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"A novela não tem apenas cenas de violência", diz Tiago Santiago sobre "Amor e Revolução"

"A novela não tem apenas cenas de violência", diz Tiago Santiago sobre "Amor e Revolução"

O SBT estreia nesta terça (05/04), às 22h15, a novela “Amor e Revolução”, de Tiago Santiago, com direção de Reynaldo Boury. É a primeira trama ambientada na época da ditadura - a única produção nacional que já abordou o tema foi minissérie “Anos Rebeldes” (Globo/1992).
A história tem início com a Revolução de 64 e atravessa os “anos de chumbo” no País. Além disto, o folhetim vai levantar questões sobre as mudanças comportamentais na década, como o feminismo, o movimento hippie, as revoluções culturais no teatro, na música e na moda.

Essa é a segunda novela do autor no SBT. No ano passado escreveu o remake de "Uma Rosa com Amor".
Em entrevista exclusiva ao O Plantea TV!, Tiago Santiago conta um pouco sobre seu novo trabalho:

Como surgiu a ideia da sinopse de "Amor e Revolução"?

Tiago Santiago – A vontade de escrever sobre a época da ditadura era antiga. A síntese desta nova versão surgiu depois de muito pensar, instado a apresentar projeto de novela nova no SBT.

É verdade que essa sinopse foi apresentada à direção da Rede Globo?

Tiago Santiago – É verdade que eu e Herval Rossano apresentamos à direção da Globo a ideia de uma novela que se passava na época da ditadura, mas era outra sinopse.

A novela tem como tema a ditadura militar. Você viveu essa época? Onde buscou inspirações para o tema?

Tiago Santiago – Nasci em final de abril 1963. Tinha menos de um ano quando se deu o golpe militar. Porém passei a infância e boa parte da juventude sob o governo dos militares, sem poder votar. A inspiração vem de casos da vida real, ainda que eu esteja fazendo ficção.

O folhetim retratará histórias reais de pessoas que viveram essa época?

Tiago Santiago – O folhetim trabalhará com personagens ficcionais, simbólicos, representantes de categorias que jogaram papéis importantes na época, tais como militares, policiais, estudantes, guerrilheiros, advogados, jornalistas, professores, artistas, líderes sindicais e outros. Pessoas reais serão citadas constantemente, sempre que forem fatos notórios, de conhecimento público, ou seja, citações factuais da História do Brasil.

Quais são os principais fatos e datas marcantes do período da ditadura, entre 1965 e 1984, que serão abordados na trama?

Tiago Santiago – Abordar o período entre 1964 e 1972 é o projeto inicial desta novela, obra aberta, portanto sujeita a mudança. Vou falar do que já escrevi. Começo com representação simbólica do conflito entre um grupo paramilitar de caça aos comunistas e um movimento que pretende instaurar a guerrilha no Brasil, ainda antes de 1964. Depois vou para antecedentes do golpe; deflagração; incêndio da UNE; primeiras prisões e torturas; Costa e Silva se denominando Comandante Supremo; o Ato Institucional 1; Castelo Branco assumindo a Presidência; cassações; expurgos. No momento, estou projetando o AI-2, em outubro de 1965, por volta do cap 50. Quero chegar ao AI-5, em fim de 1968, por volta do cap. 100; e à guerrilha do Araguaia, no final da novela.

Como as cenas de torturas serão apresentadas na trama? O horário das 22h e a classificação etária para maiores de 14 anos permitirão uma melhor abordagem?

Tiago Santiago – O horário e a classificação indicativa são totalmente compatíveis com o teor da trama. O pau de arara, a cadeira do dragão e outros instrumentos de tortura serão mostrados pela primeira vez em novela. Não trabalharemos com nudez total, que era característica dos interrogatórios sob tortura, apenas nudez parcial, para evitar problemas com o horário..

Como característica, todo folhetim traz uma grande história de amor. Conte-nos um pouco sobre os desafios que os protagonistas Maria (Graziella Schmitt) e José (Claudio Lins) enfrentarão para serem felizes.

Tiago Santiago – Ela é de família de comunistas. Ele é filho de general da linha dura. Ela quer fazer a revolução socialista no Brasil. Ele é um major que trabalha para a Inteligência do Exército, apesar de ser democrata por convicção. Tudo é muito difícil para este amor. E no entanto, vão se amar muito, ao longo destes anos, com direito a muitas separações forçadas, por exemplo, quando ela vai treinar guerrilha em Cuba, e ele fica mais de um ano sem notícias dela, e acaba se envolvendo com Miriam (Thais Pacholek). Ela também tem outro grande apaixonado, o dramaturgo de esquerda Mario (Gustavo Haddad).

E os vilões? O que o público pode esperar deles?

