A CNN Brasil quer ampliar sua presença fora da TV por assinatura e transformar o sinal aberto em uma nova frente nacional. Seis anos depois de sua fundação, o canal de notícias liderado por Rubens Menin negocia com emissoras locais para montar uma rede de televisão aberta pelo país.
A operação ainda está em fase de costura, mas já envolve conversas avançadas com TVs do Sul e do Sudeste. O grupo ligado ao dono da construtora MRV trabalha com a possibilidade de colocar a nova rede no ar no segundo semestre deste ano, antes das eleições presidenciais, ou, no limite, nos primeiros meses de 2027.
O plano inicial mira presença em 20 capitais. Entre os acordos já encaminhados, estão transmissões em São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis, Belo Horizonte e Vitória. Caso a expansão siga como projetada, a CNN Brasil calcula alcançar de 80 a 100 milhões de pessoas.
A ambição de médio prazo é chegar a todas as regiões do país. Para a empresa, o movimento ajudaria a ocupar um espaço que ainda não teria sido consolidado por um canal de notícias em rede nacional aberta, apesar da existência da Record News, lançada com sinal aberto em 2007.
Nos bastidores, o projeto ganhou força a partir de uma leitura feita por Menin e por executivos da empresa sobre o momento do jornalismo da Globo. A percepção interna é de desgaste da emissora com parte do público, o que teria aberto espaço para a CNN Brasil buscar uma presença mais ampla.
A avaliação também é embalada por uma pesquisa da Reuters divulgada nesta semana. O levantamento apontou a CNN Brasil como a marca de maior credibilidade do jornalismo na TV brasileira, enquanto a Globo apareceu em sexto lugar, atrás de SBT e Record, por exemplo.
O avanço para a TV aberta coloca a CNN Brasil em uma disputa diferente daquela enfrentada no ambiente pago. A emissora passaria a depender de presença local, formação de rede e acesso direto ao público fora da assinatura, em uma tentativa de transformar credibilidade jornalística em capilaridade nacional.
A apuração é do jornalista Gabriel Vaquer, da Folha de S.Paulo, e indica que a disputa por relevância no jornalismo televisivo pode ganhar um novo capítulo fora da TV paga.
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