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Contagem regressiva: a partir da próxima segunda, "Nos Tempos do Imperador"

Conheça a trama e os personagens da nova novela das seis.

por Redação, em 03/08/2021
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Selton Mello. Foto: Divulgação/TV Globo

Mais de 30 anos se passaram após a Proclamação da Independência. O país em construção, ainda na formação de um Império, deu lugar a um Brasil em busca de identidade e progresso. O ano é 1856, e Dom Pedro II (Selton Mello), o líder que persegue esses ideais. Garantir a integração da nação e ampliar os horizontes do povo, investindo na educação, seriam as chaves para o futuro, na sua visão. ‘Nos Tempos do Imperador’, a próxima novela das seis, que estreia no dia 9 de agosto, é a primeira novela totalmente inédita desde o início da pandemia do coronavírus. A obra, ambientada no Rio de Janeiro, mostra personagens que, assim como Dom Pedro II, são movidos por grandes causas. Ao lutarem por suas paixões, acabam impactando toda a sociedade.

Nesse contexto, o público vai acompanhar a saga do casal Pilar (Gabriela Medvedovski) e Jorge/Samuel (Michel Gomes). Ambos travam batalhas pessoais para mudar seus destinos. Ela quer ser médica, mas vive em uma sociedade que não aceita que mulheres estudem. Ele quer viver em uma cultura mais igualitária, pois é negro e perseguido diante de sua condição de ex-escravizado. Suas trajetórias se cruzam com as dos personagens históricos Imperador Dom Pedro II, a Imperatriz Teresa Cristina (Leticia Sabatella) e Luísa, a Condessa de Barral (Mariana Ximenes).

A trama, escrita e criada por Alessandro Marson e Thereza Falcão, e com direção artística de Vinícius Coimbra, é uma história de amor e esperança, com elementos históricos, que remetem aos dias atuais. “Vamos trazer uma mensagem de responsabilidade com o país. Dom Pedro II tinha muito essa noção. Olhava para o Brasil e pensava o que poderia fazer para melhorar. Era muito bem formado, sabia o valor da ciência, da educação. Era um abolicionista, com um olhar para o Brasil muito responsável e interessante. A novela vai passar isso para as pessoas”, ressalta o diretor artístico, Vinícius Coimbra.

Para o autor Alessandro Marson, a novela traz a mensagem de que é possível promover ações positivas e usar o poder para o bem. “Vamos falar sobre a importância de pensar no coletivo e não no desejo individual. É tão rico isso! Você estar em um lugar de poder e conseguir usar isso para o bem”, destaca. Já a autora Thereza Falcão reforça que a novela vai inspirar com personagens corajosos, destemidos, que lutam por seus sonhos e defendem suas escolhas: “Somos donos da nossa história. Vamos mostrar o quanto a luta pessoal de cada um atinge a todos que estão à volta e gera transformações”.

Da mesma equipe de criadores da novela ‘Novo Mundo’, exibida pela Globo em 2017 e reprisada em 2020, que retratou um país nascendo, com a chegada da família real portuguesa, ‘Nos Tempos do Imperador’ agora aborda um Brasil já sólido, com um Imperador brasileiro, educado neste país, que vai colocar todo o seu conhecimento a serviço da pátria.

O Imperador do povo

Dom Pedro II (Selton Mello) precisou assumir cedo a responsabilidade com a política. Com apenas cinco anos, dois dias após a volta de seu pai, Dom Pedro I, para Portugal, com o intuito de disputar a coroa portuguesa, tornou-se Imperador do Brasil, sob regência. A mãe, Leopoldina, morreu quando Pedro tinha um ano, e sua educação foi conduzida por preceptores. Teve sólida formação, muito focada em alta cultura, ciência e tecnologia. A administração do Brasil ficou a cargo de regentes, até que, aos quatorze anos, com a Lei da Maioridade, foi declarado apto a assumir a coroa.

Foto: Globo/João Miguel Júnior

Muito jovem e sem os pais presentes, precisou amadurecer rápido e aprendeu que, antes de pensar em si mesmo, deveria colocar o país à frente dos seus sonhos. Na Corte, ficou conhecido como o Imperador viajante, pois buscou percorrer o extenso território brasileiro, de forma a manter a unificação do Brasil.

Casou-se por procuração com Teresa Cristina (Leticia Sabatella), fruto de um acordo político com a Casa Dinástica Europeia de Bourbon, visando garantir a sucessão ao trono, e só a conheceu depois. No entanto, aprendeu com ela os valores do casamento, da amizade e da família. Juntos, são pais de Leopoldina (Melissa Nóbrega/ Bruna Griphao) e Isabel (Any Maia/ Giulia Gayoso), lutam por um país mais justo, igualitário, com oportunidades na educação e nas artes para toda a população, mas enfrentam um caminho cheio de obstáculos.

Em uma de suas viagens com a Imperatriz pelo Brasil, recebe a visita de Solano López (Roberto Birindelli), comandante das tropas do Paraguai, que invade o Brasil sem anunciar, e pede a mão da princesa Isabel em casamento. O objetivo é selar um acordo entre Paraguai e Brasil contra a Argentina e o Uruguai. O encontro assusta o Imperador, que logo decide voltar ao Rio de Janeiro para pedir o apoio do Congresso na formação de um exército, já que sentiu a ameaça nas palavras de Solano ao negar seu pedido, e teme um possível ataque ao Brasil.

Além disso, precisa preparar as filhas para assumirem suas responsabilidades como membros da família real. Para ajudar na formação delas, convida Luísa (Mariana Ximenes), a Condessa de Barral, para ser a preceptora das meninas. Ele precisava de uma pessoa capaz de passar todas as noções de etiqueta, educação, assim como um conhecimento vasto do mundo às meninas, e recebeu a indicação da Condessa por meio de sua irmã, Francisca, que a conheceu na Europa. A Condessa é um grande exemplo de mulher, preparada para a função: é moderna, educada no exterior, domina diversos assuntos e sabe muito bem aonde quer chegar. Bem relacionada, é capaz de dominar qualquer assunto, além de ter tido acesso a um mundo que Dom Pedro II não teve a oportunidade de conhecer por toda sua responsabilidade com o Brasil. Ao conhecê-la, o Imperador se vê arrebatado por sua força e beleza.

