
Quatro atrações de gerações e estilos distintos tomam o palco do Altas Horas neste sábado, dia 31, numa edição inteiramente dedicada às vozes femininas da música brasileira. Liniker, Lauana Prado, Wanessa Camargo e o trio SalDoce se revezam em apresentações, conversas sobre trajetória e encontros musicais exclusivos — combinação que transforma o programa em vitrine de uma cena plural e em constante renovação.
O trio SalDoce abre bem a radiografia dessa diversidade. Brenda Luce, Fernanda Francis e Marianna Eis chegam ao programa com seis anos de estrada e um percurso que começou exclusivamente nas telas: "Começamos só com vídeos na internet. Com o tempo, fomos percebendo a aceitação do público, até lançarmos nosso álbum, que conta com participações como a de Jorge Vercillo", explicam as cantoras e instrumentistas, que transitam pela MPB a partir de influências diversas. No palco, apresentam "All Star", "Vilarejo" e "Maria, Maria".
Liniker chega ao programa com músicas do álbum "Caju", entre elas "Veludo Marrom" e "Baby 95", e transporta o público para a infância em Araraquara, no interior de São Paulo. A primeira lembrança ligada ao canto remonta a uma apresentação escolar de Dia das Mães, ainda na quarta série. O teatro veio depois, e foi nesse espaço que a artista identificou a vocação definitiva: "Foi quando tive essa luz interna de 'vou cantar'. Nesse período, com uns 15, 16 anos, já comecei a compor", conta. Durante a noite, Liniker e Lauana Prado se encontram no palco para a apresentação conjunta de "Um Amor Puro".
Lauana Prado percorreu um caminho diferente até chegar onde está. Natural de Goiânia, ela conta que a mãe não levou a sério as primeiras incursões na música. A cantora passou a frequentar São Paulo para testes em programas de calouros e, em 2015, transferiu definitivamente sua base para a cidade, onde segue morando. No programa, apresenta "Caso do Acaso" e "Saudade Burra", dois dos pontos altos de seu repertório atual.
Wanessa Camargo fecha o quarteto com uma trajetória marcada pela pluralidade deliberada. "Eu sempre transitei pelo samba, pop, rock e sertanejo. Eu sou essa multiplicidade", afirma a cantora, que interpreta clássicos como "O Amor Não Deixa" e "Amor, Amor". Ela também comenta a gravação de um DVD no Rio de Janeiro em comemoração a 25 anos de carreira, com lançamento previsto para março, e reflete sobre o equilíbrio entre maternidade e vida artística.
Cada uma dessas histórias chegou ao palco por caminhos distintos — da internet às noites de calouros, do teatro à herança múltipla de gêneros. O que une artistas tão diferentes é a persistência de quem construiu carreira no próprio ritmo, sem abrir mão de uma identidade sonora reconhecível.
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