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Totalmente Demais: A viagem no tempo de Felipe Silcler

o ator aproveita a quarentena para rever os trabalhos que marcaram sua trajetória na tevê.

por Redação, em 04/07/2020

Foto: Globo/Renato Rocha Miranda

Uma viagem entre os séculos. É assim que Felipe Silcler classifica seus trabalhos. Atualmente ele faz uma dobradinha na tevê. No fim da tarde, o ator pode ser visto em cena em pleno século XIX quando circula desenvolto pela corte como Libério, o jornalista revolucionário de ‘Novo Mundo’. A época, o figurino, os trejeitos e o modo de falar são o oposto do personagem que ele interpreta em ‘Totalmente Demais’.

Na trama das sete, ele é Cascudo, um jovem briguento e pavio curto, que está sempre metido em confusão. Ajudante do tio numa oficina de desmanche de carros, o estudante começa a ter um novo horizonte após conhecer o professor Montanha (Toni Garrido). Grande incentivador é ele quem ajuda Cascudo a canalizar as energias para o esporte. “Se os dois estivessem na mesma época, o Libério lutaria para ajudar o Cascudo a ter novas oportunidades e a crescer na sociedade. A semelhança entre eles foi ter algo externo que os ajudaram a crescer. No caso do Libério, a oportunidade de ter estudado, e no caso do Cascudo, além da escola foi o acesso ao esporte”, compara o ator de 29 anos. A redenção através do esporte vai, aos poucos, transformando a vida do rapaz que precisa lidar com a desconfiança da família da namorada Jéssica (Lellê) e com os maus tratos do tio Durão (Paulão Duplex).

‘Totalmente Demais’ é criada e escrita por Rosane Svartman e Paulo Halm, com direção-geral de Luiz Henrique Rios e direção de Marcus Figueiredo, Noa Bressane, Luis Felipe Sá, Thiago Teitelroi.

Entrevista com Felipe Silcler

Qual foi a sua reação ao ver que a novela voltaria à grade no cenário atual? Como é reviver aqueles momentos?

Fiquei muito feliz, ainda mais num momento em que a maioria das pessoas estão isoladas em casa. Muita gente que não conseguiu acompanhar na época está tendo a oportunidade agora. E reviver tudo isso com um olhar de distanciamento foi meu primeiro grande trabalho no audiovisual. De lá para cá eu tive outras experiências então é interessante observar esse amadurecimento.

O que significou ‘Totalmente Demais’ em sua carreira?

Para mim foi um marco. Foi minha primeira novela. Aprendi muito e através dela tive muitas outras portas abertas na carreira. Fui bastante feliz nesse processo. Estou acompanhando a novela e redescobrindo muitas coisas que na época passaram despercebidas.

Você tem alguma lembrança marcante/divertida da época?

Sim. Tenho várias lembranças na minha cabeça. Tudo era muito novo para mim... fazer audiovisual e ainda num produto de alcance nacional como uma novela. Foi através desse trabalho que pela primeira vez as pessoas passaram a me reconhecer nas ruas. Minha arte chegou a lugares que eu nem imaginava. Recebia e recebo até hoje muitas mensagens do público, inclusive de outros países.

Como você define o Cascudo?

Um menino que a princípio era taxado como uma pessoa ruim e que não tinha boas perspectivas. Mas quando foi lhe dada uma oportunidade, ele aproveitou ao máximo e deu um novo rumo para sua vida. É aquele personagem que tem uma virada incrível na trama e que faz muita gente repensar seus julgamentos. Muita gente passou a admirar e torcer pelo Cascudo.

Além de ‘Totalmente Demais’, você também está em ‘Novo Mundo’. Dose dupla na TV. É possível comparar os dois personagens? Quais seriam as principais semelhanças e diferenças entre eles?

Foi uma surpresa e felicidade em dose dupla. Acho que ambos os personagens trazem a representatividade negra para a cena, cada qual em sua época e a sua maneira. O Libério vem com o privilégio de ter o seu lugar de fala escutado. Ele tinha prestígio e usava o jornal para defender as suas ideias e lutar pelos seus pares. Já o Cascudo era o contrário. O personagem precisava de alguém que lutasse por ele. Se os dois estivessem na mesma época, o Libério lutaria para ajudar o Cascudo a ter novas oportunidades e a crescer na sociedade. Mas ambos possuem a semelhança de ter algo externo que os ajudaram a crescer. No caso do Libério foi a oportunidade de ter estudado e no caso do Cascudo além da escola foi a acesso ao esporte. Sem a educação e esporte a vida dos dois seria bem diferente.

Novelas distintas, de épocas diferentes e com linguagens bem características. O que mais chama a sua atenção nesses dois personagens?

O que me chama atenção nos dois é a coragem. No Libério ele usa a coragem para ajudar os seus irmãos de cor, ele é um “justiceiro” que utiliza como arma os artigos do seu jornal e a influência que tem na corte. O Cascudo é um menino que tem um coração bom, mas que precisava de uma oportunidade e que quando lhe deram, ele aproveitou. E me chama atenção a coragem que ele teve para não desistir mesmo enfrentando o tio e todos os preconceitos que vinham com o fato dele ser sobrinho desse cara mal visto no bairro.

O público consegue identificar você atuando nas duas novelas?

É muito engraçado porque algumas pessoas demoram a perceber que sou eu que faço os dois personagens. Muita gente ainda não identificou. E quando percebem ficam impressionados. Eu sempre recebo esse tipo de mensagem, de pessoas surpresas que descobriram que o Libério e o Cascudo são feitos pelo mesmo ator. Adoro essa versatilidade que a carreira me proporciona. Amo fazer personagens diferentes um do outro.

Como está sendo a sua rotina em tempos de quarentena?

Tenho procurado usar o tempo pra me reinventar e descobrir coisas novas. Tem dias que são mais fáceis e bem produtivos e outros mais difíceis. Mas acho que essa oscilação é normal no momento. Estou vivendo esse período no Rio de Janeiro em casa com os meus pais. Eu sou muito ansioso e não ter a perspectiva de quando tudo isso vai acabar e como vai ser o pós Covid-19, me deixa muito inseguro

Há algo que você redescobriu nesses tempos de quarentena ou novos hábitos adquiridos?

Eu voltei a escrever. Sempre gostei de rascunhar algumas coisas, poemas, contos...Mas com a falta de tempo do dia a dia eu tinha parado. Estou escrevendo muito e finalmente resolvi assumir a responsabilidade de escrever o texto do meu espetáculo, um monólogo para o teatro, que eu estava adiando há muito tempo e sempre ficava na espera de alguém para escrever para mim.

Quais são os seus planos pós pandemia?

Acho que não dá pra planejar muita coisa. Acredito que essas reprises vão me abrir muitas portas e que novos convites e oportunidades vão surgir pós pandemia. Torço por isso. Meu foco é me dedicar a esse espetáculo solo. Mas não sabemos como vai ser o futuro do teatro também. As coisas estão muito incertas. Mas tenho esperança que vamos sair de tudo isso muito melhor que entramos. A arte sempre resiste a qualquer crise.

Com informações da Comunicação Globo.


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