Mirinho (Nicolas Prattes). Foto: Estevam Avellar/TV Globo
Mirinho (Nicolas Prattes). Foto: Estevam Avellar/TV Globo

Nicolas Prattes assume pela primeira vez papel antagônico em sua trajetória nas novelas. O ator interpreta Mirinho em 'A Nobreza do Amor', próxima produção das 18h que marca estreia prevista para março de 2026 com proposta de renovar o horário através de narrativa que coloca protagonismo negro no centro da história.

O personagem caracteriza-se como bon-vivant interessado no dinheiro do pai, o coronel Bonafé (Cassio Gabus Mendes). O patriarca comanda o maior engenho de cana-de-açúcar da cidade fictícia de Barro Preto, no Rio Grande do Norte, cenário que ambienta conflitos familiares e disputas amorosas da trama.

Mirinho disputará Alika, mocinha interpretada por Duda Santos, com Tonho (Ronald Sotto). O triângulo amoroso carrega peso adicional pela relação anterior entre os dois rapazes, que eram amigos até Tonho passar a ser tratado como mero empregado da fazenda da família de Mirinho.

O interesse do vilão pela princesa africana despertará fúria de Virgínia (Theresa Fonseca). A personagem é filha de Diógenes e Marta, interpretados respectivamente por Danton Mello e Emanuelle Araújo, criando ramificações adicionais nos conflitos familiares que permeiam a narrativa.

"É um presente muito grande estar nesta novela tão revolucionária, cheia de drama, romance e reviravoltas. Mirinho é a inauguração de um novo jeito de atuar para mim, porque é meu primeiro personagem em novelas que não é movido por um bom sentimento. Ele vai ser uma figura muito rica, cheio de camadas em todos os aspectos", afirma Nicolas Prattes.

A declaração do ator revela consciência sobre mudança significativa em sua carreira. Até então reconhecido por interpretar mocinhos e personagens carismáticos, Prattes enfrenta desafio de construir vilão complexo sem perder nuances que tornam o antagonista interessante dramaticamente.

A trama principal de 'A Nobreza do Amor' acompanha a jornada da princesa Alika, que foge do reino fictício africano de Batanga ao lado da mãe Niara (Erika Januza). A fuga acontece após golpe de estado arquitetado por Jendal (Lázaro Ramos) que funciona como antagonista central da narrativa.

Mãe e filha se instalam em Barro Preto, onde Alika conhece Tonho e desenvolve história de amor que será atravessada por obstáculos sociais, disputas de poder e conflitos culturais. O romance entre a princesa africana e o trabalhador da fazenda estrutura eixo dramático que sustenta desenvolvimento dos 185 capítulos previstos.

O elenco da nova produção é composto ainda por Rayssa Bratillieri, Ana Cecilia Costa, Rodrigo Simas, André Luiz Miranda, Carol Badra, Daniel Rangel, João Fernandes, Paulo Lessa, Fábio Lago, Rita Batista, Samantha Jones, Cyria Coentro, Fabiana Karla e Zezé Motta. Essa composição forma um painel diverso de culturas e relações que dialogam com a proposta de representar o continente africano de maneira inédita na faixa das seis.

A novela se destaca ao levar para horário tradicionalmente ocupado por tramas mais leves uma representação consistente da África e da cultura afro-diaspórica. A narrativa combina política, aventura, drama e romance, equilibrando entretenimento com abordagem de temas sociais relevantes.

'A Nobreza do Amor' chegará ao público após 'Êta Mundo Melhor', assumindo missão de renovar o horário com mistura de elementos que incluem romance, política, cultura afro-diaspórica, tradição, identidade e ambientação nordestina. Esses componentes têm marcado os novos caminhos da dramaturgia das 18h.

Com 185 capítulos previstos, a obra mescla melodrama, fábula e crítica social. A produção aborda temas como racismo, desigualdade e identidade cultural afro-brasileira, inserindo discussões contemporâneas em estrutura narrativa que dialoga com tradição folhetinesca.

A estética será inspirada no cordel nordestino e em narrativas afro-diaspóricas. A proposta remete ao sucesso de Cordel Encantado, exibida em 2011, mas avança ao colocar protagonismo negro no centro da narrativa, movimento que representa evolução significativa na representatividade da teledramaturgia brasileira.