A volta das novelas adultas ao SBT não depende apenas de escolher uma história. Para 2027, a emissora tenta montar uma operação que una autora, produtora e plataforma de streaming num momento em que sua dramaturgia própria está fora do ar.
O dado de audiência ajuda a explicar o tamanho da tarefa. Com novelas mexicanas na grade, o canal registra entre 3 e 4 pontos de ibope em São Paulo e permanece em terceiro lugar entre as emissoras abertas. É a partir desse patamar que a ficção nacional volta a ser discutida nos bastidores.
O parceiro digital desejado já tem nome: Disney+. A ideia em estudo é levar um dos projetos à plataforma e construir a produção em parceria. A relação entre as empresas não parte do zero, já que o serviço mantém aproximação com o SBT por atrações como The Voice Brasil.
No centro autoral da retomada está Iris Abravanel. A notícia foi antecipada por Gabriel Vaquer em texto da Folha de São Paulo: três projetos escritos pela viúva de Silvio Santos, que viveu de 1930 a 2024, passam por avaliação. Iris segue como principal autora da emissora.
Uma dessas histórias exige mais do que escalação e estúdio. Por se tratar de uma novela de época, a produção puxa gastos específicos com cenários e figurinos, justamente dois pontos que tornam o formato mais pesado para uma emissora que não produz folhetins adultos desde 2012.
O custo, porém, não encerra a discussão. Dentro do SBT, a trama de época também aparece como uma vitrine para o retorno, porque ajudaria a apresentar a dramaturgia adulta da emissora com mais peso comercial.
A memória desse tipo de produção pesa na comparação. Éramos Seis, exibida em 1994, foi a trama adulta de maior sucesso da história da rede e também seguia a linha de época. Já Amor e Revolução, de 2011, abordou a Ditadura Militar, período que foi de 1964 a 1985, e marcou a última obra do gênero feita pelo canal.
A produtora prevista para entrar nessa nova fase é a JPO, comandada por José Paulo Vallone. O vínculo com o SBT vem de outro período da teledramaturgia da emissora: Dona Anja chegou ao ar em 1997, Colégio Brasil em 1996 e O Direito de Nascer em 2001, dentro da parceria mantida entre o fim dos anos 1990 e o começo dos anos 2000.
Depois de Corações Feridos, exibida em 2012, o SBT mudou o foco de suas novelas próprias. A faixa passou a ser identificada com títulos infantis lançados entre 2012 e 2018, entre eles Carinha de Anjo, As Aventuras de Poliana, Carrossel, Cúmplices de um Resgate e Chiquititas.
Esse histórico recente mostra por que a decisão para 2027 não é apenas escolher uma trama. O SBT tem projetos, autora e produtora em avaliação, mas o retorno adulto ainda precisa caber numa conta que envolve audiência atual, custo de produção e a entrada de um parceiro capaz de tirar a novela do papel.
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