O Planeta TV

Maria Adelaíde Amaral - Autora das grandes minisséries históricas

Maria Adelaíde Amaral - Autora das grandes minisséries históricas

Maria Adelaide Amaral nasceu na cidade do Porto e mudou-se com a família para o Brasil em 1954. Começou a trabalhar aos 12 anos numa fábrica de camisas. Ingressou como jornalista na editora Abril Cultural em 1970, onde permaneceu até 1986. São Paulo foi a cidade escolhida para o surgimento da então jovem aspirante à autora, e a fonte de inspiração de muitas das suas obras.
Escreveu para a TV, entre outros trabalhos, uma versão da novela Anjo Mau, do original de Cassiano Gabus Mendes, exibida na TV Globo em 1997, e a minissérie A Muralha (inspirada no original de Dinah Silveira de Queiroz), que foi ao ar em janeiro de 2000, ambos trabalhos dirigidos por Denise Saraceni. Escreveu ainda a minissérie Os Maias em 2001, baseada na obra do escritor português Eça de Queiróz, dirigida por Luís Fernando Carvalho. E A Casa das Sete Mulheres, em 2003, dirigida por Jayme Monjardim.

Seu mais novo trabalho é a minissérie “Queridos Amigos” que estréia na próxima segunda (18/02). E, o site “O Planeta TV!”, convidou a autora para contar um pouco sobre a sua carreira.

O Planeta TV! – Em primeiro lugar, Maria Adelaide Amaral, o site agradece à sua atenção e também por conceder esta entrevista. Sua estréia em novelas foi em “Meu Bem, Meu Mal” colaborando com Cassiano Gabus Mendes. Depois trabalhou ao lado de Silvio de Abreu. Como foi começar ao lado desses grandes autores?

Maria A. Amaral – Para um autor de teatro não é tão difícil autor de televisão. Com o Cassiano aprendi o gostar e com o Silvio aprendi a técnica e o modo disciplinado de trabalhar.

O Planeta TV! – Sua primeira novela como autora titular foi o bem-sucedido remake de Anjo Mau em 1997. A partir daí, você passou a escrever minisséries. Foi uma opção? Prefere tramas curtas?

Maria A. Amaral – Não foi uma opção. Foi mero acaso. Como a muralha deu certo na esteira dela vieram as outras. Graças a deus. É claro que prefiro fazer minisséries.

O Planeta TV! – Em 2002, você chegou a desenvolver uma sinopse para a faixa das 18h, com o título provisório de "Dança da Vida", mas a obra foi proibida pela Justiça de ir ao ar, às vésperas do início das gravações, devido aos temas políticos. O que realmente aconteceu?

Maria A. Amaral – A trama era muito adulta para o horário. E foi ótimo que tivesse sido cancelada. Por conta disso escrevi a peça “Tarsila”, a minissérie “A Casa das Sete Mulheres” e no ano seguinte “Um só coração”.

O Planeta TV! – Existe a possibilidade de você voltar a escrever uma novela na faixa das 18h ou até mesmo às 21h?

Maria A. Amaral – Se me mandarem vou ter que escrever novela no horário que for determinado. ....

> O Planeta TV! – Como você avalia as telenovelas de hoje em dia? Você acha que a preocupação com a audiência está fazendo as novelas perderem a sua essência?

Maria A. Amaral – Quase não assisto novelas. Só um capítulo ou outro e não me sinto à vontade para falar sobre o que conheço tão pouco.

O Planeta TV! – Até onde vai a sua preocupação em relação ao ibope quando está escrevendo para a televisão?

Maria A. Amaral – Espero que “queridos amigos” consiga se manter no patamar de “A Casa das Sete Mulheres”, “Um só coração” e “JK”.

O Planeta TV – Você é autora das minisséries mais bem sucedidas da TV Brasileiras, tais como, JK, A Muralha, A Casa das Sete Mulheres e Um Só Coração. Ambas com um fundo histórico. Qual o segredo para uma minissérie de época? Você não teme ficar marcar por este estilo?