Foto: TV Globo/João Miguel Júnior

O sonho de Pilar

Se a Condessa de Barral será um exemplo de atitude revolucionária na Corte, a trama também traz uma personagem com esse vigor entre as cidadãs comuns da época. A jovem Pilar (Gabriela Medvedovski) enfrenta, desde pequena, o peso de ser uma mulher do século XIX. Determinada, tenta convencer o pai Eudoro (José Dumont), fazendeiro e coronel da Bahia, a deixá-la estudar. Viúvo, ele criou sozinho ela e a irmã, Dolores (Júlia Freitas/ Daphne Bozaski).

Pilar passou anos em um convento, onde estudou e teve ainda mais a certeza de que queria ir em busca do sonho de se tornar médica, um objetivo quase impossível na época, visto que as mulheres eram proibidas de ingressar nas faculdades. Enquanto isso, a irmã Dolores sofreu com sua ausência, mas sempre pode contar com o seu amor.

Quando as meninas ainda eram bem pequenas, Eudoro prometeu casar Pilar com Tonico (Alexandre Nero), futuro candidato a Deputado pela Bahia, filho de seu compadre, coronel Ambrósio (Roberto Bomfim). A união seria vantajosa para ambas as famílias, pois permitiria aumentar o número de terras na região e somar forças, visando os interesses pessoais dos coronéis.

A ideia era que o casamento acontecesse quando os dois estivessem mais velhos, para o desespero de Pilar. Ciente da chegada de Tonico para o casamento e da ameaça de perder sua liberdade, ela revela à irmã seu plano de fugir em busca de seu maior sonho. Pilar quer chegar à Faculdade de Salvador para tentar convencer a banca de que é apta a cursar Medicina como outros homens da sua idade.

A chegada de Tonico

E, para impedir que Pilar consiga atingir seu objetivo, o personagem Tonico não medirá esforços. Ele conheceu Dom Pedro II quando ainda eram crianças. Na ocasião, agrediu o Imperador e foi expulso da Corte por desrespeitá-lo. Com raiva da atitude do filho e por perder regalias no governo, o coronel Ambrósio (Roberto Bomfim) mandou o menino para Pernambuco, onde passou anos estudando e se formou em Direito. Seu colega de turma e único amigo é Nélio (João Pedro Zappa), filho de João Batista (Ernani Moraes) e Lota (Paula Cohen), e irmão de Bernardo (Gabriel Fuentes), que vivem em Pindamonhangaba, mas sonham com títulos de nobreza.

Tonico viveu sem a presença materna e distante do pai. Ao longo dos anos, carregou um sentimento de inveja por Dom Pedro II e sempre usou Nélio para se dar bem, inclusive nos estudos. Ainda acredita que um dia tomará o lugar de Dom Pedro II e se tornará o Imperador do Brasil, como se isso fosse possível. Ao chegar à fazenda da família, depois de anos em Recife, Tonico se depara com o pai morto, fato que o desestrutura e muda seus planos. Ele passa a dedicar toda a sua energia para ir atrás do homem acusado de matar seu pai – sem saber que se trata do seu irmão bastardo, Jorge (Michel Gomes). Isso, somado aos objetivos de se tornar Deputado pela Bahia e de se casar com Pilar (Gabriela Medvedovski) guiarão suas atitudes e artimanhas ao longo da trama.

A luta de Jorge/ Samuel

Filho bastardo do coronel Ambrósio (Roberto Bomfim) com uma mulher escravizada, Jorge (Michel Gomes) luta para se tornar livre, como a maioria dos negros que vive na mesma situação. Ele foi escravizado pelo próprio pai durante um tempo e vendido depois, o que provocou a separação de sua irmã. Mas o desejo de reencontrar a jovem nunca ficou para trás, e ele decide procurar o pai para cobrar notícias dela. Recebe a informação de que ela foi vendida para um mercador no Rio de Janeiro. No entanto, durante a discussão com o coronel, uma tragédia acontece, e ele é acusado de um crime que não cometeu.

Decidido a ir em busca da irmã na Corte e para salvar sua própria vida, foge com a roupa do corpo. No caminho, é atingido por tiros dos jagunços que o perseguiam e nem imagina que atrás dele está o seu irmão Tonico (Alexandre Nero), filho legítimo de Ambrósio, que acaba de chegar à Bahia. Mas o destino está a favor dele. Ferido e muito fraco, recebe a ajuda de Pilar (Gabriela Medvedovski), que seguia a caminho de Salvador.

O encontro de Pilar e Jorge/ Samuel

Foto: TV Globo/João Miguel Júnior

Pilar aprendeu sobre primeiros socorros quando esteve no convento e consegue dar uma assistência determinante, que salva a vida de Jorge (Michel Gomes). No encontro, surge um interesse imediato de um pelo outro. Mas é preciso seguir viagem. Pilar, apesar de resistir aos encantos do jovem, se preocupa com o estado de saúde dele. É neste momento de angústia que aparece a Condessa de Barral na mesma estrada, a quem Pilar suplica ajuda ao rapaz.

A Condessa e Pilar se conhecem do Recôncavo Baiano, onde suas famílias possuem terras. Na base da confiança estabelecida entre as duas, Luísa prontamente atende ao pedido da jovem, levando Jorge para sua fazenda. Diante da realidade da escravidão e para a segurança de Jorge, ela precisa dar a ele uma nova identidade. Com isso, através de um documento entregue pela Condessa, ele passa a se chamar Samuel e se torna um homem livre.

A força da Condessa de Barral

Luísa está na Bahia com o marido Eugênio (Thierry Tremouroux) e o filho Dominique (Thor Becker) para o enterro de seu pai, Dom Domingo. Dono de uma fazenda na região, ele era conhecido por abrigar negros escravizados fugitivos e por dar alforria aos seus. A Condessa tinha em seu pai um exemplo de homem e estava dedicada a cuidar de sua saúde. Sua morte chamou a atenção dos coronéis vizinhos, interessados em comprar as terras que Luísa herdou. Firme, ela nega as propostas e mantém o legado de Dom Domingo, tomando as rédeas da administração da propriedade.

Ainda em casa, recebe a carta do Imperador Dom Pedro II a convidando para ser preceptora de suas filhas, as princesas Isabel (Any Maia/ Giulia Gayoso) e Leopoldina (Melissa Nóbrega/ Bruna Griphao). Cheia de orgulho, se honra com o convite e começa a preparar a mudança da família para a Corte. Jorge/ Samuel (Michel Gomes), com quem Luísa desenvolve uma cumplicidade durante a estadia em sua residência, é convidado para a viagem rumo ao Rio de Janeiro, onde tentará localizar a irmã e recomeçar a vida, longe das perseguições de Tonico (Alexandre Nero).

