
O veterano autor Carlos Lombardi teve sua mais recente sinopse de novela recusada pela TV Globo. O projeto, voltado para a faixa das 19h, foi apresentado após sua participação como professor em uma oficina de formação de novos autores da emissora, na qual analisou elementos de seus próprios sucessos anteriores, como Uga Uga e Quatro por Quatro. Com a recusa, Lombardi agora pretende oferecer a história a outras empresas do setor audiovisual.
Lombardi tem uma trajetória marcante na teledramaturgia brasileira, tendo assinado sua primeira novela como autor titular em 1984, com Vereda Tropical, que teve argumento e supervisão de Silvio de Abreu, além da direção de Jorge Fernando e Guel Arraes. Quatro anos depois, veio o sucesso de Bebê a Bordo (1988), sob direção de Roberto Talma. Em 1992, escreveu Perigosas Peruas, que contou com supervisão de Lauro César Muniz e direção de Talma, Jodele Larcher e Flávio Colatrello.
Outras obras de destaque do autor incluem Quatro por Quatro (1994), Vira Lata (1996), O Quinto dos Infernos (2002), Kubanacan (2003) e Pé na Jaca (2006). Seu último trabalho na Globo foi a série Guerra e Paz, em 2008. Em 2013, ele migrou para a Record, onde escreveu a novela Pecado Mortal.
Enquanto Lombardi busca novos caminhos, outros nomes da teledramaturgia global têm seus destinos definidos. Bruno Luperi, responsável pelos bem-sucedidos remakes de Pantanal e Renascer, renovou recentemente seu contrato com a Globo. O mesmo vale para Daniel Ortiz, que finalizou as negociações com a emissora após meses de indefinição.
Já João Emanuel Carneiro, apesar da baixa repercussão de Mania de Você, segue com contrato de longa duração — pelo menos mais cinco anos — e tem novos projetos previstos. Em contrapartida, Gloria Perez optou por não renovar com a Globo. Após ter a sinopse de uma novela rejeitada devido ao tema central — o aborto —, a autora decidiu pela rescisão do contrato por obra.
Em uma publicação nas redes sociais, Gloria explicou os motivos de sua saída:
“Sobre a notícia que acabei de ler, corrijo as datas: de 1983, quando comecei colaborando com Janete Clair, até 2025 foram 42 anos. [...] Meu último contrato foi para fazer a novela que entraria depois de Vale Tudo. Sinopse aprovada, capítulos iniciais escritos, a direção considerou que o assunto 'aborto' era inadequado para as novas diretrizes que se pretende dar às novelas. Não questiono a decisão. Mas considerei que o mais conveniente para mim era não aceitar renovação e fazer a rescisão do contrato. Tudo de comum acordo. As portas continuam abertas, as minhas e as da Globo também, mas nesse momento prefiro assim.”
A decisão da Globo de recusar algumas sinopses e ajustar diretrizes editoriais tem movimentado os bastidores da teledramaturgia, abrindo novas possibilidades para veteranos como Lombardi e mostrando que, mesmo após décadas de parceria, os rumos da ficção seguem em constante transformação.
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