Luiz Henrique Nogueira decidiu sair em defesa de 'Coração Acelerado' ao comentar a recepção da novela das sete, que vem registrando média de 18,8 pontos na Grande São Paulo. No ar como o personagem Zeca, o ator afirmou que a leitura baseada apenas nos números da TV aberta já não dá conta de explicar o comportamento real do público em 2026.
A avaliação foi feita em conversa com a imprensa nos bastidores da trama. Com sete novelas completas no currículo ao longo de mais de três décadas de carreira, Nogueira disse que acompanha de perto as mudanças na forma como os brasileiros consomem teledramaturgia.
Na visão dele, tratar uma obra como fracasso só por causa do Ibope ignora transformações tecnológicas e sociais já consolidadas. O ator destacou especialmente o peso do Globoplay nesse novo cenário. “O público da televisão mudou. Não tem mais como a gente querer compreender quem está assistindo ou quem não está assistindo à novela só pelo ibope da TV aberta. O Globoplay é uma coisa muito forte hoje em dia, muito poderoso”, afirmou.
Ele lembrou ainda experiências anteriores no streaming da Globo para reforçar o argumento. Segundo o intérprete, já participou de série lançada no Globoplay que nem passou pela TV aberta e, mesmo assim, teve grande repercussão. Ao comentar o papel da plataforma, Nogueira disse que o serviço assumiu uma responsabilidade importante na circulação do conteúdo dramatúrgico. Para ele, a audiência da novela já não se organiza mais do mesmo modo que em décadas passadas.
“O público mudou e não tem mais essa capacidade de ficar fidelizado ao horário da novela. Eu acho que o público se fideliza à novela, mas ele não se fideliza ao horário”, declarou o ator.
Na sequência, ele observou que aquela imagem clássica da família reunida em casa no mesmo momento para acompanhar a novela deixou de existir. Para Nogueira, a sociedade mudou, o mundo mudou e a dinâmica de consumo também mudou. O ator também relativizou o tempo de maturação de uma trama. Na avaliação dele, as novelas podem demorar mais para ganhar tração e formar público de maneira consistente. Como comparação, ele citou 'Três Graças'. Segundo ele, o atual sucesso da obra não apareceu de forma imediata, o que indicaria uma nova lógica de adesão do espectador.
Em outro trecho da fala, o intérprete atribuiu parte da dificuldade inicial de 'Coração Acelerado' ao calendário. A novela estreou em janeiro, no auge do verão, atravessou o Carnaval e pegou um período em que muita gente ainda estava fora de casa.
Ao olhar para a própria carreira, Luiz Henrique Nogueira fez distinção entre uma novela bem-sucedida e um fenômeno. Ele citou 'Cheias de Charme', de 2012, e 'Senhora do Destino', de 2004, como exemplos de obras que ultrapassaram o patamar do sucesso convencional.
“Cheias de Charme é muito fora da curva, porque dava 40 pontos, mesmo sendo uma novela das sete. Então realmente, quando você faz um fenômeno, e eu fiz alguns, como Senhora do Destino, é muito diferente de um sucesso”, afirmou.
Para ele, esse tipo de repercussão também depende de uma combinação específica de época, personagens e contexto do país. O ator avaliou que existe um componente de mistério nessas consagrações, algo que impede fórmulas prontas.
'Coração Acelerado', inclusive, carrega elementos que dialogam com esse passado. A novela é coescrita por Izabel de Oliveira, que também assinou 'Cheias de Charme', e reúne nomes ligados àquele fenômeno, como Isabelle Drummond e Leandra Leal.
A atual trama segue no ar até o fim de agosto. Depois disso, a Globo colocará na faixa das sete 'Por Você', obra concebida por Dino Cantelli e Juliana Peres e estrelada por Sheron Menezzes.
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