A nova versão de “Vale Tudo”, em exibição na faixa das nove da Globo, caminha para sua reta final cercada de polêmicas dentro e fora da tela. O folhetim, que termina em 17 de outubro, promete uma virada surpreendente no destino de personagens-chave e, ao mesmo tempo, enfrenta questionamentos sobre sua abordagem de diversidade e representatividade.
De acordo com a jornalista Carla Bittencourt, do Portal LeoDias, o roteiro da última semana indica uma mudança brusca no arco de Freitas (Luis Lobianco). O personagem, que até então vivia um relacionamento com Eugênio (Luis Salem), aparecerá ao lado de um novo companheiro nos capítulos finais.
As cenas estão previstas para serem gravadas nesta sexta-feira (3), na Praia do Grumari, no Rio de Janeiro. No desfecho, Freitas surge em um bangalô de luxo com Will, personagem inédito que terá embolsado parte do dinheiro desviado da TCA — plano que, originalmente, era compartilhado com Eugênio. O casal sonhava em abrir uma pousada no Nordeste com o montante.
O mistério em torno de Eugênio
A ausência de Eugênio nos roteiros finais gerou especulações. A principal dúvida é se o mordomo estaria envolvido no assassinato de Odete Roitman (Débora Bloch), ponto central da trama. Até agora, os indícios apontam para Celina (Malu Galli) e Heleninha (Paolla Oliveira), cujas digitais aparecem na arma do crime, mas bastidores não descartam um terceiro envolvido.
A escolha de manter a dúvida até os últimos capítulos resgata a essência da versão original de 1988, quando o suspense em torno da morte de Odete parou o país e virou um dos maiores momentos da teledramaturgia brasileira.
Voz do elenco: elogios e frustrações
Em entrevista ao jornal O Globo, Luis Lobianco elogiou a ousadia da autora Manuela Dias e a forma como a direção atualizou o clássico:
"Eu gosto da ousadia e da coragem da Manuela. As coisas mudaram muito. Estamos na era da Inteligência Artificial. Acho que não vai agradar sempre. Fazer novela, uma obra viva e aberta, é arriscado. Mas estou sentindo uma comoção. Já fiz trabalhos muito populares, mas algo igual a Vale Tudo nunca vi. Tem uma coisa pop nesta novela que a direção, a equipe, a Manuela e o elenco trouxeram. Isso tem um valor muito grande (…)”.
Apesar dos elogios, o ator também apontou uma decepção sobre a condução de personagens LGBTQIAPN+:
"Eu tinha uma expectativa de que Laís e Cecília teriam uma história mais desenvolvida. São as personagens LGBT da trama. Na primeira versão, uma delas morre. Realmente imaginei que elas entrariam mais na trama, mas isso não aconteceu”, disse à coluna Play, também do O Globo, referindo-se às personagens de Lorena Lima e Maeve Jinkings.
A fala de Lobianco reflete uma cobrança recorrente do público e da crítica: a presença de personagens LGBTQIAPN+ precisa vir acompanhada de protagonismo real e desenvolvimento narrativo, e não apenas de participação simbólica. A ausência de continuidade na trama de Laís e Cecília foi vista como um ponto frágil em uma novela que carrega o peso histórico de atualizar um dos maiores clássicos da dramaturgia.
Audiência aquém das expectativas
Mesmo cercada de expectativas, a novela acumula até agora 23,0 pontos de média geral. O número a coloca entre os desempenhos mais baixos do horário nobre na Globo, à frente apenas de “Um Lugar ao Sol” (22,3 pontos) e “Mania de Você” (21,2 pontos).
O resultado contrasta com a importância histórica da obra original, que nos anos 1980 alcançou médias superiores a 50 pontos e se consolidou como um marco da TV brasileira.
O que vem na sequência
Após o encerramento de “Vale Tudo”, a Globo aposta em “Três Graças”, novela de Aguinaldo Silva que marca o retorno do autor à emissora. A produção estreia em 20 de outubro e carrega a missão de recuperar a audiência do principal horário da televisão brasileira.
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