A proximidade da Copa do Mundo de 2026 aumentou a pressão interna no SBT sobre a forma como os índices de audiência são medidos. A emissora passou a discutir com mais força a continuidade do contrato com o Ibope, depois de identificar diferenças consideradas relevantes entre dados prévios e consolidados em atrações recentes.

O caso mais sensível envolve a transmissão da convocação da seleção brasileira, exibida em 18 de maio. Nos números preliminares da Grande São Paulo, o programa apresentado por Galvão Bueno e Tiago Leifert apareceu com 3,1 pontos e atrás da Band. No consolidado, porém, a média subiu para 4 pontos e colocou o SBT em vantagem sobre a concorrente direta.

A divergência reforçou críticas de executivos da emissora ao modelo usado pelo instituto. Internamente, a avaliação é que a medição pode apresentar limitações em situações nas quais o mesmo conteúdo é exibido por diferentes canais ao mesmo tempo.

As reclamações também alcançaram transmissões da Champions League, feitas pelo SBT em parceria com a TNT Sports. Em alguns jogos, os dados consolidados ficaram abaixo dos índices acompanhados em tempo real, o que levou o canal a registrar questionamento formal.

Além da discussão técnica, o custo do serviço entrou na pauta. A emissora considera pesado o valor pago pelo contrato e observa com atenção movimentos de outras redes, como a RedeTV!, que rompeu sua relação com o instituto.

O Ibope afirma que não foi informado sobre insatisfação do SBT e sustenta que continua atendendo a emissora normalmente. O instituto também defende que seus serviços seguem critérios técnicos reconhecidos pelo mercado.

As informações foram publicadas inicialmente pela coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo.