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'Ó Pai, Ó' aposta em fórmula que deu errado no cinema

por jeferson, em 18/10/2008

'Ó Pai, Ó' aposta em fórmula que deu errado no cinema

O filme Ó Pai, Ó não teve uma boa aceitação em São Paulo e o ibope das emissoras de TV é medido justamente na cidade. Mesmo assim, a Globo parece começar a perceber que o gosto do paulistano nem sempre expressa o gosto do brasileiro e, em parceria com a Dueto Filmes, aposta na série Ó Pai, Ó, baseada no longa de Monique Gardenberg.

A história protagonizada por Lázaro Ramos, com seis episódios, estréia no próximo dia 31 de outubro, após o Globo Repórter.

"Ó Pai, Ó dialoga com a cultura popular. Por isso parte da imprensa paulista tratou o filme com muito preconceito. Mas na TV vamos falar direto com o público e romper com essa resistência", prevê a diretora do filme, ao argumentar que o público de cinema é muito influenciado pelo que lê nos jornais. A produção teve 383 mil espectadores em todo o país.

A adaptação feita para a TV tem a redação final de Guel Arraes e Jorge Furtado, com a colaboração de Monique e Mauro Lima. A vida de moradores do centro histórico de Salvador é o ponto de partida do seriado, que conta com os atores do Bando de Teatro Olodum interpretando a maioria dos personagens. "Quando apresentei o projeto à Globo, a aceitação foi imediata por causa do tipo de humor que o grupo faz. Para mim resgata um pouco da chanchada, mas com uma rica observação da vida popular", afirma Guel.

Em meio ao tom engraçado e cômico que permeia toda a trama, assuntos sérios como preconceito racial, homossexualismo e intolerância religiosa têm espaço garantido. "O que mais gosto do Bando de Teatro Olodum é que eles falam de dramas, mas com deboche", elogia Monique Gardenberg, que assina dois dos seis episódios. Como cada capítulo é independente, com início, meio e fim, Carolina Jabor e Olívia Guimarães também dirigem um cada uma.

Entre os atores ainda desconhecidos do grande público, destacam-se os trabalhos de Tânia Toko, que interpreta a masculinizada dona de um bar Neusão e também do ator Lyu Arisson, que vive o travesti Yolanda na série.

"O mais difícil nessa composição foi me adaptar ao salto alto", conta Lyu, aos risos. Mas como beira o impossível uma produção só com rostos não famosos ganhar espaço na TV, além de Lázaro Ramos o elenco conta também com Stênio Garcia como um antiquarista metido a besta e Matheus Nachtergaele, o vilão engraçado da história, de nome Queixão.

"Tive de picar um dobrado porque eles são baianos, formam uma família. E eu sou paulista, um corpo estranho. Mas fui bem recebido e adorei o papel", resume Matheus, que enfrentou horas de maquiagem para fazer as cinco tatuagens que o personagem carrega no corpo.

O teor popular do projeto está bem traduzido na trilha sonora, que inclui desde Gilliard e Odair José até a Banda Calipso. Lázaro Ramos, aspirante a cantor na história, teve a oportunidade de exercitar seu lado músico. "Os cantores de axé foram uma inspiração para mim. E não sou eu que vou me menosprezar como cantor. Acho que mereço nota 10. Os outros é que falem mal se quiserem", desafia Lázaro, em tom de brincadeira.

Como a maioria dos trabalhos foi feita na região turística do Pelourinho, imprevistos às vezes atrapalharam as filmagens. Mas também contribuíram para trazer mais veracidade a algumas cenas. "A vida do lugar não podia parar. Até uns gringos apareceram em uma cena. Eles vieram socorrer um personagem que precisava de ajuda. Não perceberam que era mentira", derrete-se Monique Gardenberg.

Ó Pai, Ó estréia dia 31 de outubro.

Créditos: Gabriela Germano / TV Press



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