Uma discussão sobre vilões capazes de intimidar sem cometer grandes atrocidades levou Susana Vieira a comparar as duas versões de Odete Roitman em Vale Tudo. No Conversa com Bial exibido pela Globo na terça-feira (28), a atriz usou a presença das intérpretes como ponto central da avaliação.

Para Susana, Beatriz Segall reunia características que ajudavam a sustentar a frieza da personagem na novela de 1988. Ela descreveu a atriz como alguém de postura séria, distante e “até um pouco antipática”, traços que, em sua leitura, fortaleciam a vilania de Odete.

Ao tratar do remake de 2025, Susana afirmou que Débora Bloch não transmitia o mesmo medo. “Quando entrou a Débora no ar, ela entrava, mas não imprimia o medo que a Beatriz Segall dava”, declarou.

A comparação terminou com uma cobrança direta à nova interpretação. Segundo Susana, Débora “tinha que ter dado um pouco mais de cor para fazer as coisas”. A referência usada por ela para medir esse impacto foi a atuação de Beatriz Segall na versão original.

Manoel Carlos apareceu em outro trecho da entrevista por causa de uma declaração equivocada de Susana. Ao falar da amizade entre os dois, ela disse que não o encontrava mais, mas acrescentou que o autor continuava vivo: “Era, porque não o encontro mais, mas ele está vivo e eu também. Não sabemos como, mas estamos”.

O escritor e roteirista, porém, morreu em janeiro, aos 92 anos. Ele estava afastado da televisão desde 2014 e enfrentava problemas de saúde relacionados ao mal de Parkinson nos últimos anos.

A menção ao autor surgiu quando Susana recordou Branca Letícia de Barros Mota, sua personagem em Por Amor, exibida entre 1997 e 1998. A atriz contou ter percebido que Manoel Carlos colocava na vilã sua visão sobre a sociedade e aquilo que ela definiu como “todo o lado mau dele”.

Na avaliação de Susana, a força de Branca estava menos nas ações e mais no texto. “A vilania dela era o texto. Ela sentava à mesa, pedia duas torradas e dizia coisas terríveis”, afirmou.