A Record, em parceria com a Seriella, produtora responsável por seu núcleo de dramaturgia, prepara mudanças importantes em sua linha de conteúdo. A emissora decidiu manter a estrutura atual, que mescla novelas turcas e séries bíblicas, mas já mira uma diversificação gradual — resultado direto da cobrança do público e do natural desgaste do formato religioso exclusivo.
Essa nova diretriz abre espaço para narrativas mais variadas, sem abandonar as raízes que consolidaram a dramaturgia da emissora. Um exemplo disso é o sucesso da novela turca “Força de Mulher”, que conquistou bons índices de audiência e ajudou a manter a vice-liderança da Record em várias praças, especialmente em São Paulo.
Depois da excelente recepção de Força de Mulher, a Record seguirá apostando em novelas turcas. A partir de setembro, a emissora lançará Mãe, drama protagonizado por Zeynep Güneş, uma das maiores estrelas da televisão da Turquia. A produção chega com a expectativa de repetir o fenômeno de sua antecessora e promete tocar o público com uma história repleta de emoção, coragem e laços afetivos improváveis.
Na sequência de Mãe, a Record prepara a exibição de Iludida (Sadakatsiz), outro sucesso da dramaturgia turca. A trama gira em torno de Asya Yilmaz (vivida por Cansu Dere, de Ezel e Sila), uma médica respeitada que vê seu mundo desmoronar ao descobrir que o marido, Volkan Arslan (Caner Cindoruk, de Força de Mulher), mantém um relacionamento extraconjugal há dois anos com a jovem Derin (Melis Sezen).
Traída, humilhada e cheia de dúvidas, Asya mergulha em uma jornada de vingança, autoafirmação e reconstrução. A história conquistou o público com seu ritmo intenso e viradas dramáticas, além de levantar questões sobre relações abusivas, empoderamento feminino e a difícil arte de recomeçar.
A versão original teve duas temporadas (2020–2022) e 78 episódios, mas com a edição da Record, o número pode chegar a 149 capítulos, adaptados para o formato de exibição brasileiro.
Obras bíblicas em desenvolvimento: dramas históricos e novas abordagens
A Record tem atualmente uma fila robusta de projetos em estágio de desenvolvimento. Um dos mais adiantados é “Amor em Ruínas”, de Cristiane Cardoso, que já está com os roteiros em elaboração. Outras produções também previstas incluem:
📺 “O Senhor e a Serva”
Spin-off da série “Paulo, o Apóstolo”, esta produção contará com 10 episódios centrados nos personagens Elisa (Nathalia Florentino) e Caius (Dudu Pelizzari). Ambientada nos primeiros tempos da igreja primitiva, a trama abordará temas como fé, perseguição e conflitos familiares. O elenco ainda inclui João Fernandes, Fernando Sampaio, Marcos Winter, Bárbara França e Rafael Sardão.
📺 “A Vida de Jó”
A clássica história bíblica sobre fé e resistência ganha vida com Guilherme Berenguer e Enzo Krieger, interpretando Jó em diferentes fases. Juliana Didone também integra o elenco da série, que mergulhará nas provações sofridas por um homem íntegro e fiel a Deus, mesmo diante da perda de bens, entes queridos e da saúde.
A exibição será feita inicialmente pela Univer Vídeo, com posterior transmissão na Record TV.
🎬 “Ben-Hur”
Baseada no livro “Ben-Hur: Uma História dos Tempos de Cristo”, de Lew Wallace, a superprodução será o próximo grande projeto da emissora. A história acompanha Judá Ben-Hur, um príncipe de Jerusalém traído e escravizado pelos romanos. Embora o personagem principal não seja bíblico, sua trajetória se entrelaça com figuras centrais do cristianismo, como Maria, José, os Reis Magos, Pôncio Pilatos e até Jesus Cristo.
A adaptação é um desejo antigo da Record, que comprou os direitos da obra em 2018. O projeto só agora avança de forma concreta, com a escolha do ator Floriano Peixoto para um papel importante.
Estratégia reafirma compromisso com o público, mas amplia horizontes
Com essas produções, a Record reforça seu compromisso com conteúdos de forte apelo cristão e histórico, mas também sinaliza abertura para novos gêneros e abordagens dramáticas. A parceria com a Seriella se mostra fundamental nesse processo, tanto pela execução técnica quanto pela consolidação do modelo de coprodução.
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