O Brasil se prepara para uma nova era na radiodifusão com a chegada da TV 3.0, prevista para entrar em operação em 2026. A tecnologia promete transformar a experiência de assistir televisão aberta, unindo o sinal tradicional à conectividade da internet e oferecendo recursos interativos inéditos ao público.

A TV 3.0 é considerada um dos maiores avanços digitais do setor, pois integra a transmissão gratuita da TV aberta ao ambiente online. Isso significa que, além de acompanhar sua programação favorita, o telespectador terá acesso a funcionalidades semelhantes às de plataformas de streaming, mas diretamente no televisor.

O governo federal anunciou nesta terça-feira (19) a oficialização da TV 3.0 (DTV+), com a assinatura do decreto que regulamenta a implantação da nova geração da televisão digital no Brasil. O anúncio foi feito pelo ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, durante o SET Expo 2025, em São Paulo. A medida inaugura uma nova era para a TV aberta, gratuita e universal no país.

Desenvolvida pelo Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (Fórum SBTVD), em parceria com universidades, emissoras, fabricantes, institutos de pesquisa e o Ministério das Comunicações, a tecnologia é resultado de um trabalho iniciado em 2006, quando o Fórum passou a definir e padronizar as normas técnicas da TV digital no Brasil.

Assinatura oficial com o presidente Lula

O ministro confirmou que o decreto da TV 3.0 será assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no próximo dia 27 de agosto, às 11h, no Salão Nobre do Palácio do Planalto.

“Peguei o processo debaixo do braço e fui ao Palácio do Planalto. Hoje posso anunciar que, na próxima quarta-feira, às 11h, no salão nobre do Palácio do Planalto, o presidente Lula assinará o decreto da TV 3.0. Este é um compromisso do presidente e do ministro das Comunicações”, afirmou Filho.

Para o presidente do Fórum SBTVD, Raymundo Barros, a assinatura do decreto representará a concretização de anos de esforço coletivo posicionando o Brasil na liderança global da TV aberta, com mais qualidade, inovação e conexão para o telespectador.

“Este será um marco histórico para a radiodifusão brasileira e um reconhecimento do trabalho dedicado do Fórum SBTVD, que há anos vem conduzindo essa transformação. Entregaremos ao país uma tecnologia capaz de unir a tradição da TV aberta à inovação e conectividade digital, de forma gratuita, democrática e inclusiva. A SET Expo 2025, ao reunir todo o setor, reforça a importância dessa nova etapa para o futuro da televisão”, afirmou Raymundo.

O que muda com a TV 3.0?

O novo padrão trará qualidade de imagem em 4K e 8K, áudio imersivo de cinema, interatividade em tempo real, integração com aplicativos e internet, publicidade segmentada e novos recursos de acessibilidade. A navegação substituirá o tradicional número do canal por um catálogo digital de aplicativos das emissoras, unindo conteúdos ao vivo e sob demanda. A migração para o novo padrão será gradual, garantindo adaptação do público e continuidade do serviço.

Tecnologia a serviço da cidadania

O ministro reforçou que a TV 3.0 representa um marco não apenas tecnológico, mas também social e econômico. “Por isso, falamos de muito mais do que tecnologia: estamos falamos de cultura, democracia, desenvolvimento econômico e soberania nacional. O setor da radiodifusão tem sido — e continuará sendo — um pilar estratégico para o Brasil”.

A iniciativa também fortalece o ecossistema nacional de mídia, promovendo competitividade com plataformas de streaming e gigantes globais.

Convergência com políticas públicas

A TV 3.0 integra a visão do governo federal para inclusão digital, inovação e democratização do acesso à informação, conectando-se a:

  • • Redes 5G e fibra óptica
  • • Banda larga via satélite
  • • Escolas conectadas, hospitais e comunidades remotas
  • • Programas como Wi-Fi Brasil e Nacional de Inclusão Digital
  • • Transição planejada e segura

A migração para a TV 3.0 será gradual e coordenada, com foco na continuidade do serviço e acesso equitativo para todos os brasileiros, especialmente os mais vulneráveis.

Impacto no setor de radiodifusão

O lançamento deve marcar um novo ciclo para a televisão brasileira, aproximando o público da experiência digital sem custo adicional de assinatura. Para as emissoras, o modelo abre espaço para novas formas de engajamento e monetização, ao mesmo tempo em que garante mais competitividade frente aos serviços de streaming.