Mesmo sem acompanhar o remake de Vale Tudo, atualmente em exibição na TV Globo, Regina Duarte — que viveu a icônica Raquel Accioli na versão original de 1988 — não poupou sinceridade ao comentar a nova adaptação assinada por Manuela Dias. Em entrevista ao programa TV Fama (RedeTV!), exibida na última sexta-feira (3), a atriz declarou que não tem assistido à trama, mas defendeu que, diante das mudanças promovidas pela autora, “teria sido melhor criar uma obra nova, com outro nome”.

“Eu jamais faria algo com o mesmo nome”

Regina explicou que sua rotina atual não permite acompanhar novelas, mas, ainda assim, reconheceu o peso histórico da produção original.
“Eu não estou assistindo. Eu tenho realmente me envolvido com tanta coisa. Eu estou vivendo um momento muito pleno de atividades”, afirmou.

Mesmo distante da tela, ela deixou claro que acompanha a repercussão da trama e entende que o novo formato difere da criação de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères — trio responsável pelo sucesso original.

“Mas eu teria, digamos, uma opinião teórica. Eu acho que tem algumas coisas na vida que são feitas, que fazem muito sucesso. Vale Tudo fez muito sucesso. E eu tenho consciência plena disso. Eu vivi isso, então eu sei o quanto as pessoas se apaixonaram por Vale Tudo, comentou.

Em seguida, Regina Duarte sugeriu que, caso estivesse no lugar da autora e da direção da Globo, teria seguido outro caminho: “Nem sei se é um comentário pretensioso ou bobo, eu não sei, mas a verdade é que eu jamais me apaixonaria por alguma coisa e faria essa... Quer dizer, construiria essa coisa... Usando o mesmo nome. Porque eu teria mais liberdade para fazer a minha obra. Eu não ficaria presa a uma obra que já foi feita e amada, muito amada nesse país. Desculpa, gente, mas eu não consigo deixar de dizer isso. Sou muito sincera, viu? Vai me entrevistar, vai ter que ouvir”, afirmou, em tom bem-humorado, mas direto.

Elogios a Débora Bloch e recusa a palpites

Embora tenha evitado dar opinião sobre o rumo da história ou sobre quem matou Odete Roitman — personagem agora interpretada por Débora Bloch —, Regina fez questão de elogiar o desempenho da colega: “Eu não estou nem aí com a Odete Roitman. Mas sei que ela [Débora] está fazendo um excelente trabalho. O público está apaixonado por ela. Parabéns, minha amiga!”, disse.

A fala da atriz foi bem recebida pelos fãs da versão original, que a associam até hoje ao papel de Raquel, símbolo de força e determinação na TV brasileira.

Críticas e polêmicas em torno do remake

A autora Manuela Dias tem sido alvo de críticas por parte do público e de colegas de elenco. Taís Araujo, que interpreta a nova Raquel, chegou a afirmar ter ficado frustrada com as mudanças na trajetória da personagem, que perdeu a curva ascendente de superação social vista na versão de 1988.

Exibido na TV Globo, o remake de Vale Tudo caminha para sua reta final com média de 23 pontos em São Paulo, desempenho considerado abaixo do esperado para o horário das nove. Apesar da boa recepção à fotografia e à atuação de nomes como Débora Bloch, Cauã Reymond e Matheus Nachtergaele, a novela tem enfrentado comparações desfavoráveis à sua predecessora, que registrou um dos desfechos mais marcantes da televisão nacional.

Segundo a emissora, a adaptação foi pensada para “atualizar os dilemas morais e sociais” retratados por Gilberto Braga à luz do Brasil contemporâneo. No entanto, a proposta acabou dividindo opiniões entre críticos, fãs e até o elenco — reforçando a responsabilidade de revisitar um clássico que há mais de três décadas continua no imaginário popular.

O que vem na sequência

Globo exibe o desfecho de “Vale Tudo” no próximo dia 17, Na sequênica, a partir do dia 20, a Globo aposta em “Três Graças”, novela de Aguinaldo Silva que marca o retorno do autor à emissora. A produção terá a missão de recuperar a audiência do principal horário da televisão brasileira, que atualmente está na casa dos 23 pontos.