Quando criança, em Nova Iguaçu, Ronald Sotto não encontrava na televisão muitos rostos parecidos com o dele ocupando o centro da cena. Aos 27 anos, é ele quem ocupa esse lugar. Na pele de Tonho, trabalhador rural íntegro ambientado no interior do Brasil dos anos 1920, o ator carrega pela primeira vez um protagonista na faixa das seis da Globo, em 'A Nobreza do Amor'.
A escalação ao lado de Duda Santos, que interpreta a princesa Alika, representa para Sotto mais do que um salto profissional. Em entrevista à Folha de S.Paulo, ele comemora a chance de contar uma história que posiciona personagens negros fora de narrativas limitadas ao sofrimento. "A gente está podendo contar uma história diversa, com referências ricas", diz.
Tonho funciona como motor central da trama. Homem de palavra firme e rotina braçal, o personagem atravessa conflitos emocionais e relações que ganham novas camadas a cada capítulo. Sotto o define como alguém honesto e determinado, em plena batalha cotidiana. A construção, segundo o ator, mistura características pessoais com as exigências dramáticas do roteiro. "A gente consegue juntar um pouco do Ronald com o Tonho."
Há diferenças, porém. Sotto se considera mais direto do que o personagem, que tende a ceder em certas situações. A determinação, no entanto, os aproxima. "Ele tem um lugar dele e vai atrás disso. Eu também."
Fora da ficção, o impacto do papel já é visível. Reservado por natureza, o ator admite que ainda se adapta ao reconhecimento nas ruas. A receptividade do público, contudo, o convence de que a narrativa funciona. "O Tonho está tomando o coração das pessoas que se sensibilizam com a história."
Antes de pisar num estúdio, Sotto apostava em outro campo. Na juventude, treinou pelo Boavista — clube que hoje disputa a Série D do Brasileirão e o Campeonato Carioca — e pensou seriamente em seguir no futebol. A guinada para a atuação veio com 'Malhação: Toda Forma de Amar', em 2019, quando viveu Camelo. Depois vieram 'Últimas Férias', 'Um Ano Inesquecível: Primavera' e 'Os Donos do Jogo'.
Da Baixada Fluminense ao protagonismo na TV aberta, o caminho não foi linear — mas hoje é na tela que ele aposta seu futuro.
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