Juliana Algañaraz. Foto: Reprodução/LeoDias TV
Juliana Algañaraz. Foto: Reprodução/LeoDias TV

A TV Gazeta vive um momento de inflexão estratégica. Sob nova direção, a emissora pretende reduzir a dependência da venda de horários religiosos e ampliar a produção de conteúdo próprio, numa tentativa de redefinir sua identidade editorial e reconectar-se com o mercado publicitário.

A responsável por essa guinada é Juliana Algañaraz, que assumiu recentemente o comando do canal da Fundação Cásper Líbero. Em participação em um podcast do jornalista Flávio Ricco na LeoDias TV, na última terça-feira (3), a superintendente-geral afirmou que deseja encerrar o contrato com a Igreja Universal do Reino de Deus, hoje principal fonte de receita da emissora.

Segundo apuração do jornalista Jorge Cardoso, a Universal responde por cerca de 80% do faturamento da TV Gazeta. A instituição liderada por Edir Macedo compra aproximadamente 11 horas da programação diária, o que, na avaliação da executiva, compromete a construção de uma identidade nacional para o canal.

“Dentro da nossa estratégia, a gente quer criar uma faixa de programação brasileira. Neste momento, estou um pouco engessada porque tenho a igreja, herdei uma igreja”, declarou. Em outro momento, comparou a presença religiosa na grade a um “calo no pé”.

Apesar de reconhecer que a comercialização de faixas é uma solução rápida para garantir receita — já que exige pouco investimento em produção —, Algañaraz sustenta que o modelo limita a diversidade de projetos. O plano é aproveitar as janelas disponíveis para desenvolver novos formatos enquanto aguarda o fim do contrato atual, previsto para 2027.

A reformulação na grade, porém, ocorre em meio a desafios. Parte do público reagiu de forma negativa às mudanças anunciadas nesta semana, e o mercado publicitário adotou postura cautelosa. A maior reestruturação das últimas décadas provocou a saída de um número relevante de anunciantes.

Hoje, a emissora conta com apenas dois intervalos comerciais ao longo do dia. A venda de ações de merchandising testemunhal também diminuiu com a chegada de novos apresentadores, já que as marcas ainda avaliam o potencial do elenco em convencer o público a consumir produtos.