Maria A. Amaral – Não existe segredo. Existe trabalho duro. Pesquisa intensa e séria. Muita paixão por história. Adoraria ficar marcada como a autora das grandes minisséries históricas. Aliás acho que já estou.

O Planeta TV! – “O Maias” não foi bem aceita. Na época chegaram a acusar o diretor da minissérie Luiz Fernando Carvalho. O que você atribui para a não aceitação da trama?

Maria A. Amaral – Talvez o público não tenha se interessado pela trama ambientada em outro país. Mas atingiu em cheio a classe a e os formadores de opinião. E com todo o mérito. “Os Maias” é uma obra prima.

O Planeta TV! - Inicialmente você estava escrevendo uma história sobre Maurício de Nassau. O que aconteceu para que a TV Globo descartasse a história, obrigando você desenvolver outra sinopse?

Maria A. Amaral – Seria tão cara que se tornou inviável. Gravações na Holanda e Alemanha, barcos e armas de época, muitas batalhas e figurantes, etc. etc. Talvez o projeto seja retomado em 2010.

O Planeta TV! – Com o cancelamento de “Nassau”, você optou por “Queridos Amigos”, que estréia na próxima segunda (18/02). Conte-nos um pouco sobre este próximo trabalho.

Maria A. Amaral – Me perguntaram se eu não tinha nenhuma obra minha passível de ser transformada em minissérie. Foi o Dan Stulbach que me disse que meu romance “aos meus amigos” daria uma excelente minissérie.

O Planeta TV! – Comente um pouco sobre as histórias paralelas de “Queridos Amigos”. Quais outros temas que você pretende explorar?

Maria A. Amaral – Não existem histórias paralelas em “Queridos Amigos”. Todos os personagens giram em torno da mesma história.

O Planeta TV! – Em “Queridos Amigos”, pela primeira vez, você está escrevendo uma obra totalmente de sua autoria. Qual a maior diferença sentida até agora entre um texto próprio e uma adaptação?

Maria A. Amaral – A responsabilidade é maior em virtude dessa circunstância. O livro teve excelentes resenhas quando foi publicado no final de 1992. A minissérie deve estar no mínimo à altura dele.

O Planeta TV! – A trama se passa nos anos 70 e 80, décadas pouco exploradas na dramaturgia. É um desejo antigo retratar esta época?

Maria A. Amaral – Só retratei essa época porque é a mesma do livro.

O Planeta TV! – O protagonista Léo usa de sua doença para reconstituir antigas amizades. Você acredita que a proximidade da morte pode torna uma pessoa mais saudosista com relação ao passado e mais dependente de suas antigas relações?

Maria A. Amaral – É naturalmente que uma pessoa na eventualidade da morte pense nos momentos mais importantes e queira se aproximar de quem participou deles.

O Planeta TV! – O fato de a minissérie entrar mais tarde devido ao futebol e ao BBB a incomoda?

Maria A. Amaral – Já estou acostumada com isso desde “os maias”.

O Planeta TV! – “Queridos Amigos” terá a direção geral de Denise Saraceni. A senhora já trabalhou ela em Anjo Mau. O fato de já conhecer o seu trabalho a deixa mais tranqüila com relação à qualidade de cenas?

Maria A. Amaral – Trabalhei com ela também em a muralha. A Denise é uma profissional talentosa, inteligente e competente.

O Planeta TV! – Quais são os seus projetos para depois de “Queridos Amigos”?

Maria A. Amaral – Escrever uma peça sobre a Dercy Gonçalves para a Fafy Siqueira, inspirada na biografia que escrevi sobre ela – “Dercy de cabo a rabo”.

O Planeta TV! – Obrigado por compartilhar um pouco sobre seu trabalho e desejamos sucesso em trabalhos futuros.