A fuga de Pilar

Pilar consegue chegar à faculdade, mas seus planos são interrompidos por seu pai. Eudoro vai atrás da filha em Salvador e a leva arrastada de volta para casa. Mas ela não desiste e arma uma nova fuga para o dia do casamento. No momento da cerimônia, foge sem deixar pistas, mas não impede a ira de Tonico, que, ao perceber que foi deixado sozinho no altar, é possuído por um desejo de vingança. Com isso, Eudoro precisa dar conta da dívida moral com Tonico, uma vez que o negócio do casamento não se concretizou. Ele afirma não querer mais Pilar como noiva e, em troca, pede a mão de Dolores, que ainda é uma criança, em casamento.

A chegada da Condessa à Corte e o encontro com Dom Pedro II

Luísa (Mariana Ximenes) segue viagem com Jorge/ Samuel (Michel Gomes) e a família. Já instalada com a família em sua nova casa na Corte, ela oferece uma quantia em dinheiro para que Samuel possa começar a vida na cidade. Em seguida, a Condessa vai até a Quinta se apresentar para Dom Pedro II. Ao lado de Eugênio, conhece a Imperatriz Teresa Cristina (Leticia Sabatella) e as filhas dos Imperadores, suas futuras alunas. Ao ficar frente a frente com a Condessa, Dom Pedro II é tomado por um encantamento diante da forte presença da preceptora. Sua beleza, atitude, elegância e inteligência chamam a atenção de todos e mexe com os desejos mais profundos do Imperador. Teresa percebe o comportamento do marido, mas, em nome da família, mantém a discrição e observa a aproximação dos dois.

A vida de Jorge/ Samuel no Rio de Janeiro e a acolhida na Pequena África

Samuel consegue se adaptar bem no Rio de Janeiro e promete pagar sua dívida com a Condessa de Barral assim que começar a trabalhar. No entanto, vive o preconceito por ser negro. A escravidão ainda era uma realidade muito latente na época: muitos negros passavam por maus tratos e, para a maioria, a única chance de sobrevivência era a fuga, mesmo que arriscada. Se não bastasse isso, Samuel sofre ainda com a patrulha exagerada do policial Borges (Danilo Dal Farra), com quem tem um mal-entendido logo nos primeiros dias. A abordagem ríspida é presenciada por Dom Olu (Rogério Brito), considerado o Rei da Pequena África, reduto dos negros livres na cidade à época. Muito respeitado por Dom Pedro II, ele interfere na discussão e afirma que Jorge é um dos moradores do local. Diante disso, o policial o solta, mas não vai desistir de prejudicá-lo.

A partir desse momento, Dom Olu apresenta a Pequena África ao mais novo cidadão do Rio de Janeiro. Vivendo nos Zungús, moradias coletivas, os negros libertos ou fugitivos que precisavam de proteção se ajudavam e mantinham os costumes, como a fabricação do angu, que era vendido aos escravizados da cidade, e os cultos religiosos. Lá também fica localizado o Cais do Valongo, por onde chegavam os navios com os negros vindos da África, e depósitos movimentados por causa do café, que empregavam a maior parte dos homens. Assim que Jorge/ Samuel revela tudo sobre seu passado, inclusive a mudança de identidade, Dom Olu faz o convite para que ele more no local com sua família: a esposa Cândida (Dani Ornellas) e a filha, Zayla (Alana Cabral/ Heslaine Vieira).

Além de conseguir um lugar para abrigá-lo, eles ainda lhe arranjam um trabalho como entregador, ajudando a vizinha Abena (Mary Sheyla), que é lavadeira e esposa de Balthazar (Alan Rocha), seu mais novo amigo. Nas andanças pela cidade, Jorge/ Samuel encontra uma viola e decide consertá-la. Com um talento nato e autodidata para a música, faz uma parceria com Balthazar e, juntos, começam a ganhar dinheiro com a arte.

O reencontro de Pilar e Jorge/ Samuel

Já com dinheiro suficiente para pagar o que deve à Condessa, Jorge/ Samuel decide procurá-la para agradecer por sua liberdade e contar as novidades. Durante a visita, enquanto aguarda Luísa (Mariana Ximenes), atende a um chamado na porta: é Pilar, para a surpresa de ambos. A emoção dos dois é recíproca, e o destino dá uma nova chance a eles. Dessa vez, não irão desperdiçar.

Pilar está chegando da Bahia, de onde fugiu mais uma vez das garras do pai, e busca o apoio de Luísa, que tem proximidade com Dom Pedro II, para conseguir uma bolsa de estudos. No encontro, além desse pedido, ela e Samuel revelam à Condessa como se conheceram e se apaixonaram. Luísa fica feliz com a coincidência e acolhe Pilar em sua casa. Luísa promete ajudar a jovem e apoia o relacionamento do casal.

Não demora muito, e a Condessa apresenta Pilar e Jorge/Samuel ao Imperador. Após o encontro decisivo, Dom Pedro II, comovido, lutará de todas as formas para ajudar os dois na realização dos seus sonhos, o que fará igualmente pelo Brasil. Já Pilar e Samuel, movidos pela paixão que nutrem um pelo outro, também têm o desejo de fazer a diferença na vida das pessoas, vencendo as barreiras impostas às mulheres e aos negros naquela época.

A vingança de Tonico e a separação de Pilar e Jorge / Samuel

Enquanto Pilar e Jorge/ Samuel vivem uma vida tranquila no Rio de Janeiro, Tonico segue com o desejo de vingança. Cada vez mais próximo de Dolores (Júlia Freitas/ Daphne Bozaski), ele acaba descobrindo que Pilar está namorando Jorge e prepara uma armadilha para separar o casal. Já candidato eleito pela Bahia, convida a futura família – Eudoro e sua noiva –para ir com ele até a Corte assistir à cerimônia de posse. Na ocasião, faz com que Dolores minta à irmã que Jorge/ Samuel tem um caso com Luísa (Mariana Ximenes), provocando o ciúme de Pilar, o que culminará na separação do casal.

Mesmo diante de um pedido de casamento de Jorge/ Samuel, ela acredita na revelação de Dolores e opta por aceitar o convite de Dom Pedro II para estudar Medicina nos Estados Unidos, com direito a uma bolsa. O jovem fica arrasado com a decisão da amada e decide tomar outro rumo na vida. Abandona a música, pede a ajuda do Imperador e vai estudar para se tornar Engenheiro e ser aceito na sociedade.

