Gracindo Jr. morreu aos 83 anos na noite de terça-feira (1), em casa, no Rio de Janeiro. O falecimento foi confirmado por Pedro Gracindo, filho do ator e diretor, que informou que a causa foi natural. O artista deixa cinco filhos, sete netos e a esposa, Daisy Poli, com quem estava havia mais de 50 anos.

A história de Gracindo Jr. na televisão começou antes mesmo de a Globo entrar no ar. Ele já estava contratado desde dezembro de 1964 e integrou o primeiro elenco da emissora, inaugurada em abril do ano seguinte. Na fase inicial do canal, participou de produções como Rosinha do Sobrado, Padre Tião, A Rainha Louca, A Próxima Atração e Os Ossos do Barão.

Antes da televisão, porém, o caminho artístico havia começado no rádio. Nascido Epaminondas Xavier Gracindo, no Rio de Janeiro, em 21 de maio de 1943, ele chegou a cursar Psicologia, mas não exerceu a profissão. Aos 15 anos, em 1959, prestou um teste para a Rádio Nacional, onde Paulo Gracindo, seu pai, já era um nome conhecido. Aprovado, trabalhou como ator, redator e disc-jóquei. Em 1961, fez sua estreia teatral em A Escada, de Oswald de Andrade.

A parceria entre pai e filho ultrapassou a vida familiar e chegou diversas vezes à dramaturgia. Os dois dividiram cenas em Os Ossos do Barão e O Bem Amado. Em O Casarão, de 1976, assumiram o mesmo personagem em períodos diferentes: Gracindo Jr. interpretou João Maciel jovem, enquanto Paulo Gracindo viveu a fase mais velha do protagonista. O trabalho marcou o primeiro grande papel do filho.

Ao falar sobre a influência de Paulo Gracindo, o ator costumava destacar sobretudo a relação do pai com o ofício. Para Gracindo Jr., responsabilidade, dedicação e respeito pelo próprio trabalho estavam entre os principais aprendizados deixados pelo veterano.

Depois de O Casarão, Gracindo Jr. passou uma temporada em Portugal e ampliou sua atuação nos bastidores da televisão. Em 1978, assumiu a supervisão do núcleo de novelas das 18h da Globo. A primeira experiência foi em A Sucessora, acompanhando etapas como montagem, edição, sonorização e desempenho do elenco. Já em 1979, dirigiu Memórias de Amor e Marron-Glacé.

A homenagem ao pai voltou aos palcos em 1980, quando escreveu e atuou em Paulo Gracindo, Meu Pai, criada para celebrar os 50 anos de carreira do patriarca. Dois anos depois, retornou à televisão como ator em Jogo da Vida e na minissérie Quem Ama Não Mata. Em 1983, participou de Bandidos da Falange e passou também a dirigir Os Trapalhões.

Sua experiência atrás das câmeras alcançou ainda o Fantástico. Durante aquela década, Gracindo Jr. esteve entre os diretores e apresentadores dos primeiros clipes musicais produzidos pelo programa. Em 1984, mudou-se para a TV Manchete, onde fez A Marquesa e Dona Beija.

O retorno à Globo incluiu a minissérie Tenda dos Milagres e a direção de episódios de Sítio do Picapau Amarelo. Como ator, viveu Creonte em Mandala, em 1987, e Ricardo Ribeiro em O Salvador da Pátria, em 1989. No ano seguinte, acumulou trabalhos em A, E, I, O… Urca, Araponga, Rainha da Sucata e Gente Fina.

A trajetória na emissora continuou com Deus nos Acuda, Explode Coração, Anjo de Mim, Esplendor e Celebridade. Em Explode Coração, Gracindo Jr. voltou a combinar as duas frentes de sua carreira, trabalhando como ator e diretor.

A partir de 2006, ele também passou por produções da Record. Cidadão Brasileiro, Poder Paralelo e a minissérie Rei Davi estão entre os trabalhos desse período, já depois de uma longa trajetória iniciada ainda na adolescência e desenvolvida em diferentes funções no meio artístico.

O velório de Gracindo Jr. está previsto para quinta-feira (3), a partir das 12h10, no Crematório e Cemitério da Penitência, e será aberto ao público. A cremação foi marcada para as 14h10.