A faixa das 23h ganha peso no planejamento de dramaturgia da Globo. É nesse espaço, mais aberto a obras autorais e menos preso ao formato clássico do início da noite, que a emissora pretende encaixar a primeira novela escrita por Tatá Werneck.

Antes da humorista, a fila já tem outro projeto em preparação. Paraíso Perdido, desenvolvida por George Moura e Sergio Goldenberg, terá 40 capítulos, direção artística de Joana Jabace e Alanis Guillen no centro da produção. A novela parte do universo dramático de Nelson Rodrigues, mas leva esse repertório para o Rio de Janeiro atual.

A presença de Paraíso Perdido na faixa ajuda a explicar o caminho reservado para Tatá. Nos bastidores, a Globo trata as 23h como um horário voltado a experiências de dramaturgia, formatos menos convencionais e histórias que podem escapar das amarras do folhetim familiar. O projeto da humorista entra nesse mesmo desenho.

Segundo apurou Carla Bittencourt, do Portal LeoDias, a sinopse já foi aprovada pela emissora. A informação muda a leitura inicial de parte do mercado, que via o horário das sete como destino provável por causa da relação histórica da faixa com a comédia. O plano interno, por enquanto, segue em outra direção.

A diferença está no tipo de texto que a Globo acredita que Tatá pode entregar. No início da noite, a classificação indicativa reduz o espaço para certos conflitos, piadas e situações. Às 23h, temas adultos e diálogos mais ácidos ganham margem maior, sem a mesma pressão de adequação ao público familiar.

Tatá está no ar em Quem Ama Cuida, mas a nova novela marca outro tipo de movimento dentro da emissora: a passagem da humorista para a autoria de folhetim. A expectativa nos bastidores é que ela leve para a dramaturgia o estilo irreverente que marcou sua trajetória na TV, agora com mais liberdade para construir personagens e situações.

Ainda não há data de estreia. O texto permanece em desenvolvimento, e o planejamento pode mudar ao longo do processo, como acontece com produções da Globo. Por ora, o projeto funciona como mais uma peça da tentativa da emissora de usar a faixa tardia para testar autores, tons e formatos fora do modelo mais familiar.