Tiago Santiago – Tenho grandes vilões: o general linha dura Lobo Guerra (Reynaldo Gonzaga); o major Filinto (Nico Puig), totalmente psicopata; o delegado torturador Aranha (Jayme Periard); o também inspetor torturador Fritz (Ernando Thiago), entre outros vários vilões agentes brutais da repressão, como os investigadores do DOPS Couto (Marcelo Reis), Cabral (Rafael Morpanini), Cardoso (Marcelo Camargo) e o major Borges (Roberto Skora). Vilões não faltam. Alguns vão até morrer antes do fim.

Conte um pouco sobre as tramas paralelas, que muitas vezes se sobressaem.

Tiago Santiago – A trama de Jandira (Lucia Verissimo) e Batistelli (Licurgo) não é bem paralela, está diretamente colada à trama central, já que são na ficção um casal de revolucionários comunistas muito procurados pela repressão, ao mesmo tempo que são padrinhos da protagonista romântica Maria (Graziella Schmitt), responsáveis por levá-la muito cedo para a luta armada.

É verdade que a trama terá cinco personagens gays?

Tiago Santiago – Vamos ver. Temos uma lésbica assumida, a advogada Marcela (Luciana Vendramini); uma jovem lésbica ainda não assumida, a estudantes Marta (Dani Moreno); um diretor de Teatro bissexual, enrustido, o Francisco Duarte (Carlos Thiré); e um policial bissexual sádico, também enrustido, o Fritz (Ernando Thiago), que nem se vê como homossexual. Todos os outros personagens aparecem com orientação heterossexual. Isto por enquanto, porque pode haver mais surpresas para a frente.

A paixão da Dra. Marcela (Luciana Vendramini) pela amiga de infância, a jornalista Marina (Giselle Tigre) promete ser um dos destaques da novela. Há a possibilidade de o casal dar o primeiro beijo gay em uma novela brasileira?

Tiago Santiago – O beijo entre as mulheres já foi escrito, gravado e vai ao ar, porém Marina, apesar de aceitar o beijo, não vai adiante, porque não se vê numa relação sexual com outra mulher. É a história de uma grande paixão, não correspondida.

Você apostou na contratação de Reynaldo Boury para a direção geral. O que podemos esperar desta parceria?

Tiago Santiago – Uma grande novela muito bem realizada pelo Boury, que é uma das pessoas que mais sabe fazer novelas, no Brasil e no mundo.

O SBT não propõe um contrato longo aos atores e, mesmo assim, a produção reuniu um bom elenco para "Amor e Revolução". Comente sobre esse processo de seleção.

Tiago Santiago – A escalação beira a perfeição e foi resultado de um trabalho conjunto meu, do Boury e do Sergio Madureira. Madu, querido amigo recém-partido, ajudou muito a trazer de volta para as novelas grandes nomes, que ansiavam por esta oportunidade de bons papéis, num bom projeto, como Claudio Cavalcanti, Lucia Verissimo, Licurgo, Jayme Periard, Fatima Freire, Mario Cardoso, Giselle Tigre, Glauce Graieb, Caca Rosset, apenas para citar os que estavam mais tempo longe dos folhetins, entre outros grandes nomes, de ótimos artistas, que voltam a trabalhar conosco nesta novela.

Cenas de torturas da novela foram divulgadas com antecedência no Youtube. Isso foi estratégia da emissora ou alguém as disponibilizou sem autorização?

Tiago Santiago – Não sei como as cenas de tortura foram parar no youtube, não sei de onde partiu esta iniciativa, quem a gerou, portanto não posso me pronunciar. A minha preocupação na época foi dizer que a novela não tem apenas cenas de violência, tem também cenas de muito romantismo, beleza, leveza e até graça, como houve na vida, durante os anos 60, apesar dos governos militares e do distanciamento da democracia.

A princípio a imprensa noticiou que "Amor e Revolução" teria seus primeiros capítulos gravados em Cuba, mas a emissora concluiu que o custo seria bastante elevado. É verdade?

Tiago Santiago – Não é verdade. Nunca houve planos de gravar em Cuba. Desde a sinopse, e está lá escrito isso, há previsão na trama de treinamento de guerrilha em Cuba, porém com projeto de gravações deste trecho da novela aqui no Brasil mesmo.

É verdade que você teria pedido pessoalmente a Silvio Santos para que a novela fosse exibida às 22h e que estreasse com poucos capítulos gravados? Qual argumento usou para convencer o patrão?

Tiago Santiago – É verdade que a novela foi projetada para passar depois das 22h, por encomenda do SBT. Também é verdade que argumentei com o Silvio a favor do modelo da novela como obra aberta, gravando e sendo escrita ao mesmo tempo que é exibida, como se faz nas outras emissoras, de modo a conseguir melhor resultado e máximo impacto sobre a audiência.

Seu objetivo é estrear a novela com poucos capítulos escritos para, caso necessário, ajustá-la de acordo com a reação do público. A trama, prevista para estrear em março, foi adiada para abril. Você continuou escrevendo normalmente? Estreará com quantos capítulos à frente da exibição?

Tiago Santiago – Vou estrear com 50 caps escritos. Ainda acho muito, mas é bem melhor do que 90, que viraram 100 na edição, de "Uma Rosa Com Amor".