Cenografia retrata a Corte e o Brasil da segunda metade do século XIX

Com ambientes que retratam o Brasil da segunda metade do século XIX, ‘Nos Tempos do Imperador’ mantem alguns dos cenários utilizados na novela ‘Novo Mundo’, mas que sofreram as ações do tempo, como o Palácio da Quinta. O cenógrafo Paulo Renato, que também assinou a cenografia da primeira trama, é o responsável pelo trabalho, ao lado de Paula Salles. Nesta nova empreitada, eles têm o desafio de ultrapassar as três décadas que separam as duas novelas. Para isso, criaram novos ambientes para retratar os avanços do Brasil.

Com uma área de 8,2 mil metros quadrados nos Estúdios Globo, a cidade cenográfica da novela vai reproduzir as regiões cariocas da Rua do Ouvidor, da Pequena África, interligada com o Cais do Valongo, além do Passeio Público e a orla, que foi urbanizada e passou a ser frequentada na época. A cidade foi separada em dois espaços muito distintos visualmente: o novo, urbanizado, comercial; e o da Pequena África, empobrecido, envelhecido, antigo e colonial. O primeiro é o que Dom Pedro II gostaria de traçar para o Brasil; o segundo, representa a realidade que vinha se perpetuando.

Na trama, a estrutura urbana é ladeada por calçadas ainda de pedra e caixa coletora do esgoto pluvial e doméstico. Nesse período, com o processo de modernização, há fornecimento de gás para a iluminação da cidade, ainda que restrito a alguns pontos, como o Passeio Público e a Rua do Ouvidor. A época é marcada pelo início das edificações grandes e, por isso, na Rua do Ouvidor há construções de três andares, com uso misto: comércio embaixo e residência em cima, com dimensão bem próxima do real e reprodução das imperfeições encontradas nas referências. “Às vezes, beiram à desarmonia, mas tentamos traduzir isso e trazer como o registro de uma época”, reforça o cenógrafo.

A Pequena África é o núcleo culturalmente rico. “Estamos fugindo da imagem simples do negro escravizado, porque a diversidade da cultura negra nesse período da cidade era imensa. Poetas, advogados, uma pequena parcela que frequentou faculdade e teve espaço na sociedade viviam na região. As pessoas que circulavam na rua tinham uma identidade cultural muito forte, com origens em diversos locais da África”, conta o cenógrafo. Na região, o cenário está caracterizado com uma pintura mais degradada, com pouca manutenção. As construções têm muitos cômodos para uso multifamiliar, semelhantes a algumas visitadas pela equipe, com lotes compridos e coloniais. Nos cenários do núcleo, haverá poucos utensílios, pois os moradores da região não tinham quase nada. No entanto, os detalhes da arte mostram a riqueza da cultura africana. “A ancestralidade vai estar nos objetos, no altar, na religião”, enumera a produtora de arte Flávia Cristófaro. Ela destaca como curiosidade deste núcleo o trabalho do artista plástico de Pernambuco Luis Benício, convidado para ser o ghost sculpture que desenvolveu as máscaras em madeira de Dom Olu (Rogério Brito).

A novela vai contar também com cenários grandiosos, que ocupam boa parte do estúdio, como o Palácio da Quinta, onde Dom Pedro II vivia com a família, que ganha uma nova roupagem. No Segundo Império há bastante alteração, e o palácio fica mais sóbrio, pois passou por reformas ao longo dos anos, desde quando Dom João VI o encontrou. “Atendemos à mesma estrutura familiar, em um processo de passagem de tempo. Estou levando a cabo a construção da mesma estrutura do cenário com outra interpretação, roupagem, forração, cortina e cor”, diz Paulo.

Na Quinta, há uma austeridade, como em ‘Novo Mundo’, mas dessa vez mais arrojada, pela seriedade e erudição de Dom Pedro II (Selton Mello), que achava um absurdo gastar dinheiro à toa. Nos utensílios de uso da família, predomina a prataria gasta. “Tudo que compro é sempre direcionado a mostrar a austeridade do Imperador. As peças em prata, por exemplo, não são limpas, para manterem um tom escurecido”, ressalta Flávia.

Dom Pedro II e Teresa Cristina tinham um acervo próprio dentro do palácio. Para reproduzir as peças, que até setembro de 2018 podiam ser vistas no Museu Nacional do Rio de Janeiro, que incendiou, foram realizadas pesquisas através de documentos da Biblioteca Nacional, onde estão as descrições do museu. Muitos objetos foram reproduzidos na fábrica de cenários dos Estúdios Globo. “Alugamos algumas peças, mas 70% do material foi produzido nos Estúdios”, conta Flávia.

A produtora de arte explica ainda que não houve alteração no número de itens do cenário, mas que a forma de gravar tem sido um pouco diferente em virtude da pandemia. “Seguimos todos os protocolos de segurança, mas sem perder a essência da nossa trama. Em cena, às vezes, alguns objetos como livros, cartas ou mapas passariam pelas mãos de vários personagens. Mantivemos essas cenas, mas mudamos a forma de gravá-las: fazemos com um personagem do elenco por vez e, a cada troca de mãos daquele item, fazemos todo o processo de higienização. Isso torna o processo mais demorado, claro, mas não perdemos em nada ao retratar o que queremos”, explica.

No cenário da Condessa de Barral (Mariana Ximenes), um palacete, a nobreza é misturada com simplicidade, para dar o ar de aproximação. “Ela recebe Pilar (Gabriela Medvedovski) e Samuel (Michel Gomes) em sua casa, sem preconceito, e isso a torna uma pessoa muito humana. Temos que conseguir mostrar luxo sem ostentação, refinamento e humanidade”, contextualiza Paulo. A personagem monta a decoração a partir da necessidade da mudança, com seus hábitos e gostos de nobreza clássica. Segundo a pesquisa feita pela equipe, a Condessa recebia semanalmente produtos importados europeus, como louça, prataria e móveis. O serviço na casa dela é à francesa e, por isso, há um cuidado maior com as peças e na forma de servir. Os objetos são sempre com dourado e têm os melhores acabamentos, com o design mais arrojado para a época.

Ao contrário da Condessa, Tonico (Alexandre Nero) é o personagem que tenta ostentar, mas não sabe usar peças caras e típicas da nobreza. “Ele é o corrupto, vem com o dinheiro de herança do pai, mas é um cara tardio, sempre tentando fazer manobras”, descreve o cenógrafo. Em sua casa, a produção de arte optou pelos metais rústicos, como o cobre e o estanho.

