Pensada para condensar em poucos segundos a identidade de ‘A Nobreza do Amor’, a abertura da novela foi desenvolvida como uma tradução visual da cumplicidade entre Brasil e África que estrutura a trama. O vídeo, inteiramente animado, nasce de um repertório estético guiado por referências negras e pela valorização de raízes culturais compartilhadas entre os dois continentes. Para Chris Calvet, gerente de criação, essa pluralidade também aparece no próprio time responsável pela concepção da peça, formado por profissionais de trajetórias diversas, o que ampliou a camada autoral e o cuidado na execução.

A construção do conceito partiu de uma ideia central para muitas culturas de matriz africana: a percepção do tempo como movimento circular. Liderado por Will Nunes e supervisionado por Chris, o processo criativo transformou essa noção em linguagem visual ao fazer o vídeo retornar à imagem inicial do reino de Batanga, símbolo da realeza e do destino da protagonista. A trilha escolhida para conduzir esse percurso foi “Zumbi”, clássico de Jorge Ben Jor lançado em 1974 no álbum ‘A Tábua de Esmeralda’.

No desenho desse universo imagético, a equipe combinou tecidos africanos, arte popular brasileira e símbolos de forte carga ancestral. Entre eles estão o Kente, associado, segundo Will, às realezas Ashanti, em Gana, além de adinkras e referências à força moral de Xangô. Esse conjunto, de acordo com o líder do projeto, sustenta visualmente ideias como poder, memória e linhagem, ao mesmo tempo em que reforça o elo simbólico entre os mundos retratados pela novela.

A estrutura narrativa da abertura acompanha temas que atravessam a obra, como ancestralidade, travessia e a união entre realidades distintas. Integrante da equipe, a designer Luiza Russo explica que o percurso começa em Batanga, atravessa padronagens, alcança mandalas e adinkras e, por essa passagem, chega ao plano da realidade. Nesse trajeto, surge o olhar observador de uma representação de Jendal, personagem de Lázaro Ramos, sobre Tonho, vivido por Ronald Sotto. Depois, em um giro, aparece Alika, interpretada por Duda Santos, em um instante de reconexão. O encontro do casal sintetiza a aliança entre os dois mundos, antes de a narrativa retornar ao reino e completar o ciclo proposto desde o início. Segundo os criadores, a sequência ainda guarda detalhes discretos espalhados pelas cenas, pensados para que o público compreenda e amplifique a mensagem da abertura.

Assista ao clipe de abertura:

Produzida nos Estúdios Globo, ‘A Nobreza do Amor’ é criada e escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elísio Lopes Júnior, com colaboração de Dora Castellar, Alessandro Marson, Duba Elia e Dione Carlos. A pesquisa é assinada por Leandro Esteves, com assistência de roteiro de Dimas Novais. A direção artística é de Gustavo Fernandez, a direção geral de Pedro Peregrino e a direção de Ricardo França. Andrea Kelly responde pela produção, Lucas Zardo pela produção executiva, e José Luiz Villamarim pela direção de gênero.