Everaldo Marques e Valéria Almeida no estúdio. Foto: Reprodução/Globo
Everaldo Marques e Valéria Almeida no estúdio. Foto: Reprodução/Globo

A cobertura do primeiro dia de Desfiles do Grupo Especial das Escolas de Samba de São Paulo trouxe complicações inesperadas para a grade matinal da Globo. Atrasos consecutivos no Sambódromo do Anhembi forçaram a emissora a reorganizar completamente a programação prevista para o sábado (14), empurrando estreias de jornais e programas tradicionais.

O site oficial da Globo havia anunciado que o Bom Dia Sábado começaria por volta das 7h10, seguido pelo Pequenas Empresas, Grandes Negócios às 7h50. A realidade na avenida, porém, impôs cronograma bem diferente. A Barroca Zona Sul só entrou na passarela às 6h50, quase uma hora e vinte minutos depois do previsto oficialmente.

Everaldo Marques explicou ao vivo o cenário que se desenhava no Anhembi durante a madrugada. "Oficialmente, [o desfile] deveria começar às 5h30 da manhã, mas tivemos dois atrasos por causa da limpeza da pista. Um deles demorou muito. Agora são 6h48 e ainda não começou. Mas já, já rodam o relógio [o cronômetro]", informou o apresentador aos espectadores que acompanhavam a transmissão.

A origem do problema remonta à passagem da Acadêmicos da Tatuapé pela avenida. Uma alegoria da agremiação deixou óleo espalhado na pista, criando situação de risco que exigiu interrupção imediata dos desfiles. A organização do carnaval paulista precisou mobilizar equipes para limpeza completa, processo que se estendeu mais do que o previsto inicialmente.

As escolas mais prejudicadas pelo incidente foram Rosas de Ouro e Vai-Vai, que enfrentaram espera prolongada antes de poder apresentar seus enredos. A pausa forçada afetou o ritmo geral da competição e desorganizou toda a sequência de apresentações programada para a madrugada.

A transmissão só foi encerrada às 7h57, momento em que o Hora Um finalmente entrou no ar. Sabina Simonato reconheceu a situação atípica logo na abertura do jornal ao anunciar: "Hoje um pouco mais tarde", contextualizando para a audiência o motivo da mudança no horário habitual.

Além dos problemas operacionais no Anhembi, a cobertura da Globo enfrentou críticas relacionadas a escolhas editoriais da própria emissora. A decisão de retirar Everaldo Marques e Valéria Almeida do estúdio montado no Sambódromo gerou reação negativa entre telespectadores que acompanharam a transmissão.

A emissora justificou a mudança como busca por imersão tecnológica, criando conceito de "portal" através de telão que conectaria os apresentadores ao ambiente dos desfiles. Na prática, porém, a solução não funcionou conforme esperado e produziu efeito inverso ao desejado.

O distanciamento físico dos apresentadores em relação à passarela criou sensação de empobrecimento da cobertura. Parte da audiência interpretou a escolha como possível redução de investimentos na transmissão, impressão amplificada por comparações com o estúdio do programa Bastidores do Carnaval da RedeTV!, que mantém apresentadores próximos à ação.

Do ponto de vista da experiência do espectador, a configuração adotada pela Globo gerou estranhamento. Mesmo detendo direitos exclusivos de transmissão, a emissora optou por afastar seus apresentadores da avenida, criando cobertura mais fria e distante em relação a formatos anteriores.

A distribuição dos comentaristas em diferentes pontos da avenida recebeu avaliação positiva, destacando o trabalho de Judson Sales e Milton Cunha. Aílton Graça, entretanto, acabou exercendo função mais próxima de animador do que de comentarista especializado, subutilizando seu conhecimento profundo sobre o carnaval paulista.