Quais as suas expectativas em relação à repercussão na mídia e audiência de "Amor e Revolução"? Tem alguma meta pessoal?

Tiago Santiago – A repercussão na mídia já é grande antes da novela estrear. Creio que vai aumentar muito com a novela no ar. Sobre a audiência, a minha expectativa mínima é melhorar bem a audiência no horário das 22h; e a minha expectativa máxima é chegar à liderança e ajudar a alavancar o horário noturno do SBT, criando um novo marco de sucesso, que propicie novos investimentos do Silvio Santos no mercado de novelas brasileiras.

Qual é a sensação de disputar a audiência com Alexandre Avancini (seu parceiro na Record), que dirigirá a nova novela da Record?

Tiago Santiago – Avancini se tornou um dos meus melhores amigos e é um dos profissionais de TV por quem tenho mais respeito nesta vida. Sei que ele vai fazer o melhor que puder, como sempre. Estou acostumado a concorrer com amigos, desde que enfrentei meu querido ex-chefe Carlos Lombardi, com "Prova de Amor" vs "Bang Bang". Também respeito muito a autora Cris Fridmann, que foi escolhida por mim para ser a autora titular de "Bicho do Mato", que supervisionei. Eles vão estrear um mês depois de mim. Minha amizade com Avancini permanecerá inabalada, com certeza, apesar da concorrência. Temos projetos de voltar a trabalhar juntos no cinema, já que no momento não podemos em TV, por estarmos em emissoras diferentes.

Nos últimos anos, as novelas vêm apresentando queda em seus índices de audiência. Como você avalia essa fase? Acredita que o público está mais exigente ou o surgimento de novas mídias justifica os números?

Tiago Santiago – Veja bem: as novelas da Globo começaram a cair de audiência na medida em que cresceu a concorrência, não apenas de novelas em outras emissoras, mas também das novas mídias, que permitem que a novela seja vista até na internet. Por outro lado, nunca houve tantas novelas no ar, tanta gente contratada, e o mercado da teledramaturgia de forma geral continua em expansão. Portanto não há crise nas novelas, muito pelo contrário.

Sua última novela na Record foi a saga "Os Mutantes", que conquistou excelentes índices de audiência contra a novela das nove da Globo. Na época foi alvo de duras críticas da imprensa, principalmente de jornalistas do grupo O Globo. Hoje, esses críticos elogiam os robôs, dinossauros e andróides de "Morde & Assopra". Como você vê a postura desses jornalistas?

Tiago Santiago – O tempo conta melhor as histórias do que qualquer escritor(a) jamais será capaz de fazer. Hoje eu sorrio quando vejo alguém criticar "Os Mutantes". A saga entrou pra história da TV e fez bonito, nos seus 600 caps. Foi a maior empreitada contínua em telenovela da história do Brasil, com atores que seguiram do primeiro ao último capítulo, com momentos de brilho e apogeu que abalaram o horário nobre, marcando dezenas de horas na liderança, no horário das 22h, e fazendo muito bonito depois que foi para o horário das 21h. Vou seguindo meu caminho, fazendo meu trabalho, sorrindo para quem critica, sem querer mal a ninguém. Num determinado momento, julguei conveniente me defender, porque senti que havia campanha orquestrada para tentar formar opinião de que o produto não tinha qualidade, o que obviamente não é verdade. Hoje não preciso mais me defender e fiz as pazes até com meus críticos. Tenho consciência de que estou fazendo o melhor que eu posso. Isso é o que importa para mim.

Seu contrato com o SBT vai até 2013. É verdade que os executivos da Record teriam sondado o seu retorno?

Tiago Santiago – Ouvi dizer que se fala na Record sobre uma intenção de me recontratar, futuramente, através de uma jornalista que teria ouvido isso de alguém da alta direção de lá, porém vou cumprir fielmente meu contrato com o SBT até 2013, já que as bases foram muito satisfatórias, ao contrário do que ia acontecer na Record, depois do fim de "Os Mutantes". Com minha saída do ar, ia ter uma brutal queda de ganho, o que me fez entabular nova negociação.

E a vontade de integrar o time de autores na Globo continua?

Tiago Santiago – A Globo ainda é líder absoluta de audiência e maior produtora e exportadora de novelas do país. Tenho uma história de 22 anos de trabalho na Globo, com grandes amigos e muitos conhecidos lá. Porém tenho contrato com o SBT para mais duas novelas depois de "AMOR E REVOLUÇÃO", uma em 2012, outra em 2013; e o SBT tem prioridade para renovação, na época de término do presente contrato; desde que sua oferta não seja superada por nenhuma concorrente. O que vai acontecer em 2013 temos que esperar para saber. Desejo estar vivo e bem e cheio de vontade de continuar a trabalhar, até lá, se Deus quiser.

"Amor e Revolução" estreia nesta terça (05/04), às 22h15, no SBT!




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