Ao falar sobre as duas figuras paternas de sua vida, Cleo Pires explicou que Orlando Morais ocupou espaços importantes em sua formação, enquanto a retomada da convivência com Fábio Jr. dependeu de uma mudança na relação entre pai e filha.
A atriz abordou o assunto no quadro Pode Perguntar?, levado ao ar pelo Fantástico no domingo (2). Na atração, integrantes de um grupo de pessoas dentro do espectro autista fizeram perguntas à convidada.
Marido de Gloria Pires desde a década de 1980, Orlando Morais foi definido por Cleo como “o meu pai Orlando”. Para ela, o músico preencheu lacunas e se tornou uma referência de paternidade e de masculinidade saudável.
Cleo descreveu Orlando como amoroso, embora pouco inclinado a expressar carinho por meio de beijos e abraços. Em sua avaliação, ele demonstra o que sente principalmente pelas atitudes que toma em favor das pessoas próximas.
“Ele é aquele cara que você não tem dúvida de que ele te ama, quando ele te ama. E acho que me mostrou também que existem homens legais”, afirmou.
A relação despertou questionamentos públicos porque a atriz chama Orlando de pai mesmo sendo filha biológica de Fábio Jr. Aos 43 anos, Cleo disse não encontrar sentido nessa controvérsia.
“E quanto mais eu tento entender, mais eu me torno alguém que pensaria esse tipo de coisa, e eu não quero ser essa pessoa. Então, eu prefiro não entender”, declarou.
No caso de Fábio Jr., a atriz contou que a aproximação atual nasceu do reconhecimento, por parte do cantor, de assuntos que tinham importância para ela. Cleo não especificou quais eram essas questões e observou que nem sempre é possível identificar com certeza o motivo de um afastamento.
Para ela, a atitude do pai impediu que os dois mantivessem apenas uma convivência de fachada. O reconhecimento permitiu que Cleo considerasse verdadeira a relação reconstruída entre eles.
“A gente nunca sabe qual foi a questão que fez as pessoas se afastarem. Mas eu acho que no meu caso, o meu pai, ele teve a humildade e a sabedoria de reconhecer coisas que pra mim eram importantes que ele reconhecesse”, contou.
Cleo também disse admirar a integridade de Fábio Jr., característica que afirma ter desejado alcançar. Ao tratar da retomada, ela ponderou que cada pessoa precisa acolher os próprios sentimentos sem ignorar as dificuldades e limitações do outro.
A decisão de restabelecer um vínculo, segundo a atriz, inclui avaliar o valor daquela presença na própria vida. “Vai pelo amor e vai pela compaixão, que vai dar tudo certo”, concluiu.
Outro tema abordado na entrevista foi a compulsão alimentar. Cleo acredita ter convivido com o problema durante toda a vida, mas contou que só compreendeu o que acontecia depois dos 30 anos.
Até levar a questão aos médicos, ela tentava controlar a alimentação por meio de dietas que classificou como loucas e um pouco restritivas. Medicamentos fizeram parte da primeira abordagem, à qual foram incorporadas terapia e medidas comportamentais.
O processo também obrigou a atriz a rever ideias e comportamentos que, em um primeiro momento, não pareciam ligados à compulsão. Cleo classificou esse trabalho como profundo e afirmou que permanece atenta até hoje.
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