Foto: TV Globo/Globo/João Miguel Júnior

Rusticidade também é a marca do cenário da Taberna dos Porcos, que existia em ‘Novo Mundo’ e pontua também a passagem dos anos entre as duas novelas. Continuará sendo uma taberna muito antiga e em ruínas, por isso há muito reaproveitamento dos utensílios do cenário anterior.

Além dos cenários nos Estúdios Globo, a trama teve gravações, antes do início da pandemia, em locações externas na Chapada Diamantina, na Bahia, para as cenas das expedições de Dom Pedro II e Teresa Cristina, e em fazendas em Barra do Piraí e Rio de Flores, no Rio de Janeiro. Lá, em três fazendas grandiosas, foram gravadas cenas importantes dos núcleos das famílias de Luísa (Mariana Ximenes), Tonico (Alexandre Nero) e Pilar (Gabriela Medvedovski). Nas propriedades, originalmente produtoras de café, a cenografia fez pequenas interferências para retratar uma realidade do Nordeste, em uma época mais colonial. “Fizemos pequenas alterações em função do technicolor, tratamento que será usado na novela. Retiramos esquadrilhas modernas e alteramos alguns tons para ficar mais adequado. Pintamos paredes e fachadas para dar um toque de vivência. Foi um desafio e uma escolha muito acertada para a questão estética da obra”, conta Paulo. Nessas casas, há uma ausência da presença feminina, pois os personagens são viúvos, como é o caso dos coronéis Eudoro (José Dumont) e Ambrósio (Roberto Bomfim). Há muito dinheiro e pouco refinamento, o que será percebido nos detalhes como a louça, que mistura porcelana e barro, e a decoração simples dos cômodos.

A cultura da época no figurino sustentável e na caracterização realista

Com mais de 35 anos de carreira, cerca de 50 novelas na TV Globo, sendo 15 delas retratando o século XIX, Beth Filipecki assina, com Renaldo Machado, o rico figurino de ‘Nos Tempos do Imperador’. Por se tratar de uma história fictícia, mas com alguns personagens reais, o compromisso do figurino é com a honestidade. Segundo Beth, assim como a trama e as demais áreas de produção, a intenção é que, com base nas pesquisas e na história real, o público tenha a oportunidade de ver figurinos da época e conheça mais sobre os personagens. A produção das roupas é toda feita nos Estúdios Globo, sendo 70% do material oriundo do acervo, que passa por uma customização em função dos tons da novela. “Fizemos um reaproveitamento total do acervo, mas mexemos nesse original. Também estamos evitando produzir lixo. Tecemos os fios na medida, e estamos construindo um figurino sustentável”, destaca Beth. Outra curiosidade é que cada personagem feminina tem uma cor predominante nas roupas, de acordo com seu perfil.

Em parceria com o figurino, a caracterização da novela é conduzida por Lucila Robirosa, responsável por manter o tom épico e realista dos personagens. Uma atenção à essência de cada personagem foi fundamental para a composição do visual como um todo. No caso de Dom Pedro II (Selton Mello), fica claro que foi um homem que não priorizava a roupa ou o visual. A caracterização do personagem foi inspirada em fotos históricas e promete chamar a atenção do público. “Selton usa lentes azuis claras e terá momentos diferentes a cada passagem de tempo. Mais novo, estará com a sobrancelha marcada e barba castanha. Na fase seguinte, Selton quase não usa caracterizações. Após a Guerra do Paraguai, se perceberá um envelhecimento, com o cabelo branco e uma longa barba branca, que demora quatro horas para ser preparada”, detalha Lucila. Beth complementa: “Dom Pedro II tinha uma aparência mais austera, sem interesse na competição da moda, mas cultuava barbas, bigode, um símbolo de masculinidade. Fazia questão de ter um traje puído e conquistar seu lugar através do trabalho”. Já a Imperatriz Teresa Cristina (Leticia Sabatella) segue o estilo comedido do Imperador, com vestidos em tom azul e diferentes perucas, que variam o penteado. A princesa Leopoldina (Melissa Nóbrega/Bruna Griphao) surge de lilás, e Isabel (Any Maia/Giulia Gayoso), de azul claro.

A Condessa de Barral (Mariana Ximenes), por sua vez, foi criada para que tivesse muita distinção, vivesse e soubesse se portar em qualquer lugar, assim como se vestir em diferentes ocasiões, sem exageros. Mariana Ximenes escureceu o cabelo para interpretá-la, usa lentes escuras e conta com cinco perucas diferentes, que mudam de acordo com os penteados. Os vestidos da Condessa são de seda pura, mais sofisticados, em tons predominantemente verdes. Através da pesquisa ampla feita pela equipe, seu figurino busca traduzir o empoderamento da mulher também nas roupas da época, o que é representado nos trajes da jovem Pilar (Gabriela Medvedovski), por exemplo. A personagem é mais despojada e não usa espartilhos. O amarelo é a cor escolhida para ela, em tecidos mais rústicos e com elementos masculinos, simbolizando sua luta por espaços que, na época, não eram das mulheres. “Ela representa a luz solar, a ideia da esperança, o que reproduz a liberdade. É progressista, está com a cabeça voltada para ser a primeira médica do Brasil. Junto com a irmã Dolores (Daphne Bozaski) foi criada sem mãe e sem afeto, por isso construímos um figurino mais seco, sem bordados, enquanto estão na fazenda”, conta Beth.

Na época, as classes em ascensão procuravam imitar os padrões dos grupos mais elevados, o que poderá ser visto nos figurinos de personagens como Jorge/Samuel (Michel Gomes). No início da trama, ele é um homem escravizado, até ser ajudado pela Condessa de Barral (Mariana Ximenes), quando passa a usar as vestimentas de Eugênio (Thierry Tremouroux): camisa, calça, chapéu e sapato. Por isso, ao chegar à Corte, ele aparenta ser um proprietário rural e não um homem da cidade. Na sequência, após ser acolhido por Dom Olu (Rogério Brito), na região da Pequena África, vai usar roupas com elementos africanos. Neste núcleo, o conceito de liberdade passa por todos os personagens. Segundo a figurinista, o trançado do cabelo e nos tecidos representa a prisão. Quando as personagens se tornam livres, soltam as tranças, os nós e usam roupas mais soltas. “Temos a oportunidade de mexer nas roupas no corpo desses personagens para refletir seus níveis de liberdade”, detalha Beth.

Tonico (Alexandre Nero) é outro personagem cujo figurino passa por uma mudança, sempre retratando sua esquisitice. Quando está na fazenda, usa muitas peças em couro e outros materiais pesados, está sempre de botas. Quando chega à Corte e é eleito Deputado, começa a se preocupar mais com a aparência.

