A estética de Quem Ama Cuida não será apenas um acabamento visual. A próxima novela das nove da Globo, com estreia marcada para 18 de maio, foi pensada para usar roupas, maquiagem, cabelo, cenários e gestos como parte direta da narrativa.
Ambientada na São Paulo contemporânea, a trama dirigida artisticamente por Amora Mautner aposta em uma linguagem menos naturalista e mais desenhada. A proposta é construir personagens reconhecíveis de imediato, com códigos visuais que indiquem classe social, estado emocional, trajetória e posição dentro da história.
No figurino, Flávia Costa e Mari Sued trabalham com referências que dialogam com os anos 80 e 90, mas atualizadas para o presente. A ideia é recuperar um certo “cheiro” de novelão, com personagens visualmente marcados, sem abrir mão de uma leitura contemporânea da cidade.
As roupas de casa também ganharão função dramática. Peças usadas para malhar, descansar, pedalar ou simplesmente circular dentro dos ambientes domésticos ajudam a mostrar os personagens em estados menos montados. Na casa de Pilar, personagem de Isabel Teixeira, por exemplo, a vilã e os filhos aparecem de pijama ou com roupas de academia, aproximando a cena de uma rotina mais orgânica.
A protagonista Adriana, vivida por Leticia Colin, terá o vermelho como eixo de sua identidade visual. A cor aparece em variações que chegam ao vinho e funciona como um farol dramático no meio da metrópole.
O figurino da personagem foi pensado para deslocamento e ação. Jeans, botas e sobreposições constroem a imagem de uma mulher prática, urbana e em movimento. Mesmo quando Adriana perde tudo e passa a usar roupas doadas em um abrigo, maiores e mais gastas, o código cromático é preservado para manter sua continuidade emocional.
Já Pilar assume o exagero como marca. Animal print, capas, volumes amplos e sobreposições compõem a imagem de uma vilã declarada, com referências ao melodrama clássico, ao kitsch e a um imaginário de poder teatralizado.
Arthur Brandão, personagem de Antonio Fagundes, segue outro caminho. Ele representa o “rico antigo”, com sobriedade como sinal de status. Alfaiataria precisa, cortes limpos e paleta contida ajudam a construir uma elegância de inspiração inglesa.
O detalhe mais simbólico do personagem será um anel com o brasão da família Brandão, criado especialmente para a novela. O objeto reforça tradição, linhagem e pertencimento, funcionando como uma extensão do poder silencioso exercido por Arthur.
A caracterização segue a mesma lógica. Segundo o caracterizador Marcelo Dias, a novela assume uma atmosfera de novelão inspirada nos anos 80 e 90, mas com acabamento atual e uma beleza popular presente em diferentes núcleos, inclusive nos mais sofisticados.
Como a trama terá uma passagem curta de tempo logo no início, a equipe recorreu a soluções reversíveis, como postiços, laces e alongamentos. A estratégia permite ajustar fases dos personagens sem comprometer o ritmo de gravações.
Nem todos mudarão drasticamente após a passagem temporal. Em alguns casos, a transformação aparecerá em detalhes, como comprimento de cabelo, barba ou acabamento mais refinado.
Na maquiagem, a novela também foge do naturalismo em momentos específicos. Luz, sombra e pinceladas serão usados para sugerir vaidade, dureza emocional ou intervenções estéticas, sempre sem transformar os personagens em caricatura.
Um exemplo é Fábia, personagem de Flávia Alessandra, que terá um bocão construído com maquiagem. O efeito será feito cena a cena, com cuidado para preservar o conforto da atriz e a continuidade visual.
Com essa proposta, Quem Ama Cuida tenta transformar a visualidade em parte da dramaturgia. Cores, texturas, silhuetas e objetos passam a indicar quem esses personagens são, de onde vêm, o que desejam e como tentam ocupar espaço em uma São Paulo marcada por contrastes.
A novela é criada e escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, com colaboração de Wendell Bendelack, Martha Mendonça, Julia Laks e Bruno Segadilha.
A direção artística é de Amora Mautner, com direção geral de Caetano Caruso e direção de Nathalia Ribas, Alexandre Macedo, Augusto Lana, Fábio Rodrigo e Rodrigo Olliveira. A produção é de Mauricio Quaresma e Isabel Ribeiro, com produção executiva de Lucas Zardo e direção de dramaturgia de José Luiz Villamarim.
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