Maria A. Amaral – Sucesso para vocês também. Bjssss

SOBRE A MINISSÉRIE

O maior truque de Leo
Misteriosamente, durante a confusão que acontece em sua festa, Léo, permanece sereno. De alguma forma ele sabe que aquela inevitável explosão de hostilidade é de certa forma necessária para que todos venham novamente a refazer os laços de afeto – mesmo que pouco a pouco. O desejo de resgatar o amor entre os membros da família e de ajudá-los a recuperar os sonhos e os ideais perdidos, no entanto, permanece inalterado. Com a paciência de um escultor que delicadamente talha sua maior obra-prima, Léo segue com seu plano.

Morte simulada
Depois que os amigos retornam a São Paulo, ele simula a própria morte em um acidente. Seu carro cai nas águas de uma represa e seu corpo desaparece misteriosamente. A notícia é um choque. Em meio às buscas pelo corpo, a dúvida sobre se foi acidente ou suicídio e a dor absurda perda de um grande amigo, a família acaba se reaproximando. No entanto, após uns dias, Léo reaparece, a principio para uns, depois para outros – mas sempre de uma maneira especial. Assume que não morreu e que, mesmo doente, nunca se sentiu tão vivo. Nesta caminhada, ele ajuda, com pequenos gestos e estímulos – e também alguma magia –, os amigos a voltarem a comungar de suas próprias essências.

A expectativa
A expectativa para conhecer o conteúdo da minissérie era grande e ao que parece, as chamadas na TV cumpriram o seu papel e despertaram a curiosidade geral. Mas foi mesmo durante a coletiva de imprensa, mais precisamente durante a exibição do clipe, com cerca de 10 minutos, e editado pela diretora Denise Saraceni especialmente para ocasião, que pudemos ter uma idéia mais clara do que Queridos Amigos vai mostrar do dia 18 agora até o fim de março. Pra começar, o elenco estelar. Não é qualquer produção que pode contar com uma Fernanda Montenegro, um Juca de Oliveira, uma Nathália Timberg, uma Aracy Balabanian – isso para falar apenas dos veteranos, que luxuosamente estão escalados em papéis coadjuvantes.

Sutilezas
Coadjuvantes, sim, mas como explica Fernanda Montenegro: “Com uma função muito importante na história”. Só que a lista de feras no elenco é muito maior – e isso inclui até mesmo atores desconhecidos do grande público, como Odilon Esteves, que interpreta o travesti Cyntia ou garoto Andre Luiz Frambach, que faz Davi, o filho do Léo (Dan Stulbach). Mas a minissérie promete mais ainda. Do pouco que se viu pode-se perceber a delicadeza no tratamento das imagens e das cenas, não só a preocupação estética, mas pela sutileza com que a direção – e o elenco – soube fugir das fórmulas óbvias e dos chavões. Isso fica evidente no tom dos atores, na edição que intercala cenas de ficção à outras reais – garimpadas dos telejornais de 1989 – e na emoção evidente, que transborda sem jamais ser excessiva.

Maria Adelaide se emociona
Queridos Amigos promete dar um show em todos sentidos. O que não deixa de ser um grande presente para a autora Maria Adelaide Amaral, que descreveu o que viu num discurso emocionado: “Essa é a minha vida, ou grande parte do que eu vivi. Estamos mostrando um universo de pessoas que se comportam, pensam e têm uma linguagem muito diferente dos dias de hoje. Nos anos 70 e 80, havia uma ética e você podia trair tudo, menos seu coração, seus ideais. Então, a gente não julgava ninguém e a minissérie tem essa virtude. Ela não julgará, a não ser o grande vilão da história que, evidentemente, é o torturador da Bia (Denise Fraga)”, disse Maria Adelaide, que aproveitou para agradecer o elenco. “Quero agradecer o empenho, o talento extraordinário que vocês emprestaram a cada personagem. Estou absolutamente maravilhada, é um privilégio ter a bordo pessoas como vocês”.

ESTRÉIA NESTA SEGUNDA (18/02). NA TV GLOBO.




Comentários (1) Postar Comentário

anônimo comentou:

Excelente escritora .Gostaria que a senhora lançasse a novela Anjo Mau em forma de livro. grata

Veja também