Essa mudança de visual com a chegada à cidade ganha ares cômicos na interpretação do casal João Batista (Ernani Moraes) e Lota (Paula Cohen). Recém-chegados do interior, compram tudo o que é novidade, mas têm de aprender a usar, sempre buscando seguir o exemplo da nobreza. Lota não está natural com suas roupas, parece usar uma armação. Batista passa por isso também. Não sabe ficar dentro das roupas e estranha. “Lota vai ter perucas e apliques diferentes. Era a época do cabelo dividido ao meio e os cachos. Ela usa roupas com recortes em andares, crinolina, armação de baixo, mas toda caracterização da Família Pindaíba representa o exagero”, completa Beth.

Outro núcleo divertido que chama a atenção pelo figurino e a caracterização é o dos personagens Licurgo (Guilherme Piva) e Germana (Vivianne Pasmanter), que dão continuidade ao sucesso de ‘Novo Mundo’ e herdam as roupas da produção anterior. “Eles estão mais velhos, enrugados, maltratados, mas continuam porcos, sujos. Representam o que resta, mas com muita energia. A gente manteve tudo o que trouxeram, mas com adaptações. No lugar da roupa de cima, agora Germana está de ceroula. Temos todo cuidado e carinho com esses dois personagens”, explica Beth. Vivianne Pasmanter usará uma peruca inteira e grisalha, diferente dos apliques da novela anterior. Além disso, terá manchas, pelos no rosto e verruga. Já Licurgo (Guilherme Piva) estará careca e com psoríase na cabeça. Ambos estarão quase sem dentes, com dentaduras. Com tantos efeitos, a dupla leva cerca de três horas para se caracterizar.

Entrevista com os autores Alessandro Marson e Thereza Falcão

Os autores. Foto: Divulgação/TV Globo

Thereza Falcão é natural do Rio de Janeiro, escritora, autora e diretora teatral, além de roteirista de televisão. Iniciou sua formação na Faculdade de Teatro da Universidade do Rio de Janeiro (UNIRIO) e em cursos do Teatro Tablado. Escreveu, em parceria com Julio Fischer, o musical “Emilinha e Marlene, as Rainhas do Rádio” e, com Alessandro Marson, a comédia “ A Invenção do Amor”. Adaptou para o teatro os romances “A Mulher que escreveu a Bíblia”, de Moacyr Scliar e “Memórias de Adriano”, de Marguerite Youcenar. Desde 1999 é roteirista da Globo, onde já escreveu diversos programas e novelas, como ‘Correndo Atrás’, ‘Sítio do Pica-Pau Amarelo’, ‘O Pequeno Alquimista’, ‘Toma Lá Dá Cá’ e colaborou nas novelas ‘O Profeta’, ‘Cama de Gato’, ‘Cordel Encantado’, ‘Avenida Brasil’, ‘Joia Rara’ e ‘A Regra do Jogo’. Escreveu ainda o livro infantil "A História de um Desenho" (2004) e teve sua estreia em novelas como autora titular em ‘Novo Mundo’, ao lado de Alessandro Marson.

Nascido em Campinas, Alessandro Marson é formado em Jornalismo pela PUC (1992), fez especialização na ECA da USP e cursou roteiro no Instituto de Pesquisa da Telenovela (1998). Fez também a Oficina de Dramaturgia e a Oficina de Humor na Globo (2000). É roteirista, com passagens por programas infantis como ‘X-Tudo’, ‘Cocoricó’ e ‘Sítio do Pica-Pau Amarelo’. Em novelas, colaborou em sucessos como ‘O Profeta’, ‘Desejo Proibido’, ‘Araguaia’, ‘Flor do Caribe’, ‘Cordel Encantado’, ‘Avenida Brasil’, ‘Joia Rara’ e ‘A Regra do Jogo’. Também assinou o musical ‘Garota de Ipanema’ e o longa ‘Apaixonados’ (2016) e teve sua estreia em novelas como autor titular em ‘Novo Mundo’, ao lado de Thereza Falcão.

‘Nos Tempos do Imperador’ já tinha data de estreia marcada, capítulos gravados e fomos assolados por uma pandemia mundial. O mundo parou. Como vocês receberam a notícia de que as gravações teriam de ser interrompidas e que a estreia seria adiada?

Thereza – Nossa maior preocupação foi continuar escrevendo. Foi um choque ficar sem saber até quando iríamos escrever sem saber quando lançaríamos. Esse foi o pior momento, mas nunca paramos de escrever.

Alessandro – Fomos informados da interrupção e que ‘Novo Mundo’ entraria como reprise. Não se sabia quanto tempo ela ficaria no ar, se dois, três meses, ou se passaria a novela inteira. Continuamos escrevendo. Quando foi chegando perto do final de Novo Mundo – e a novela passou inteira – foi anunciada uma nova reprise. Foram três reprises e um ano e meio se passou. Quando a gente se tocou que essa pandemia podia durar um tempo maior, a gente falou “vamos escrever a novela até o final”. Porque uma vez que a gente começa o processo de escrever, é pouco produtivo parar e depois retomar. Seria muito difícil parar, por exemplo, no capítulo 80 e, daí a seis meses, voltar para o 81 como se nada tivesse acontecido. Não dava para fazer isso, continuamos trabalhando sem parar.

Mais de um ano depois, teremos a estreia de ‘Nos Tempos do Imperador’. Como vocês receberam a notícia da definição da estreia?

Alessandro – Foi o melhor sentimento possível, foi como ter uma sinopse aprovada! A sensação é mais ou menos essa, quando a gente recebe aquele e-mail de que a novela vai rolar.

Thereza – A novela ir para o ar agora é um fôlego. Dá um pouco a sensação de que as coisas vão voltar ao normal.

Vocês estrearam como autores titulares juntos, em ‘Novo Mundo’. A novela foi um sucesso. Como surgiu a ideia de ‘Nos Tempos do Imperador’?

Thereza – Quando viemos com a primeira proposta, em ‘Novo Mundo’, brincamos dizendo que daria uma trilogia: Dom Pedro I, Dom Pedro II e Princesa Isabel. E, no final de ‘Novo Mundo’, recebemos a encomenda da segunda novela. Começamos a trabalhar nela no início de 2018, pesquisando e garimpando a história para entender o contexto e o recorte que a gente usaria. Dom Pedro I é muito diferente de Dom Pedro II. Isso já foi um desafio. Então, fizemos o recorte a partir da chegada da Condessa de Barral (Mariana Ximenes), em 1856, e vamos até a Guerra do Paraguai, que termina em 1870.

