Vera Fischer. Foto: Reprodução/Youtube
Vera Fischer. Foto: Reprodução/Youtube

Aos 73 anos, Vera Fischer está em cartaz na capital paulista com a peça O Casal Mais Sexy da América e segue afastada das novelas desde 2018, quando participou de Espelho da Vida. Em entrevista ao programa semanal da coluna GENTE, da VEJA — disponível no YouTube, no streaming VEJA+, na TV Samsung Plus e em formato podcast no Spotify —, a atriz abriu o coração sobre momentos marcantes de sua trajetória, arrependimentos e reflexões sobre os rumos da televisão.

Questionada sobre sua carreira, Vera relembrou a novela de 2012 escrita por Glória Perez e fez uma confissão rara: “Poderia ter pulado a novela Salve Jorge, eram tantos personagens, mais de 100 atores, era muita gente, muita mesmo, não havia necessidade de eu estar na novela. Até por uma questão de gentileza, Glória Perez me colocou na novela, eu tinha feito duas novelas com ela antes, O Clone e Amazônia. Por gratidão, ela me colocou em Salve Jorge, mas não precisava, foi personagem perdida na história”, afirmou.

Etarismo na televisão

Durante a conversa, a atriz destacou as dificuldades impostas pelo envelhecimento no audiovisual brasileiro: “Quando fiz Laços de Família, tinha 50 anos, era a protagonista absoluta. Hoje em dia qualquer estrela absoluta não tem 50 anos, tem 30 no máximo. As outras são mamães, titias, outras coisas nesse gênero. Estou falando particularmente da televisão, porque no teatro a gente ainda consegue fazer personagens de várias idades. Eu, Vera, tenho 73, vou fazer 74, ainda fica mais difícil, embora me sinta muito jovem com minha idade. (…) Aqui no Brasil é muito difícil. E também sou muito branca, muito loira, tenho cara de estrangeira. Embora tenha feito personagens morenas, nordestinas, fiz muita coisa quando me chamavam pelo talento. Hoje em dia não, as pessoas têm que ser como elas são para fazer os personagens, o que acho muito justo”.

Diferença salarial após os 60 anos

Fischer também abordou o impacto da idade na remuneração dos artistas na televisão: “Depois dos 60 anos, mudou tudo, desde a base salarial até os personagens. Comecei a fazer personagens menores, de menos relevância. Como eu era contratada pela emissora, tinha que aceitar. Até chegar a pandemia, quando a maioria de nós foi mandada embora, principalmente os de mais idade. Até hoje muita gente está com pouco trabalho por causa disso, tem que correr atrás mesmo. Mas aconteceu comigo sim, aconteceu com muitas pessoas de ganhar menos. No teatro você discute; se você é a protagonista, recebe mais. Na TV, não”, relatou.

Influenciadores digitais e a televisão

A ascensão das redes sociais e sua relação com a TV também foi tema da entrevista. Para a atriz, a questão não está nos jovens influenciadores, mas nas escolhas do mercado: “Em primeiro lugar, não é culpa de influencers, a culpa está em quem chama, quem contrata. Se a pessoa tem milhões de seguidores, ela já é muito bem-vinda na televisão e seja lá em qualquer outra coisa, para comerciais, para tudo. Não acho nada demais, mas essas pessoas não leram muito na vida, são muito jovens, não estudaram, não viram coisas que nós que viemos do final do anos 1960… A gente tem experiência do teatro, televisão e cinema… Esses influencers não têm isso… Mas quem sou eu para dizer alguma coisa? O público é quem vai julgar”.