Zezé Motta como Dona Menina em 'A Nobreza do Amor'. Foto: Manoella Mello/Globo
Zezé Motta como Dona Menina em 'A Nobreza do Amor'. Foto: Manoella Mello/Globo

O retorno de Zezé Motta à Globo ganha forma com o início das gravações de A Nobreza do Amor. Após quatro anos longe da emissora, a atriz assumiu as câmeras para dar vida a Dona Menina, personagem que estreia em 16 de março quando o folhetim substituir Êta Mundo Melhor na faixa das seis.

A caracterização construída para a veterana mescla diferentes saberes populares em uma única figura. Dona Menina acumula funções de parteira, benzedeira e ceramista na comunidade fictícia ambientada no interior do Rio Grande do Norte. Sua moradia localiza-se na vila dos colonos controlada pelo coronel Casemiro, vivido por Cássio Gabus Mendes, o principal mandatário da região.

A rotina da personagem divide-se entre atividades que garantem seu sustento e mantêm tradições ancestrais. O roçado fornece alimento, enquanto a habilidade como parteira a conecta aos momentos mais significativos das famílias locais. A produção de peças de cerâmica representa tanto fonte de renda quanto preservação de conhecimento herdado.

A feirinha de Barro Preto, cidade fictícia onde se passa parte da trama, serve como ponto de comercialização das criações artesanais de Dona Menina. As peças moldadas em barro carregam técnicas aprendidas ao lado do falecido marido, transformando cada objeto em registro material de memória afetiva e cultural.

A transmissão desse saber atravessa gerações através de Vitalino, interpretado por Levi Asaf. O neto da personagem recebe ensinamentos sobre modelagem do barro, garantindo continuidade de prática artesanal que poderia desaparecer sem esse vínculo formativo entre avó e descendente.

Além das múltiplas ocupações práticas, Dona Menina exerce papel simbólico fundamental na comunidade. A caracterização como espécie de oráculo do lugar confere à personagem autoridade moral e espiritual, tornando-a referência para decisões que ultrapassam questões materiais imediatas.

A última vez que Zezé Motta apareceu em novelas aconteceu em Fuzuê, produção de 2023 na qual teve participação. O intervalo de quatro anos sem contratos fixos com a Globo marca agora novo capítulo na trajetória da atriz dentro da emissora que ajudou a consolidar sua carreira em dramaturgia televisiva.

A Nobreza do Amor traz assinatura do trio de autores formado por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elísio Lopes Jr. A direção artística ficou sob responsabilidade de Gustavo Fernández, profissional que assume comando criativo de produção ambientada em período histórico específico e repleta de elementos culturais regionais.

O eixo central da narrativa acompanha trajetória de Alika, princesa africana vivida por Duda Santos. A personagem empreende fuga para o Brasil após testemunhar queda de Batanga, seu futuro reino, nas mãos do tirano Jendal, papel de Lázaro Ramos que promete confrontos dramáticos intensos.

A chegada ao território brasileiro coloca Alika em contato com Tonho, trabalhador de engenho interpretado por Ronald Sotto. O personagem nutre sonho de conquistar terra própria como forma de oferecer melhores condições ao seu povo, objetivo que estabelece afinidade imediata com a princesa exilada.

O cruzamento dos destinos de Alika e Tonho acontece no interior potiguar durante os anos 1920, período marcado por transformações sociais e políticas que moldariam o Brasil do século XX. A saga desenvolvida pelos autores promete mesclar romance com denúncia de injustiças estruturais da época.

A narrativa estrutura-se em torno de sentimentos nobres e mistérios não revelados que envolvem os protagonistas. Os segredos guardados por ambos alimentam tensão dramática ao longo dos capítulos, enquanto a luta pela paz e justiça oferece dimensão política à história de amor central.

A escolha de ambientar a trama no Rio Grande do Norte permite exploração de paisagens, cultura e dinâmicas sociais específicas do Nordeste brasileiro. A presença de personagens como Dona Menina, com suas práticas tradicionais, reforça compromisso da produção em representar riqueza cultural da região além de estereótipos.