faz para manter o interesse do público, o novelista revelou: "É difícil manter o gás porque as pessoas estão ficando cada vez mais exigentes em relação ao gênero. O segredo é encarar cada capítulo como se fosse o penúltimo. Porque o capítulo mais difícil da novela não é o último, é o penúltimo".
Mario Sergio, então, perguntou sobre as situações "absurdas" de Império, como a morte fajuta do protagonista. "Há um momento da novela em que você sente que o telespectador embarcou e acredita em qualquer coisa que você quiser", decretou Aguinaldo. Sobre o fim da trama, o autor comentou que decidiu matar o Comendador (Alexandre Nero) dois meses antes da novela acabar. "Se ele tivesse casado no final com a Ísis (Marina Ruy Barbosa) ou ficado com a Marta (Lília Cabral), a essa altura as pessoas já tinham esquecido o final da novela", disse, citando um trecho da carta de suicídio de Getúlio Vargas: "Saio da vida para entrar na história".
Aguinaldo também comentou a polêmica dos casais gays, que vem permeando, principalmente, a atual novela das nove, Babilônia. "Veja a novela com o aparelho de medição da audiência em tempo real do lado. Percebi que nos momentos em que esse assunto era tratado de modo mais sério, a audiência caía. Ou seja, a maioria não quer ver isso. E o que a novela almeja? A audiência. Tem que ter muito cuidado com os temas sobre os quais se fala. O segredo é tratar de uma maneira que não choque".
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Concordo plenamente com o grande autor Aguinaldo Silva,chega dessa besteira de beijo gay o que nós telespectadores queremos ver é boas historias.Portanto senhores autores acabar com esse negocio de viverem colocando nas novelas homens com e mulheres com mulheres ok!!
melhor autor da tv brasileira chama se joao emanuel carneiro , o benedito rui barbosa um genio da tv brasileira , maria adelaide amaral escreve bem demais comedia e agaynaldo silva e walcyra carrasco sao 2 bixas loucas que escrevem historias sem sentido e nexo e sem senso do ridiculo
Acho que Aguinaldo Silva está certo em parte...os autores é que tem que quebrar a cabeça para ter criatividade para tratar o assunto sem choque...o errado é não tratar, como se não existisse.
O Brasil sofre de hipocrisia , criticam a novela mas já viram os filmes que passa depois do Fantástico? Contem quantas pessoas são assassinadas até o final do filme...e não tem esta comoção toda de incentivo à violência. Muitos que dizem que a novela é um atentado aos "valores da família" são os mesmos que dão games para os filhinhos onde ganha quem mata mais...será que é educativo no conceito dessas cabeças prodigiosas? Santa Coerência nos proteja!
Boas histórias é algo que o autor não dão ao público há anos, e a prova confirmando isso é a ruim Império.
Aguinaldo disse algo que se sabe desde 18 de setembro de 1950: televisão é dinheiro. Se a audiência cai é porque o público (no qual sua maioria é conservador e é de donas-de-casa) não quer ver; e se não quer ver na Globo vai para a concorrência e estas receberão mais $$$ do cobiçadíssimo bolo publicitário paulistano.
Na minha opinião a causa da baixa audiência nada tem a ver com beijo gay, mas sim com o mau caratismo dos personagens. Ninguém aguenta mais tanto baixo astral. Aquele primeiro capítulo foi um horror, muita maldade, falta de ética, de moralidade (não em relação à opção sexual), mas sim desumanidade. A realidade que vivemos já é muito dura, não precisamos ver estas coisas a título de entretenimento! Comigo, pelo menos, foi isso q aconteceu.
Na verdade, a maioria das pessoas não quer ver casais gays da maneira como os autores de telenovelas vem abordando, dessa forma irreal, forçando a barra para parecer naturalista. Os casais gays não tem essa vida de comercial de margarina que vemos nas novelas. Os casais gays são diferentes dos casais héteros e os conflitos são outros e, quase sempre, mais complexos.
Aposto que se uma novela apostasse num triângulo amoroso gay, por exemplo, poderia fazer sucesso. Até porque existem disputam amorosas entre pessoas do mesmo sexo, para além de todas as outras inquietações que isso gera. O que faz o público querer assistir a uma novela não é a sexualidade da personagem, mas principalmente a sua condição de vítima ou de antagonismo em relações aos demais personagens.
Enfim, essa abordagem gay que vem sendo feita (que é muito bem-vinda, de todo modo) precisa ser reinterpretada pelas emissoras de televisão.