Então podemos dizer que é uma continuação de ‘Novo Mundo’?

Thereza – É uma continuação porque temos o Dom Pedro II (Selton Mello), mas é uma novela de estilo muito diferente, por mais que seja escrita por nós. ‘Novo Mundo’ era mais fabulosa e essa tem o pé mais no chão. O caso da Condessa de Barral (Mariana Ximenes) com Dom Pedro II é muito complexo. Barral não é uma vilã. Ela pode ser uma antagonista na vida da Teresa Cristina (Leticia Sabatella). Toda a parte política da novela é complexa. São momentos difíceis do Brasil.

Alessandro – Dom Pedro I tinha 22 anos em ‘Novo Mundo’. Falávamos de um Imperador juvenil. Agora vamos falar de um homem de 40 anos. Só nesse fato vemos que as histórias são diferentes.

O que o público pode esperar de ‘Nos Tempos do Imperador’?

Thereza – O público pode esperar uma novela de muita emoção e bastante afetiva. Falamos de diversas formas de amor. Do amor romântico, do amor não-realizado, do amor pela família, pelo país, pelos seus ideais, pelos seus semelhantes. Traz dramas intensos e fortes, com personagens carismáticos, queridos e lutadores, de uma forma geral.

Alessandro – O público vai se emocionar, vai se divertir, vai sofrer e dar risada, vai sentir raiva... Escrevemos para todo mundo e a emoção é um jeito de falar com todos. Acreditamos muito nisso.

O roteiro inicial dos textos teve que ser modificado? Houve necessidade de encurtamento ou de muitas mudanças de cenas / núcleos após a retomada das gravações?

Thereza – Em 155 capítulos é impossível encurtar história. Tem algumas mudanças, claro. Por exemplo, o Cassino (um dos núcleos da novela) não poderá “bombar” em momento nenhum. São adaptações que fomos fazendo.

Alessandro – A principal mudança foi estrutural. Por exemplo, quando planejamos a sinopse, a gente achava que a Guerra do Paraguai duraria uns dois meses, mas fomos colocando essas cenas para as últimas três, quatro semanas da obra. A Guerra estará acontecendo desde o capítulo 100, mais ou menos, mas a gente vê as cenas de guerra mesmo a partir do cento e trinta e poucos. Avaliamos que seria mais prudente deixar mais para frente. É inevitável: numa cena de Guerra, a gente precisa de pessoas. Enxugamos esse período, mas conseguimos fazer a Guerra e isso é um ganho. Ficamos bem satisfeitos com a forma como conseguimos mantê-la, pois ela tem grande importância na história, não é algo pontual.

Qual a principal mensagem de ‘Nos Tempos do Imperador’?

Thereza – É uma história de ideais, superação, reconhecimento, da procura pelo seu lugar no mundo. Existe toda uma sociedade que é contra aquelas pessoas e elas estão lutando para se afirmarem, lutando pelos seus ideais. Acho que todos esses sentimentos, o amor e o idealismo, são inerentes ao ser humano. E falam com todas as línguas. Trazemos muito a reflexão sobre o quanto a escolha de uma pessoa atinge a todos.

Alessandro – A novela fala de conquistas, batalhas, vitórias, derrotas, escolhas e sacrifícios. A figura de Dom Pedro II (Selton Mello) é emblemática da política construtiva e mostra que é possível fazer um governo que pense no coletivo, que use essa posição de poder para fazer coisas positivas.

Sobre a Pequena África: sabemos que o resgate do local se deu após a obra recente de reestruturação do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, e, na novela, usaremos esse nome. Por que decidiram dar destaque à região?

Thereza – Resolvemos usar exatamente porque é como se conhece hoje. Foi um reduto muito grande desses negros libertos e fugitivos que conseguiam se misturar aos outros, havia quilombos ali, interceptação de negros fugidos para outros quilombos, próximos ao Rio de Janeiro. A grande importância é a convivência de todos, porque havia negros de vários locais da África. E esse encontro era algo muito poderoso para se tentar manter uma identidade, no momento em que tudo o que não se queria era uma identidade negra. As discussões são grandes nesse sentido, extremamente válidas e necessárias na atualidade. O papel da Pequena África dentro dessa novela é mostrar esse reduto, de pessoas livres e cúmplices entre si. Sempre se falou dos escravizados em novelas, mas nunca se falou desse núcleo que começa a acontecer, que é liberto, conquistou sua liberdade, ganhou sua alforria, são pessoas livres.

Alessandro – A Pequena África é um bairro muito grande que abrange grande parte do centro do Rio de Janeiro, próximo ao Cais, onde moravam vários negros que não eram escravizados. Eram pessoas que tinham conquistado sua liberdade. Queremos mostrar um resgate da cultura africana.

Entrevista com o diretor artístico Vinícius Coimbra

O diretor. Foto: TV Globo

Há 21 anos na TV Globo, o diretor artístico Vinícius Coimbra trabalhou em minisséries e novelas como ‘Sabor da Paixão’ (2002), ‘Celebridade’ (2003), ‘JK’ (2006), ‘O Profeta’ (2006), ‘Três Irmãs’ (2008) e ‘Queridos Amigos’ (2008). Ao lado de Dennis Carvalho, assinou a direção-geral das novelas ‘Insensato Coração’ (2011), de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, e ‘Lado a Lado’ (2012), de João Ximenes Braga e Cláudia Lage, que ganhou o Emmy Internacional de melhor telenovela (2013). O diretor também comandou a 21ª temporada de ‘Malhação’ (2013). Em 2015, lançou dois filmes: “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”, vencedor do prêmio de melhor filme no Festival do Rio e “A Floresta que se Move”, com Ana Paula Arósio e Gabriel Braga Nunes no elenco. Como diretor artístico assinou recentemente a minissérie ‘Ligações Perigosas’ (2016), a novela ‘Liberdade, Liberdade’ (2016) e ‘Novo Mundo’ (2017), ao lado dos autores Thereza Falcão e Alessandro Marson, com quem repete a parceria nesta novela.

Em março do ano passado, quando a novela estava quase estreando, as gravações tiveram que ser interrompidas por conta da pandemia. O que você pensou na época? Achou que seria um por um período tão longo?

