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Direção de arte do especial ‘O Natal Perfeito’ traz o conceito de ressignificar

Programa é uma fábula sobre amizade, consciência ambiental e ética.

por Redação, em 19/12/2018

Foto: Globo/Sergio Zalis

‘O Natal Perfeito’ é uma fábula sobre amizade, consciência ambiental e ética. O especial conta a história de Catarina (Melissa Nóbrega), uma menina rica que foge de casa porque não ganhou o presente de Natal que queria. Ao cruzar o muro do condomínio, ela conhece Jonas (Cauã Antunes), menino órfão que mora em um ferro-velho e constrói a sua realidade a partir do lixo, cercado por acessórios e engenhocas feitos de sucata. Um especial que enaltece o consumo consciente e o reaproveitamento de materiais não poderia ter outro caminho: o grande desafio da direção de arte foi utilizar o máximo de material já existente nos Estúdios Globo.

Segundo o diretor de arte Moa Batsow, o primeiro passo foi reaproveitar o material descartado no complexo de estúdios. “Temos uma central de lixo bem grande, onde o material é todo reciclado. Acessamos esse lixo e o acervo. Fizemos uma grande peneira para ver o que poderíamos aproveitar e fomos a depósitos externos. Tivemos uma economia de 70% pelo menos”, ressalta ele. No cenário, foram aproveitadas sucatas para formar a escada que leva ao jardim, onde a horta é feita com vasos e louças de banheiro. Eletrodomésticos velhos e amassados compuseram o ambiente. “Também usamos sucata eletrônica e quase um contêiner inteiro de pneus que era do lixo dos Estúdios Globo. Todos os objetos de cena foram elaborados, mexidos, texturizados e ressignificados. Nada foi colocado lá do jeito que era. A mesa, por exemplo, é uma tábua de passar roupa”, destaca o diretor, que contou com o artista plástico Anderson Dias para montar o corpo do Senhor Perfeito (Caio Blat). A cadeira de rodas do personagem foi encontrada em um ferro velho, assim como a cadeira de avião, que forma o todo. Já o pescoço é de mola e as demais partes do corpo são compostas por um ventilador, secador de cabelo e pedaços de manequim.

Foto: Globo/Sergio Zalis

Outra engrenagem de destaque na história é a “caixinha de música” que se transforma em um chuveiro. A estrutura é uma junção de sobras de cano e a parte maior é um tambor interno de máquina de lavar roupa com uns parafusos que batem em colheres e emitem o som. Já o lixão é limpo, diferente de um aterro sanitário. É um ferro-velho com material reciclável, sem lixo orgânico ou plástico. 

O ônibus, onde mora Jonas, traduz a consciência do menino, que aproveita tudo o que encontra. É dividido em banheiro, quarto, sala, cozinha e copa. As mesas são feitas de tábua de passar roupa e sucata de máquina de café; o chuveiro e o semáforo se transformam em porta-treco; a lupa da mesa é segurada por uma luminária articulada com uma mão de manequim; e a pia é uma peça de balança, com uma luminária. “É um trabalho muito vivo porque as ideias do projeto vêm a partir do momento em que você encontra as peças. Elas falam para você o que vão virar. Montamos um núcleo de criação com os objetos que encontrávamos. Todo mundo virou criança. Foram três semanas com a mão na massa”, lembra Moa.

A paleta do lixão é básica, neutra, mais voltada para cinza, prata, preto. A cor viva é presente na plantação, com o verde, e o vermelho em poucos figurinos e alimentos. Já o chão, formado por 25 metros cúbicos de saibro no piso do estúdio, é da paleta mais avermelhada, fazendo uma referência a Marte.

Para a produção do cenário, foram utilizadas três toneladas de pallet de spray cor natural prensado, cinco toneladas de perfis de alumínio pós-industrial, cinco toneladas de panelas, uma tonelada e meia de aço inox, três toneladas de perfil de alumínio natural prensado, três de aço estrutural misto e cinco de tubos de rodas, além de cinco gabinetes de geladeira.

Figurino acompanha o conceito do reaproveitamento

Foto: Globo/Estevam Avellar

O figurino, assinado por Marie Salles, se destaca pela criatividade e objetos inusitados, como os utilizados para formar a roupa de Raul (Alexandre Zachia) e o colete do Jonas (Cauã Antunes). Para o visual do menino, Marie ressignificou as próprias coisas do personagem, inclusive a roupa, que é feita de telefone, fita cassete, peças de computador, teclado, catavento, latinha, concha, peneira, colher, baterias...Tudo de alumínio para não pesar. “Esse mundo foi ele que fez, por isso que tudo é meio mambembe. Ele é um inventor, vai consertando relógios e mistura as partes com fio de telefone, por exemplo. Tudo tem um porquê”, ressalta a figurinista.

O figurino de Raul (Alexandra Zachia) representa o plástico, considerado um grande vilão do meio ambiente. “Ele usa um poncho, que teve inspiração no Bispo do Rosário. O Raul tem uma calça do cobertor de prensado (aquele cobertor de mendigo), um boot velho todo de fita isolante e chapéu. É um homem meio viking, que usa uma cabeça de lobisomem. No sonho de Catarina, a roupa é de pelo, feito de uma pelúcia falsa. Fizemos como se ele emergisse da terra, com um quimono de atadura. Costuramos várias e fizemos o tecido, que tem folhas também”, destaca a figurinista. 

Já a família de Catarina (Melissa Nóbrega) é vintage por ser atemporal. Marie compara a uma família ideal das décadas de 50 e 60. Segundo ela, o vermelho na roupa de Catarina está relacionado ao crescer, à mudança, ao que colhe. 

‘O Natal Perfeito’ é escrito por Priscila Steinman, tem direção artística de Vinícius Coimbra e conta com Bruno Cabrerizo, Tainá Müller, Caio Blat, Alexandre Zachia, Cauã Antunes e Melissa Nóbrega no elenco, além da participação especial do bailarino Tadashi Endo. O programa vai ao ar no dia 24 de dezembro, após ‘O Sétimo Guardião’, na programação especial de fim de ano da Globo.



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