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O frenesi pelas apostas retratado nas novelas brasileiras

Em "A Força do Querer", Silvana (Lília Cabral) se entrega aos prazeres dos jogos de cassino.

por Redação, em 01/03/2021

Foto: João Cotta/TV Globo

Palco de debate de questões sociais, as novelas brasileiras trazem à tona tópicos relevantes à sociedade e, ultimamente, os jogos de azar têm sido um tema recorrente. Não é uma coincidência que o isolamento social possa ter sido responsável pelo aumento do número de jogadores em cassinos online e que o vício pelo jogo esteja sendo tão retratado pela televisão.

Uma das principais personagens que abordam a questão é Silvana, interpretada por Lilia Cabral em “A Força do Querer”. A novela, originalmente de 2017, alcançou na reprise um recorde semanal de 33,5 pontos de audiência durante sua reta final, em fevereiro deste ano. A personagem, que se recusa a admitir que tem um problema, representa milhares de pessoas que sofrem com o Transtorno do Jogo Compulsivo na vida real. Constantemente afirmando que o hábito do jogo é somente uma distração e uma válvula de escape, só vai descobrir que precisa lidar com seu vício quando a situação estiver preocupante e suas dívidas acumuladas.

Legalização das apostas no Brasil

O tema das apostas não está em pauta somente pela intensa propagação de sites de cassino e apostas em futebol, mas também pela possível iminente aprovação legal desse nicho de entretenimento no Brasil.

Segundo determinação do presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Luiz Fux, a RE 966.177 será votada no dia 7 de abril de 2021. Iniciada durante a gestão Temer, se votada, ela será responsável por regular, legalizar e liberar os jogos no Brasil.

A legalização dos jogos de azar é considerada um avanço legislativo para uns, mas uma preocupação para outros. Enquanto apoiadores argumentam que a resolução tem o potencial de trazer ganhos econômicos expressivos para o país — apoiada na geração de milhares de empregos, novos impostos e no turismo —, alguns têm medo do hábito do jogo virar um problema de dependência para o brasileiro, assim como é retratado nas novelas.

Narrativas da dependência na televisão brasileira

Interpretada por Lília Cabral, que mergulhou em histórias reais de dependência para desenvolver sua personagem, Silvana é baseada em pessoas reais. O Transtorno do Jogo Compulsivo atinge hoje cerca de 1 a 2% da população brasileira e sua prevalência é diretamente proporcional à disponibilidade de jogos.

Mas a personagem de “A Força do Querer” não é a única nas novelas brasileiras que sofre com o Transtorno do Jogo Compulsivo. Veja mais personagens retratados pela TV Globo que também trazem à televisão essa complicada questão:

  • Em Órfãos da Terra, de 2019, o personagem Miguel (Paulo Betti) era viciado em jogo. Caiu em uma armadilha de Dalila (Alice Wegmann) e Paul (Carmo Dalla Vecchia), que montaram um cassino clandestino e perdeu tanto dinheiro que foi obrigado a passar sua loja e a casa da família como pagamento da dívida, além de apanhar do agiota e ter seu neto sequestrado.

  • Já em Verão 90, também de 2019, Jerônimo (Jesuíta Barbosa) é outro personagem que não resistiu às tentações do jogo. Continuou apostando mesmo depois de forçar sua mãe Janaína (Dira Paes) a dar todo seu dinheiro, destinado a abrir seu próprio restaurante, para pagar as dívidas de jogo do filho.

  • Ainda em 2019, a novela A Dona do Pedaço também retratou um personagem com Transtorno do Jogo Compulsivo. Interpretado por Reynaldo Gianecchini, Régis chega a roubar de terceiros para cobrir suas dívidas de jogo. Mesmo após ser descoberto pela protagonista da trama, Régis ainda consegue convencê-la de que o hábito é somente por diversão e ainda que não é frequente.

  • Outra trama mais antiga, de 2016/2017 é a novela Sol Nascente, que trouxe César (Rafael Cardoso). O personagem também se envolve com uma casa de jogos clandestina e foi preso em flagrante pela polícia, logo quando estava prestes a receber uma grande quantia.

  • Em Totalmentee Demais, de 2015, Arthur (personagem de Fabio Assunção) começa a dar sinais de que sua mania de apostar passou a ser mais do que um simples hobbie, quando quase aposta sua agência de modelos se não conseguisse transformar Eliza (Marina Ruy Barbosa) na Garota Totalmente Demais.

Se a arte imita a vida, fiquemos atentos aos perigos que essas narrativas nos alertam. Jogar com moderação pode ser o segredo para se divertir com segurança e não se aventurar em atividades ilegais.


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