Vinícius – Não imaginei que fosse durar tanto tempo assim. Achava que não seria rápido, sempre tive uma impressão de que a gente voltaria em outubro. Na época, em fevereiro do ano passado, fiz uma viagem e, na Europa, a pandemia já estava muito avançada. Quando voltei para o Brasil, no final de fevereiro, já estava de máscara. Tinha uma coisa acontecendo na Europa que não estava passando no Brasil. Naquela época disseram que as gravações seriam suspensas. Eu achava que demoraria, mas não que estrearíamos apenas em agosto do ano seguinte, a ainda sem ter acabado a pandemia.

O retorno ao set ocorreu mais de seis meses depois, seguindo uma série de protocolos de segurança. Como foi essa volta? Qual era o seu sentimento, como você via que estavam a equipe e o elenco em retomar esse projeto?

Vinícius – Voltamos para o set em novembro. A gente tinha muita confiança no protocolo que a Globo estava adotando, era muito seguro. De alguma forma, todos fomos nos sentindo seguros ali dentro – equipe, elenco, direção, apoio.

A novela retorna agora, em agosto, com grande parte da obra gravada. Como tem sido o período de gravações?

Vinícius – Tivemos um processo na gravação que foi inédito. Normalmente, a gente estreia com 18 capítulos gravados. Ficamos trabalhando em torno de 10-12 capítulos por semana de gravação. E agora, por conta das vezes que algumas cenas foram penduradas (as com muitos figurantes, por exemplo, ou por afastamento de atores idosos, que evitamos gravar em alguns períodos), montávamos um roteiro para otimizar a gravação que às vezes envolvia 60 capítulos de diferença. Gravávamos o 80 no mesmo dia do capítulo 28. Isso é difícil para os atores, para a direção, para a continuidade de uma maneira geral. Saber o que a pessoa estava sentindo nos capítulos 28 e 80, resgatar a emoção nesse espaço todo de tempo. Há aí uma passagem de oito anos. Isso foi um desafio inédito que os atores estão passando ainda. A gente ainda grava, às vezes, com diferença de 40 capítulos, no mesmo dia, mesmo cenário. Estamos aprendendo a fazer novela dessa forma.

Qual a principal mensagem de ‘Nos Tempos do Imperador’? O que o público pode esperar da novela?

Vinícius – Vamos trazer uma mensagem de responsabilidade com o país. Pedro tinha muito essa noção, olhava muito para o Brasil e pensava o que poderia fazer para melhorar. Era muito bem formado, sabia o valor da ciência, da educação. Um abolicionista, um ufanista, com um olhar muito interessante para o Brasil. O público pode esperar histórias bonitas e românticas, aventura, conteúdo histórico, sofrimento, mas, principalmente, muita emoção e muita conexão com o Brasil.

Podemos dizer que ‘Nos Tempos do Imperador’ é uma continuação de ‘Novo Mundo’?

Vinícius – Sim. Vou até usar uma cena do nascimento do Dom Pedro II (Selton Mello), filho de Dom Pedro I e Leopoldina, que gravei. Temos links entre uma obra e outra, mas os temas dessa novela são diferentes e estamos em outra fase.

Como foi a escalação do elenco?

Vinícius – Vi o Selton entrando ao vivo em um programa com o irmão, Danton Mello. Achei bonita a conversa deles, se emocionaram. Deixei uma mensagem e Selton falou que estava à disposição. Falei que tinha um papel. Conversamos e ele me disse que queria fazer o Dom Pedro II. Ele teve uma visão ali e contribuiu para o crescimento do personagem. Assisti ao trabalho do Michel Gomes em uma série e queria desde o primeiro momento que fosse o Jorge/ Samuel. Também pensei na Gabriela Medvedovski desde o início, pois seu carisma chamou a atenção em ‘Malhação’, que eu assistia do switcher na época de ‘Novo Mundo’. Ficamos com três das atrizes daquela temporada: Heslaine Vieira, Daphne Bozaski e ela, todas maravilhosas. A volta de Licurgo (Guilherma Piva) e Germana (Vivianne Pasmanter) foi ideia minha. Eles são muito queridos e cumprem a função de conectar as duas tramas. Mariana Ximenes e Letícia Sabatella são grandes nomes que vão tocar o público, cada uma à sua maneira. Estou muito feliz com a escalação que fizemos.

Como está sendo retomar a parceria com Thereza Falcão e Alessandro Marson?

Vinícius – Eles são maravilhosos, autores instigados. Não estão apenas querendo fazer um sucesso. Eles querem contar a história do Brasil, o que eles fizeram dar certo em ‘Novo Mundo’. Nas pesquisas com grupos de discussão, as pessoas diziam que adoravam saber da história do nosso país. São autores que conseguem fazer isso, e não é fácil.

Quais os diferenciais estéticos desta novela? Quais referências vocês buscaram?

Foto: Divulgação/TV Globo

Vinícius – ‘Nos Tempos do Imperador’ tem um conceito estético forte, muito inspirado no nascimento da cor no cinema. Fizemos pesquisa em cima do conceito do cinema Technicolor, laboratório que desenvolveu uma técnica de colorizar os filmes, do final dos anos 30 até os anos 80. A gente se inspirou nessa época com o filme ‘...E o Vento Levou’, de 1939. Vimos muitos filmes de Hitchcock, entre outros, desse momento, que eram bem marcantes e tinham um tratamento da cor e da natureza da luz um pouco mais dura. Além disso, o pintor austríaco Thomas Ender foi uma inspiração para a abertura da novela, e o quadro “Batalha do Avaí”, de Pedro Américo, uma referência nas cenas da Guerra do Paraguai.

O que você destaca na cenografia?

Vinícius – Não aproveitamos a cidade cenográfica de ‘Novo Mundo’, o que foi bom, porque o Rio de Janeiro mudou muito. Essa novela conta essa mudança. Do Rio mais arcaico para a cidade com a Rua do Ouvidor, o comércio, a influência francesa. Vamos mostrar uma cidade com iluminação pública, com o Passeio Público e com a Pequena África.

Como será a trilha sonora?

Vinícius – Neste trabalho, resolvi mesclar um pouco composições modernas com orquestrais. As composições clássicas e românticas da época ganharam arranjos mais modernos, fruto do trabalho do nosso produtor musical Sacha Amback. Temos temas cantados, diferente de ‘Novo Mundo’, em que tudo era composto, além de clássicos da MPB. Estou buscando ser bastante ufanista e valorizar nossa cultura através da trilha.

"Nos Tempos do Imperador" estreia na próxima segunda, dia 9, em substitutição de "A Vida da Gente", a partir das 18h15.


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