No dia 1º de setembro, a Globo reabre espaço em sua programação para um dos maiores sucessos de Benedito Ruy Barbosa: “Terra Nostra”, exibida originalmente em 1999 e que agora ganha reprise no “Edição Especial”. Escrita em parceria com Edmara Barbosa e Edilene Barbosa, a trama foi dirigida por Jayme Monjardim, com Marcelo Travesso e Carlos Magalhães na equipe de direção. O folhetim retrata a chegada dos imigrantes italianos ao Brasil no final do século XIX, período que redefiniu a economia cafeeira e a vida no campo.
Um dos grandes pilares da novela é o coronel Gumercindo, interpretado por Antonio Fagundes. Dono de uma fazenda de café em decadência, o personagem enfrenta a falta de mão de obra após a abolição da escravidão. A chegada dos imigrantes italianos representa, ao mesmo tempo, esperança e conflito. Acostumado a ser temido, Gumercindo precisa lidar com trabalhadores que não aceitam passivamente sua autoridade e exigem direitos. Esse embate, no entanto, vai moldando sua visão e aproximando-o do novo Brasil que surgia.
Casado com Maria do Socorro (Débora Duarte), Gumercindo é pai de Rosana (Carolina Kasting) e Angélica (Paloma Duarte). O patriarca, duro e autoritário, culpa a esposa por não lhe ter dado um herdeiro homem, desejo que guia parte de sua frustração familiar. Para Fagundes, a construção desse papel contou com um respaldo histórico sólido: “Desde a década de 70, eu já pesquisava sobre essa época, seu impacto no Brasil e algumas das questões abordadas pela novela. Esse contato anterior com o tema naturalmente contribuiu para a construção do personagem”, explicou o ator.
A novela também marcou reencontros significativos na carreira de Fagundes. Ao lado de Débora Duarte, com quem já havia formado par romântico em “Corpo a Corpo” (1984), o ator reviveu a parceria em cena. Além dela, nomes como Raul Cortez, Maria Fernanda Cândido e Ângela Vieira integraram o núcleo central. Fagundes relembra com carinho a convivência: “Repeti a parceria com a querida Débora Duarte, com quem já havia feito par romântico em ‘Corpo a Corpo’. Foi muito bom reencontrá-la. Também tínhamos o querido Raul Cortez, Maria Fernanda Cândido, Ângela Vieira... Foi um enorme prazer”.
Em entrevista à Globo, o ator ressaltou como a novela se entrelaçou com um momento especial de sua trajetória artística. Na época, ele estava em cartaz com “Últimas Luas”, do dramaturgo italiano Furio Bordon, após ter permanecido sete anos em cena com “Morte Acidental de um Anarquista”, de Dario Fo, vencedor do Nobel de Literatura. Essa imersão na dramaturgia italiana, segundo ele, fortaleceu ainda mais sua atuação em “Terra Nostra”: “Assim, mergulhar em uma nova parte do universo italiano por meio da novela foi, para mim, um complemento muito significativo e bem-vindo”.
Fagundes destacou que a experiência acumulada em outros projetos também ajudou no processo criativo. Ele relembrou o filme “Gaijin – Os Caminhos da Liberdade” (1979), dirigido por Tizuka Yamasaki, que abordou a imigração japonesa e, de forma paralela, a italiana. “Nos preparamos ao longo da vida para as histórias que vamos contar, e com essa novela não foi diferente”, afirmou.
Sobre as lembranças, o ator foi categórico: “Guardo apenas boas lembranças dessa novela. O elenco era maravilhoso e o ambiente das gravações, muito harmonioso”.
Dupla presença na Globo
Curiosamente, o retorno de “Terra Nostra” coincide com outra presença de Fagundes nas tardes da Globo. Além de viver Gumercindo no “Edição Especial”, o ator também pode ser visto como Otávio, em “A Viagem”, atualmente reexibida no “Vale a Pena Ver de Novo”. Para ele, essa coincidência é um presente: “Talvez o trabalho do ator seja um dos poucos que permitem essa alegria de transitar por universos tão diferentes, de uma obra para outra, o que é extremamente estimulante para nós – e acredito que também para quem gosta de acompanhar novelas”.
Legado e impacto cultural
“Terra Nostra” tornou-se um fenômeno internacional. A novela foi vendida para mais de 80 países, entre eles Itália, Portugal, Rússia e Estados Unidos, ampliando o alcance das produções brasileiras. Seu sucesso ajudou a consolidar o gênero como produto de exportação e abriu caminho para outras obras de Benedito Ruy Barbosa, como “O Rei do Gado” e “Esperança”.
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