A recente prisão e posterior soltura do funkeiro MC Poze do Rodo movimentaram não apenas as redes sociais e comunidades cariocas, mas também os bastidores da televisão brasileira. O artista, que ganhou notoriedade com o chamado trap de cria, é agora alvo de uma disputa entre Globo e Record, que disputam uma entrevista exclusiva com o cantor.

Segundo apurou o jornalista Gabriel Vaquer, da Folha de São Paulo, o programa Fantástico, da TV Globo, quer contar com Poze em sua edição de domingo, 8 de junho, considerando a repercussão do caso como um dos grandes assuntos da semana. A direção da emissora vê na presença do cantor uma oportunidade para alavancar os índices de audiência do tradicional programa dominical.

Enquanto isso, a Record TV tenta garantir o funkeiro no Domingo Espetacular e também no Balanço Geral RJ, atração que tem forte apelo popular e que liderou a audiência no momento da soltura de Poze, em 3 de junho. Com picos de 16 pontos e média de 11 entre 11h30 e 15h30, a emissora chegou a superar a Globo por 45 minutos consecutivos, impulsionada pela cobertura ao vivo.

Apesar do assédio das emissoras, MC Poze do Rodo tem evitado se pronunciar oficialmente. O cantor e sua família demonstraram desconforto com a forma como sua prisão foi tratada por parte da imprensa, sentindo-se injustamente retratados. Nas redes sociais, pessoas próximas ao artista afirmaram que ele foi "pintado como bandido", o que reforçou a decisão de se manter em silêncio, ao menos por enquanto.

Entenda a prisão e a polêmica

Poze foi detido em 29 de maio, sob suspeita de fazer apologia ao tráfico de drogas e manter vínculos com o Comando Vermelho (CV), uma das maiores facções criminosas do Rio de Janeiro. A prisão provocou grande comoção, especialmente entre os fãs do artista, que se mobilizaram nas redes e compareceram em peso à saída do Complexo Penitenciário de Bangu, no momento da libertação.

Cerca de 300 pessoas, incluindo amigos e familiares, o esperavam na porta do presídio. Um carro de som foi levado ao local, e o público cantava seus maiores sucessos. Poze deixou o local a pé, acompanhado por advogados.

Nascido e criado na Favela do Rodo, zona oeste do Rio, Poze do Rodo já admitiu envolvimento com o tráfico durante a adolescência. Em entrevista ao Profissão Repórter, o artista revelou que chegou a trocar tiros, foi baleado e preso. “Decidi mudar minha vida. Hoje uso minha voz para mostrar aos jovens que o crime não é o caminho”, declarou na ocasião.

O cantor despontou nacionalmente em 2019 com o hit “Tô Voando Alto”, apelidando-se de “Pitbull do funk”. Desde então, lançou sucessos como:

  • “Vida Louca”
  • “A Cara do Crime (Nós Incomoda)”
  • “Me Sinto Abençoado”

Em 2022, lançou seu primeiro álbum, “O Sábio”, que traz participações de nomes como MC Cabelinho, Orochi e Oruam — este último, aliás, foi recentemente entrevistado pela Record no Domingo Espetacular, evidenciando o interesse da emissora no universo do funk.

Poze é um dos representantes do proibidão, vertente do funk que retrata a realidade das favelas e o contexto do crime urbano. A polícia, no entanto, considera que suas composições promovem a ideologia do Comando Vermelho, exaltando o uso de armas e drogas.

Segundo o secretário da Polícia Civil do RJ, Felipe Curi, as músicas seriam uma ferramenta de "disseminação de narcocultura". Já o subsecretário Carlos Oliveira reforçou que a polícia "não criminaliza a arte", mas investiga quem se vale dela para promover atividades ilícitas.