O romance entre Lorena e Juquinha vai ganhar força em Três Graças nos capítulos da próxima semana e será diretamente conectado ao mistério em torno de Rogério, marido de Arminda, dado como morto. Na novela das nove da Globo, a policial recebe uma caixa de bombons enviada por Juquinha e, se a sinopse da trama se confirmar, as duas devem viver um envolvimento amoroso ao longo da história, consolidando uma das frentes afetivas mais comentadas da produção.

A aproximação entre as duas não surge do nada. Na trama, Lorena já havia deixado claro para pessoas próximas que se interessa por mulheres. Em conversa anterior com Gerluce (Sophie Charlotte) e Paulinho (Romulo Estrela), a personagem se abriu sobre a própria afetividade, gesto que preparou o terreno para que o público acompanhasse, com naturalidade, o surgimento de um romance entre mulheres no centro da narrativa. Esse movimento dialoga com a tradição de Aguinaldo Silva de desenvolver personagens LGBTQIA+ com espaço e densidade dramática em suas novelas.

O ponto de virada vem quando Lorena e Juquinha se conhecem em um jantar na casa de Maggye (Mell Muzzillo). A partir desse encontro, as duas passam a conversar com frequência e seguem se vendo com regularidade, construindo uma intimidade que vai além da convivência casual. As trocas constantes, os reencontros e a curiosidade mútua criam um clima de flerte discreto, mas evidente, que logo começa a chamar a atenção de quem está à volta.

Entre as pessoas que percebem a mudança de dinâmica está Samira (Fernanda Vasconcellos). Chef de cozinha, ela entra em estado de alerta ao notar a proximidade crescente entre Lorena e Juquinha. A tensão aumenta quando Samira descobre, por meio de Maggye, que Juquinha é policial. A informação acende todos os sinais vermelhos, especialmente pelo fato de Lorena ser ligada a uma família poderosa e cercada de segredos. Esse choque entre vida afetiva e risco profissional reforça o tom de conflito que marca a relação.

A conexão amorosa entre as duas, no entanto, não ficará restrita ao campo emocional. A “flechada” que as aproxima também as coloca em uma investigação conjunta. Lorena e Juquinha se unem para desvendar o que, de fato, aconteceu com Rogério (Eduardo Moscovis), marido de Arminda (Grazi Massafera). Até aqui, o personagem é tratado como morto, mas o roteiro introduz uma virada decisiva quando Zenilda (Andréia Horta) vê o homem, supostamente falecido, dirigindo pelas ruas de São Paulo como se nada tivesse ocorrido. A visão do “morto” vivo faz o passado voltar à tona e desperta um novo eixo de suspense na trama.

Esse avistamento nas ruas da capital paulista serve como gatilho dramático para Lorena e Juquinha. A policial se vê diante de um caso que mexe diretamente com o universo da família Ferette, enquanto a colega traz o olhar da rotina policial e o faro investigativo desenvolvido ao lado de Paulinho. A partir daí, as duas começam a juntar pistas sobre o desaparecimento de Rogério, confrontando versões oficiais, lembranças de Zenilda e lacunas deixadas por Arminda, que construiu sua imagem pública como viúva de um homem que, ao que tudo indica, pode não ter morrido.

Ao mesmo tempo, o romance nascente precisa atravessar barreiras internas e externas. Lorena lida com o peso de carregar o sobrenome de uma das famílias mais influentes – e temidas – da novela, cercada por negócios escusos e interesses políticos. Juquinha, por sua vez, equilibra o compromisso com o trabalho policial, a admiração por Paulinho e o desejo de viver uma relação afetiva verdadeira. Essa combinação de investigação criminal com descoberta amorosa transforma a dupla em fio condutor importante da narrativa e amplia a representatividade de casais sáficos no horário nobre da Globo.

📌Ficha Técnica

Três Graças é uma novela criada e escrita por Aguinaldo Silva, Virgílio Silva e Zé Dassilva, com direção artística de Luiz Henrique Rios, produção de Gustavo Rebelo Silvana Feu.